Mostrar mensagens com a etiqueta Aldeias e Lugares. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Aldeias e Lugares. Mostrar todas as mensagens

18 de maio de 2011

UMA DÉCADA DE CONQUISTAS

Mós tem conhecido grandes desenvolvimentos infraestruturais e com o advento da Auto-Estrada sobe, agora, a fasquia dos sonhos

Saneamento, luz, uma igreja restaurada e um Museu Rural são algumas das conquistas granjeadas por Mós desde o virar do milénio. “Desde há oito anos para cá, houve uma espécie de revolução nesta aldeia porque se fizeram aqui obras muito importantes: nos caminhos, no saneamento, pusemos pontos de luz que existiam em pouco número”, afirmou Fernando Teixeira Vilela. O secretário da Junta de Freguesia de Mós (JFM) mostra-se bastante satisfeito com os progressos alcançados. “Começou-se a apostar na pedra à vista, uma aposta no rústico continuada pelos particulares. Restaurou-se a igreja, temos um Museu Rural, água com fartura, temos uma Associação”, continuou. De acordo com o entrevistado, em termos infraestruturais, Mós é, agora, uma “aldeia completa”.
Apesar do presidente da JFM ser Anselmo Martins, quem administra a aldeia é Fernando Vilela. O presidente rege a anexa, Paçó, donde é natural. Uma espécie de acordo tácito entre os dois, em que cada um é responsável pela sua aldeia. “Sou eu que trato aqui da aldeia. Isto é um bocado sui generis, mas o Anselmo gere Paçó e eu estou a gerir Mós. Chegámos a esse acordo. Aliás, isso já vem de antigamente”, explicou.


O Museu Rural de Mós, inaugurado a 6 de Agosto de 2006, tem trazido à aldeia um número significativo de visitantes. Enquanto que a Associação Cultural, Recreativa e de Melhoramentos de Mós, “Os Mochos”, viu as suas instalações inauguradas a 18 de Abril de 2004. Um porto de abrigo merecido para uma associação que tem desenvolvido diversas iniciativas em vários âmbitos, desportivos, culturais e ambientais.
Outro ponto que joga a favor da aldeia, é a Zona Industrial de Mós. Apesar da indústria instalada ser, ainda, escassa, Fernando Vilela vê as suas esperanças renovadas para a aldeia com o advento da Auto-Estrada Transmontana. “A ideia partiu da Câmara, mas a Junta de Freguesia teve um papel importante. Tinha lá terrenos e foi feita a proposta se queríamos negociá-los, se queríamos ir para a frente com a zona industrial e isso trouxe também o Nó à auto-estrada que, neste momento, está a ser feito”, desenvolveu o responsável. Na sua opinião, aquilo que mais falta faz a Mós são as pessoas. Uma situação que se poderá ser alterada com a promessa da auto-estrada. “Aqui só temos falta de gente, mais nada! Agora, o Nó pode trazer pessoas a fixarem-se aqui. As pessoas de cá, essencialmente. Se não fosse a zona industrial, não havia nó”, considerou.


Mós espera restaurar a forja comunitária e o moinho com as verbas dos terrenos cedidos para a construção da Auto-Estrada, cerca de 250 mil euros

Secretário da JFM há cerca de 10 anos, Fernando Vilela antevê o futuro com optimismo. “Eu acho que é uma aldeia com futuro. Embora haja pouca gente. Mas há muita casa a ser restaurada. É pena é a crise ter vindo nesta altura, que é o que está a atrapalhar as coisas”, declarou.
Quem não partilha de uma visão tão optimista é João de Deus Martins. “A continuar por este ritmo, não vejo grandes perspectivas para Mós. Como não há pessoal novo, não vejo que possa haver um futuro promissor, apesar de estarmos a 5 minutos da cidade de Bragança”, afiançou este habitante, natural de Mós, onde reside há 49 anos. Para João, o grande problema é o envelhecimento da população. “As aldeias estão cada vez mais envelhecidas e o pessoal novo quase não existe. Estão a ficar cada vez mais desertas. Aquilo que se nota mais é a falta de gente nova capaz de trabalhar. As pessoas aqui andam todas nos 70, 80 anos”, assegurou.


Lembrando outros tempos, surgiu Feliciana Augusta Queiroz. Tempos em que a escola primária ainda estava aberta e as crianças proporcionavam alegria, cor e movimento a uma aldeia onde, agora, simplesmente, não existem. Com uma carreira enquanto docente de 36 anos, 30 exerceu-os na escola primária de Mós, encerrada na década de 90. “Quando me aposentei, não era capaz de estar em casa. Chegava aquela hora e tinha que ir para a escola. Eu comecei com 41 alunos e acabei com 11”, contou a antiga professora, lembrando o declínio drástico do número de meninos. “Para mim, a aposentação foi um desgosto grande, grande…”, provou Feliciana, com um pesar que transparece nas palavras, com a mágoa da saudade no olhar e o rosto humedecido pelas lágrimas.


TESTEMUNHOS

Feliciana Augusta Queiroz


“ Fui professora na antiga escola primária de Mós durante 30 anos. Sinto muitas saudades desses tempos. Fui muito bem estimada e muito querida por todos. Dá para chorar até! Depois, namorei cá e casei cá. Sinto-me feliz aqui”


João de Deus Martins


“No Verão, vêm os emigrantes, principalmente, de França, que é onde estão a maior parte deles. Nota-se muita diferença porque trazem mais movimento. É um ambiente diferente, para melhor”


Fernando Teixeira Vilela


“Temos desenvolvido aqui algumas actividades interessantes como, por exemplo, de educação ambiental, inclusive com escolas primárias. Temos um percurso pedestre e um polidesportivo inaugurado, em simultâneo, com o Museu Rural, em 2006”



CAPELA DAS ALMAS

31 de março de 2011

BOLETIM PIONEIRO

Boletim informativo da freguesia de Babe conhece o seu primeiro lançamento com 300 exemplares

A Junta de Freguesia de Babe desenvolveu uma iniciativa pioneira que reside na criação de um boletim informativo. De periodicidade semestral, gratuito e com uma tiragem de 300 exemplares, o boletim pretende anular o desfasamento entre o trabalho da junta e as populações de Babe e Laviados. Nesta edição de estreia, é apresentado um sumário das actividades de 2010 como a visita às Marras, o I Dia do Desporto da Freguesia, o concerto de Natal e a campanha de sensibilização da GNR, bem como algumas obras já concluídas. É o caso do Parque Infantil em Babe, concretizado no ano transacto.
“Esta é a primeira edição do Boletim Informativo da Freguesia de Babe. A criação deste boletim deve-se à importância da informação e comunicação entre a Junta e as populações de Babe e Laviados”, referiu o presidente da Junta de Freguesia de Babe, Alberto Pais.
No primeiro número, referente aos meses de Janeiro, Fevereiro e Março, é possível encontrar, ainda, 2011 em perspectiva, com a promoção, por exemplo, da viagem a Lourdes (França), que terá lugar dias 6, 7 e 8 de Maio, e a divulgação de serviços. Fala-se dos Medicamentos em casa, uma acção que acontece em Babe nos dias de atendimento médico, na parte da manhã da penúltima segunda-feira de cada mês; e do Rastreio médico com uma equipa de enfermagem da Cruz Vermelha, na primeira sexta-feira de cada mês, na Casa do Povo de Laviados.
“É importante que cada pessoa se sinta parte integrante de cada comunidade que forma uma só freguesia e, por isso, devemos estar todos minimamente informados do nosso quotidiano”, defendeu o autarca.
Nas palavras de Alberto Pais, retiradas do editorial, a freguesia de Babe continua determinada a apostar nos serviços à população, mas sem esquecer os trabalhos de construção essenciais em cada uma das aldeias. “Irão executar-se as obras possíveis, mas necessárias em cada aldeia, conforme as possibilidades da Junta”, destacou o edil. Uma missão que, segundo o próprio, só será levada a bom porto caso haja uma voz activa por parte dos cidadãos, cujas opiniões poderão auxiliar o executivo na difícil tarefa que tem em mãos. (Sugestões através do email: freguesiababe@gmail.com)


 

30 de março de 2011

TERRA FÉRTIL QUEBRADA EM SONHOS

Paçó era aldeia da agricultura e do fumeiro, cresceu em arquitectura mas perdeu em “povo cheio”

No concelho de Vinhais, distrito de Bragança, respira a aldeia de Paçó. Enquanto freguesia, situada em pleno Parque Natural de Montesinho, abrange uma área de 40 quilómetros quadrados, distribuída pelos lugares de Paçó e Quintela. Numa terra em que se “colhe de tudo”, a agricultura estabelece-se, agora, num perímetro secundário, dado o escasso número de pessoas que lhe dedicam o seu tempo. Os entrevistados, nascidos na povoação, muitos já correram o mundo. Regressados à origem, partilham da triste visão que, um dia, aldeias como Paçó morrerão, ao caírem no esquecimento de uma geração de jovens cujo futuro não passa, nem pode passar pela agricultura. Um fardo que se deve, em grande parte, ao pouco rendimento que se lhe retira em termos financeiros. “Daqui a 20 ou 30 anos, aldeias como Paçó acabam. Ninguém quer aprender, nem sabem. E o governo também não ajuda. Quando os do meu batalhão acabarem... Mas os jovens também não podem, que isto não dá dinheiro”, admite João Oliveira.
O fumeiro, esse, não foi esquecido e mantém-se, ainda, numa posição privilegiada no Entrudo Transmontano. Em cultura, Paçó destaca-se no artesanato com o calçado, as rendas e os bordados. Imersa num conteúdo histórico milenar, Paçó foi vila por foral de D. Dinis em 1310. Dois séculos passados e, em 1512, D. Manuel I concedeu novo foral à povoação, nomeando-a sede de concelho, extinto, depois, no ano de 1836. Com pouco mais de uma centena de habitantes, Paçó é uma aldeia cujas actividades económicas se baseiam tão somente na agricultura, na pecuária e no pequeno comércio.

A freguesia é conhecida, também, por Paço de Vinhais para se distinguir de outras povoações com nomes semelhantes

A Festa de S. Julião acontece a 7 de Janeiro. No centro da aldeia, frente ao pelourinho, fica a igreja matriz com o mesmo nome. No interior, é de sublinhar o seu acervo patrimonia: a talha barroca no altar-mor, nos laterais e nos retábulos, para além das pinturas do século XVIII nos tectos. Já no Santuário de Nossa Senhora da Ponte. Ermida, de construção recente, reúne-se uma vasta audiência durante o segundo fim-de-semana de Julho. Em Agosto, acontecem as Festas e Romarias de Santa Bárbara, S. Lourenço e Santa Marinha, povoadas de emigrantes que, por altura do Verão, regressam às origens mergulhados na saudade.
Com um vasto património cultural e edificado, destaca-se a Igreja Paroquial de S. Julião, a Capela de S. Lourenço, o Cruzeiro, fontes românicas, a fraga da Moura, o castro, vários moinhos e o Santuário de Nossa Senhora da Ponte. Outro dos locais de grande interesse turístico é a zona de caça, que elege como alvos preferenciais a lebre, o coelho e o javali.



TESTEMUNHOS

Abílio Morais, 64 anos

“Na aldeia, estão para aí 200 habitantes, mas já tudo mais para o velho. Aqui é uma terra boa, dá de tudo. Colho batatas e feijões, por exemplo. Mas só para nós porque para venda não dá. O que faz falta aqui é uma lista ao meio aí na estrada e umas guardas (raids) porque é perigosa esta estrada. Era uma obra de misericórdia.”


Cândido Anibal, 82 anos

“Casas, há o dobro! Agora, gente é que é pouca. Só estamos cá quase os velhos. Eu tenho 2 filhos e 2 netos. Querem lá eles saber da Paçó para alguma coisa. Lá vêm de vez em quando ver-me, mas só. Nós aqui temos é muitos castanheiros e uns bons terrenos, mas falta é gente que queira trabalhar. Ninguém olha para a agricultura!”


Leonor Oliveira, 42 anos

“A aldeia para mim é um espectáculo! Mas faz falta aqui tanta coisa que nem sei por onde começar... Um Centro de Dia para a Terceira Idade já não era mau. A estrada também podia ser melhor. Agora, estou a tratar do fumeiro com a minha mãe, que me ajudou, é do melhor que se faz para estes lados.”


João Oliveira, 47 anos

“Eu bem gosto de trabalhar, mas a agricultura não dá rendimento. Os adubos estão caríssimos, o gasóleo, as máquinas, as rações, tudo! Não há condições! Eu, por exemplo, tenho alguns castanheiros, cereais só para consumo e depois tenho dez vacas. Eu vivo da agricultura e da pecuária.”

12 de março de 2011

POVO ÁCIDO COM GOVERNAÇÃO

Habitantes de Limãos agonizam fim da aldeia em três décadas devido ao envelhecimento da população

Numa extensa planície de prados verdes, rodeada pelos montes de Morais e o alto da Caroceira, situa-se uma aldeia não tão verdejante assim. Limãos pertence à freguesia de Salselas, em Macedo de Cavaleiros, e conta, actualmente, com perto de 100 habitantes. Abundante em água, com variadas fontes, poços e represas, e rica em ar puro, a povoação goza de um clima temperado e é considerada por muitos, em termos de fauna e flora, como uma das aldeias mais belas do concelho. Não obstante, o esquecimento a que tem sido votada preconiza um triste final para uma população maioritariamente envelhecida. Assim o disse uma idosa à entrada do povo: “aqui é só velhos”.
Onde, antigamente, a agricultura “dava frutos”, hoje, cultiva-se a terra, apenas, para consumo. Onde, outrora, os cereais moviam seis moinhos de água, nos dias que correm, resta, somente, a pecuária. Sobram os enchidos, os queijos frescos e outros pratos típicos que os mais idosos teimam em perpetuar num solo fértil em minerais e próspero em árvores de fruto que não brotam crianças. Num pessimismo rendido à evidência, a população fala contra os sucessivos governos, lamentam a votação ao marasmo e não acreditam num futuro sorridente. Pelo contrário, sentem-se condenados. “Daqui a 20 ou 30 anos, aldeias como Limãos vão ficar sem ninguém”, assume Clara da Conceição, para quem os seus dois filhos não quererão regressar à terra que os viu nascer. “Aqui não há trabalhos nenhuns, a não ser na agricultura. E mesmo isso não dá sequer para viver”, garante a septuagenária.

Internet wireless e um Lar de Idosos são reivindicações de Limãos, um povo com sede de investimentos

Num paradigma dos tempos modernos, resistem as famosas casas de xisto. Umas, abandonadas, outras recuperadas, a maior parte, em ruínas, sem ninguém. Com saneamento básico e electricidade, o povo reclama, agora, um lar para os idosos, já que o mais próximo é em Macedo e, segundo uma nativa limoense, “não chega a nada”. Mas o que faz mesmo falta, realmente, se se pretende atrair e fixar a juventude, é internet wireless, cujo sinal é proveniente de uma antena que, de momento, não existe. Um factor a ter em conta, pois muitos dos jovens que estão fora e que decidem regressar um fim de semana a casa ou mesmo em férias, reclamam o sentimento de terem volvido a um século passado. “Deviam colocar aqui uma antena para a internet, que os meus filhos para a ter têm de pagar mais de 20 euros todos os meses. Hoje, os jovens têm todos computadores e muitos trabalham online”, advogou Teresa Pires. Esta mãe de dois acredita que a internet poderá funcionar como uma espécie de âncora no sentido de “prender” os miúdos, nem que seja temporariamente.
O ex-libris de Limãos atinge a terra como um relâmpago no último domingo do mês de Agosto. São as Festas de Santa Eufémia, que inundam de gente alheia, visitantes, familiares, emigrantes e imigrados, uma terra que por povo anseia.



TESTEMUNHOS

Marcelina do Céu Fernandes, 75 anos

“As Festas de Santa Eufémia, no último domingo do mês de Agosto, trazem muitas pessoas à aldeia vindas de fora. Mas aqui não há quase jovens e bebés muito poucos. Tanta coisa que faz falta por aqui”


Clara da Conceição, 76 anos

“A aldeia é fraca porque não temos para aqui nada como nos outros sítios. Está tudo mal! Só somos velhos aqui! Gostava de um ambiente melhor aqui, mais vida, movimento. Não há escola, não há garotos, aqui não há nada!”


Humberto Augusto Brás, 78

“A agricultura está triste porque não compram os produtos que a gente fabrica: o azeite, o trigo, o centeio, não compram nada! Vem tudo de fora! Os deputados na Assembleia, só metade faziam mais”


Teresa Pires, 66 anos

“Está tudo muito pobre, mal amanhado, precisava-se aqui de muito trabalho. A culpa é da Câmara que faz noutros sítios o que não faz por cá. Gostava de ver algo aí para os jovens trabalharem, brincarem e divertirem-se porque senão não há forma de pararem aqui”


2 de março de 2011

FALTA A MOCIDADE

Arranjar a estrada de acesso a Bragança e fazer com que o autocarro passe duas vezes por semana são duas das prioridades da aldeia de Moredo

Na freguesia de Salsas, no concelho de Bragança, situa-se a aldeia de Moredo. Numa retrospectiva de cinco décadas, António Miranda garante que a aldeia evoluiu bastante, a nível de condições, mas perdeu muita gente. “Antes, éramos para aí trezentos. Havia pessoas que tinham 10 filhos. Agora, foram todas embora... Estamos aqui algumas 50 pessoas. A população está toda a acabar”, diz este habitante, de 65 anos. Nascido em Moredo, trabalhou durante 40 anos nas proximidades de Paris como assistente numa fábrica de automóveis. Tendo regressado há cerca de sete anos, António vê com bons olhos o conforto e a qualidade de vida inerente aos tempos modernos. “A aldeia está mais evoluída! No meu tempo, não tinha luz, não tinha água, nem saneamento. Estou a falar, mais ou menos, de 1966, desde que fui para a tropa, não tínhamos aqui nada”, recorda o, agora, reformado.
Apesar da população da aldeia ter caído 1/6 nos últimos 50 anos, há quem não deseje partir por nada deste mundo. ““Eu estou cá bem! E não saía daqui”, assegura Teresa Rodrigues, enquanto apanhava lenha, conforme disse, “ para me aquecer duas vezes. Tenho os pés que nem os sinto. Parece que quanto mais os chego ao lume pior é”.

Com o encerramento da escola há 10 anos, as crianças vão, agora, para Salsas ou para Bragança

Gaudência Monteiro começa por dizer que, em Moredo, “faz falta muita coisa”. “Antes havia gente a brincar nas ruas, os bailes estavam repletos... Agora, não há ninguém”, lamenta a proprietária da Cervejaria Central. “No Verão há mais vida, saúde.. Eu gosto é de ver gente em movimento! Gostei sempre, senão já tinha fechado isto”, afirma. Segundo a septuagenária, há duas coisas que fazem realmente falta na sua aldeia. A primeira, prende-se com a estrada de acesso a Bragança. “A estrada daqui para Bragança está muito abandonada, dois carros já não se cruzam. Está toda abandalhada”, aponta. A segunda, com o facto do autocarro só passar em Moredo uma vez por semana, excepto em dias de feira. “A carreira só vem a Moredo uma vez por semana, na terça-feira. E devia vir, ao menos, duas vezes por semana. Isso é que nós precisávamos! Se houver feira, em Bragança, aí já vem duas vezes”, indica. Uma necessidade primordial para quem o autocarro é o seu único meio de transporte.




19 de fevereiro de 2011

SEM TELEFONE

Durante um mês, várias aldeias do distrito de Bragança estiveram sem telefone entre as 18:15 e a manhã do dia seguinte

Freixeda, Rossas, Moredo, Salsas e outras tantas aldeias daquela zona, estiveram sem telefone ao longo de um mês. O problema afectou os habitantes com ligação à Portugal Telecom (PT) que não conseguiam receber chamadas. Apesar de existirem, também, casos, poucos, de pessoas que não conseguiam efectuar ligação. Um grave constrangimento, nomeadamente, para as aldeias, verificado a partir das 18 horas e que perdurava até à manhã seguinte.
“É muito chato porque as pessoas pagam por um serviço a que não têm direito. E também porque as pessoas são de idade, vivem isoladas e podem precisar de contactar os familiares ou serem contactados. É uma preocupação porque podem até precisar de ajuda”, referiu Filipe Caldas, presidente da Junta de Freguesia de Salsas (JFS).
A PT confirmou o problema na semana passada, mencionando que estaria a ser tratado pelos técnicos. No final da mesma semana, já estaria resolvido. No entanto, as pessoas terão de pagar a totalidade de um serviço do qual não usufruíram. “Há cerca de um mês que várias pessoas da aldeia não têm ligação da PT (Portugal Telecom). É a partir das 18,18:30, até ao outro dia de manhã. Não sei! Já liguei várias para a PT e disseram-me que iam resolver o problema, que era algo que tinha a ver com os fios”, afirmou o autarca, antes da situação ser resolvida.


Filipe Caldas fala, ainda, na questão do isolamento e em como pode ser pernicioso morar numa aldeia. “No meio rural, temos sempre o problema de sermos olhados como cidadãos de segunda. A cobertura das várias redes é muito fraca e há zonas em que não há sequer sinal. É um problema grave porque mesmo tendo telemóvel, as pessoas não têm sinal. Por isso mesmo é que pagam o fixo, por não terem cobertura de rede de telemóvel”, declarou.
Na freguesia de Salsas, mais concretamente nas proximidades da aldeia de Moredo, existe uma antena receptora da rede TMN. Mas, ao que o Jornal Nordeste apurou, o sinal é fraco ou quase inexistente. “É caricato! Como é que temos um posto receptor e nós não temos grande cobertura de rede”, garantiu, acrescentando, também, que os sinais da Optimus e da Vodafone são igualmente ténues. “Eu moro no cimo da aldeia e tenho que vir muitas vezes à rua para telefonar só para ter um bocado de sinal”, assegurou.

 

28 de janeiro de 2011

"UMA ALDEIA DE VERÃO"

Entre uma população envelhecida, todos cuidam uns dos outros e juntos tomam conta de S. Martín del Pedroso

“Aqui já restam poucas pessoas. Talvez, não chegue às trinta… A gente jovem saiu para trabalhar para o estrangeiro, em países como a França ou a Suíça. Isto é muito pobre e partiram daqui”, admite Edmundo Lombo Garcia, nos alto dos seus 57 anos, enquanto, no centro de uma aldeia solitária, guarda o seu rebanho. S. Martín del Pedroso descansa a 15 minutos das imediações de Bragança. É uma aldeia espanhola fronteiriça, logo após Quintanilha. No centro daquele que é considerado o elo de ligação mais importante entre o Nordeste Transmontano e a província de Zamora, situada em Castela e Leão.
Com, aproximadamente, duas dúzias de habitantes, os raros afazeres das suas gentes imprimem cor e movimento a uma terra de si demasiado tranquila. Um sentimento silencioso, uma presença monótona que, por vezes, se esbate com a passagem de um animal solto ou de uma sombra humana.
As serpenteantes águas do Maças banham aquelas paragens. Onde, outrora, imperava um rio respeitado, de caudal distinto, o campismo era permitido. O que atraía muitas pessoas a escolherem esta pequena localidade, situada a seis quilómetros de Trabazos, como destino turístico de referência. Sobretudo, as da região. “Antes, muitas pessoas venham para aqui fazer campismo. Agora, já não é permitido. Ficavam na zona do rio. É internacional! Vai para Portugal. Metade do rio em Espanha, metade em Portugal”, afirma, categórico, Edmundo.
Só por altura do Natal e do Verão, nos meses de Julho e Agosto, é que o pequeno povo zamorano, conhecido pela sua união e hospitalidade, consegue reunir uma quantidade considerável de pessoas, conta uma idosa da aldeia, Adelaide Fernandez. A imperdível Festa de S. Martín del Pedroso, com o mesmo nome da aldeia e do seu padroeiro, é a 11 de Novembro e traz gente oriunda de várias paragens. “Há missa, procissão com o Santo, orquestra, baile, e vem muita gente jovem das aldeias mais próximas. Inclusive, portugueses”, garante a octogenária.

A Festa de S. Martín é o cume revivalista do momento, o ponto mais alto do ano que traz de volta o movimento e o sabor de idos tempos

Para além destes momentos perdidos no tempo, este é mais um exemplo de uma fronteira que podia ter mais trânsito e constituir uma boa opção para aceder às regiões norte de Portugal, Espanha ou Europa. O IP-4 chega mesmo até Quintanilha e o projecto da Auto-Estrada Transmontana espera-se que venha a ser uma realidade já em 2011, embora com portagens nas circulares de Vila Real e Bragança. Pela parte espanhola, a auto-estrada A-11 chega até Zamora, mas não se sabe ainda quando se iniciarão as obras de Zamora até à fronteira.
Mas enquanto se aguarda pelo futuro, resta contemplar o passado desta aldeia pertencente à comarca de Aliste e que goza de uma tranquilidade inigualável. S. Martín possui o petróglifo mais importante daquela região pertencente à Idade do Bronze. O Castro del Pedroso é outra ponto de visita fundamental para quem queira conhecer um pouco de história. Trata-se de uma muralha em granito, dada a conhecer por Gómez – Moreno em 1927 no seu "Catalogo Monumental de Espanha". O recinto amuralhado ocuparia uma extensão de três hectares, mas, actualmente, encontra-se num estado de conservação muito deficiente. A uma altura máxima de 766 metros, no Castro sobressai a presença de una pequena cavidade onde se encontram gravadas um importante número de inscrições, esquecidas por quase todos.



9 de dezembro de 2010

PARTEM OS JOVENS... PERMANECEM OS "VELHOS"

Numa encosta protegida pelo sol, aguarda Vale da Pena as suas gentes que há muito “abandonaram” a aldeia

Intimidada pela presença alheia, Maria Fernandes esconde a cara da objectiva, com receio de que algum mal lhe possa advir da conversa contrariada com estranhos às suas memórias. Sem saber ler, não consegue verificar o logótipo na viatura do Jornal Nordeste (JN), e oculta-se sob as suas vestes negras. A picar abóboras para alimentar os suínos, esta senhora de 89 anos nasceu e criou-se para eleger Vale da Pena como última morada. Situada no concelho de Vimioso, numa encosta propícia à lavoura, a aldeia, que conta, actualmente, com cerca de 40 residentes fixos, é uma terra deveras dada ao azeite. A trabalhar no campo, bem no interior do povo, estava um grupo de seis pessoas que varejava os olivais.
Eva Pires, de 53 anos, interrompe a apanha da azeitona para reconhecer certas e determinadas carências de Vale da Pena. Nas suas palavras, a mais premente, talvez seja a necessidade de haver alguém que cuide dos idosos e zele pelo seu bem-estar. “Temos aqui muitas pessoas de idade e não têm ninguém que olhe por elas. Temos ali uma antiga escola que podia ser recuperada. Durante o dia, as pessoas podiam encontrar-se ali e estavam umas com as outras. Podia estar lá alguém responsável, que até fizesse algumas actividades com elas”, sugere. De acordo com Eva, mais que um lar, os idosos precisavam de um Centro de Dia, um ponto de encontro, de convívio. “Andam por aí sem nada para fazer, sem nada para passar o tempo. Só fazia falta uma pessoa que cuidasse delas”, sustenta.
Apesar do Lar Santa Eulália de Pinelo, localizado a seis quilómetros de Vale da Pena, prestar apoio domiciliário, não existem meios entre as duas comunidades que transportem os idosos consoante as suas necessidades. “Aqui estavam muito melhor, até porque os idosos gostam é de ficar nas suas aldeias”, assegura.


Aquilo que distingue Vale da Pena é, essencialmente, a sua situação geográfica. Ao declarar-se numa encosta, fá-lo em termos de clima, tornando-se mais vantajosa para os produtos hortícolas do que outras aldeias anexas. Um facto desvalorizado, já que poucos são aqueles que se dedicam à agricultura a tempo inteiro. “Se as pessoas que estão cá ainda fizessem alguma coisa com a terra, acho que sairiam bastante beneficiadas pelo facto de viverem numa encosta”, afirmava, quando, abruptamente, foi interrompida na conversa pela queda, demasiado próxima, de um ramo monumental. “Atenção!” gritou Eva, em tom de aviso.
A sua "colega de campo”, Glória Pires, nasceu em Vale da Pena, mas habita em Vimioso. Hoje, regressa para a apanha da azeitona e expõe ao JN o sentimento de tristeza que a invade sempre que regressa ao “deserto”. “Gostava de ver aqui mais pessoas porque quando venho cá sinto tristeza de ver a aldeia deserta, sem ninguém”, manifesta Glória, que trabalha no Lar em Pinelo como encarregada há 18 anos.


Ao longo das últimas décadas, a aldeia cuja padroeira é Nossa Senhora da Piedade, conquistou inúmeras condições, sobretudo, de habitabilidade, mas perdeu o mais importante, as pessoas que lhe davam ritmo e vida. Somente no Verão, consegue reconquistar parte desses tempos idos. “Modificaram-se as ruas, os esgotos, não havia telefone e, agora, há telefone, há luz, isso temos. Pronto, mas, mais do resto… Fizeram-se umas casas novas, mas estão desabitadas porque as pessoas estão para fora e só vêm de férias no mês de Agosto”, revelou Glória, referindo-se aos emigrantes e a outras pessoas da aldeia, que, ficando em Portugal, partiram em busca do sonho. Resumido, essencialmente, em melhores condições de vida. É o caso de Nuno Pires, que rumou em direcção ao calor dos trópicos. Hoje, é o orgulhoso chefe de um restaurante nas Ilhas Canárias. O jovem de 28 anos regressa às origens, normalmente, quando se encontra de férias e fá-lo por vários motivos: para abraçar a família, para ver os amigos, para matar saudades da terra lusa companheira de infância. “Fui embora pelas mesmas razões de toda a gente que parte. Falta de emprego, à procura de uma vida melhor e pela aventura, também”, confessa Nuno.


Enquanto que a maioria dos jovens decidiu por bem partir, houve outros, poucos, que tomaram a decisão contrária. Arnaldo Martins é o exemplo de alguém que optou por ficar, apesar das contrariedades inerentes à sua permanência. “Dinheiro não há, pessoas, somos muito poucas, arranjar trabalho é complicado”, expõe. Com 49 anos, Arnaldo é pintor de profissão e trabalha por conta própria nas redondezas de Vale da Pena. Apesar das dificuldades e da privação, Arnaldo não desanima. “Há muita coisa que faz falta! Postos de trabalho, principalmente, que aqui quase não há. Mas, no momento de crise em que nos encontramos, uma pessoa não pode exigir muito”, afirma, ciente do estado de declínio a que a economia portuguesa chegou. “Batemos fundo”, ironiza, enquanto ajuda os familiares a executar o primeiro passo no processo de obtenção do azeite. A apanha da azeitona.




20 de outubro de 2010

APAZIGUADA COM O TEMPO

Aldeia de Freixedelo com novo alento depois de construída estrada que a coloca de novo no mapa

“Dá jeito e muito grande jeito, não é? Em duas viagens, ganhamos uma”, afiança Ilídio Pires, sobre os cinco quilómetros de estrada feitos recentemente que fazem ligação directa a Freixedelo. “O rompimento foi feito há 10, 12 anos. Alcatroada foi há dois. Antes desta estrada nova tínhamos um caminho em terra batida. Agora, não precisamos de ir a Carocedo, fazer aquelas curvas”, continua o proprietário do único café da aldeia, a Cervejaria 2000 Freixedelo.
“Agora o que está mal é o Penacal. Precisávamos de um tapete novo, pelo menos, do nosso caminho a S. Pedro. Mas eu já não estou a pedir só para Freixedelo. O Penacal precisava todo de S. Pedro a Carocedo. Porque eu não sou daqueles que peço só para mim. Olho para toda a população”, remata o empresário, referindo-se às péssimas condições da estrada municipal de acesso a Bragança, a N217.
A 15 quilómetros de Bragança, Freixedelo é uma aldeia que não parou no tempo. Com saneamento básico, água, luz, novo acesso rodoviário e uma terra fértil, talvez por isso os seus habitantes sejam parcos nas ambições, mas não em acções.


“Aqui fazem-se muitas coisa! Temos umas festas religiosas lindas e uns santinhos muito bonitinhos”, sublinha Maria, uma habitante da aldeia, enquanto lava a sua "roupinha" à moda antiga. Com S. Vicente como padroeiro, a anexa de Grijó “faz a festa” em 4 ocasiões distintas: a Festa do S. António, a do Sagrado Coração de Jesus, a da Capela de S. Sebastião e a grande festa, a de S. Bartolomeu.
"Fazemos 3 ou 4 festas, mas a principal é a de S. Bartolomeu, a 24 de Agosto. Só a gente de cá que está fora enche a aldeia. Como é Verão, os emigrantes regressam todos. A população chega ao dobro”, garante Amador dos Santos Pires, agricultor, casado com a terra. “Esta é das aldeias que ainda tem muita gente. Tem cerca de 60, 70 habitantes”, acrescenta. De acordo com este pai de quatro filhos, “a morarem e a trabalharem em Bragança”: “a terra dá como dava antes. Só que o rendimento é menos”.

Habitantes de Freixedelo pedem um novo tapete para a N217, a estrada que dá acesso a Bragança

Ilídio concorda e vai mais longe. “A agricultura está um caos! Se formos a ver, as pessoas andam só para gastar o que têm. Dá mais prejuízo do que aumento. Semeava-se mais há 15 anos, do que se colhe hoje. Antigamente, enchiam-se os celeiros e pagavam-no a bom preço. Os adubos e o gasóleo era muito mais barato. A agricultura está toda a bater com o pé no fim”, preconiza o empresário.
Freixedelo pode guardar os seus segredos e as suas ambições, conter-se nas palavras, mas não tem forma de ocultar os seus monumentos. Para além da igreja e da capela, tem duas fontes e dois pelourinhos. Mas Celeste Rodrigues, “apanhada” com as sacas das vindimas nas mãos, destaca as uvas como o ex-libris da terra que a viu nascer. “Aqui há muito boas uvas! Bom vinho e bons bebedores. Também há muito azeite, muito trigo e muito centeio”, assevera. “Estou aqui a estender estas sacas das uvas, que é para as enxugar, para as arrecadar para a próxima vindima”, conclui. (foto inferior)

Amador dos Santos Pires a semear centeio nas suas terras

 

1 de outubro de 2010

"O NOSSO PADRE É UM ESPECTÁCULO!"

Apesar dos recentes investimentos, Cedães mantêm-se, ainda, separada de duas anexas por 22 quilómetros

Estamos a 4 ou 5 quilómetros de Vale de Lobo e Vila Verdinho, que são anexas de Cedães e temos de andar, por baixo, cerca de 40 quilómetros. Vinte para ir e outros 20 para regressar. Falta-nos uma estrada que faça a ligação”, defende o presidente da Junta de Freguesia de Cedães, João Fernandes. Uma situação que considera de extrema importância resolver. Mas muito tem sido feito nos últimos dez anos nesta freguesia de Mirandela.
Desde que está aos comandos da freguesia, há 9 anos, o presidente afirma que os melhoramentos na aldeia têm sido substanciais. “Calcetamentos, saneamentos, uma Estação de Tratamento de Águas Residuais que fizeram recentemente, recolha de lixo, tudo da responsabilidade da Câmara Municipal”, advoga, e com a qual mantém uma relação “das melhores”.
Para além de todo esse investimento, a autarquia mirandelense disponibilizou, ainda, verbas para o restauro do telhado da igreja e patrocinou a construção do poli-desportivo, em 2007. Mas a igreja foi, também, renovada nos seus interiores. Trabalho iniciado em 2008 e que coube à Fabriqueira da Paróquia de Santo Ildefonso, por iniciativa do padre Abel Maia. “O nosso padre é um espectáculo!Foi ele quem fez mexer tudo. As obras de restauro na igreja só começaram quando o padre chegou à aldeia, a 21 de Setembro de 2008”, revela Arminda Fernandes, esposa do presidente da junta e tesoureira da Fabriqueira. “A remodelação foi por dentro e por fora. O telhado foi patrocinado pela Câmara e todo o interior foi o povo que ajudou, através da fabriqueira, num investimento total de 90 mil euros”, acrescentou.
“Agora, através do padre, iniciaram-se as oficinas de oração e pouco mais se tem feito, que o senhor padre tem mais seis paróquias”, afirma a responsável pelas contas da Fabriqueira.
Há dois anos que Cedães não conhece a famosa festa popular que, todos os Verões, costuma animar as aldeias de norte a sul de Portugal. “Fez-se uma festa, mas foi religiosa e por iniciativa do padre Abel Maia”, proclama Arminda.

Uma capela mortuária e um centro de dia são aspirações de uma aldeia com óptimas relações com a autarquia mirandelense

A proprietária do café e mercearia no centro da aldeia, Alzira Mesquita, aponta a falta de jovens como o principal problema. “Há pouca gente jovem e, depois, sabe como é? As festas dão trabalho e é preciso ter muita iniciativa. Nem toda a gente está disponível. Tudo tem que sair, a governar a vida”, diz de sua justiça. E esta comerciante sabe do que fala, pois tem 3 filhos, dois emigrados na Suíça e uma rapariga em Lisboa.
Este ano, não havendo festa, um emigrante contratou um conjunto para actuar na aldeia e proporcionou, assim, alguns momentos de convívio aos seus habitantes. “Não sei quantas pessoas estejam, mas, casas habitadas, agora, aqui, há uma média de 93. Fora os emigrantes...”, contabiliza Arminda.
Com cerca de 200 habitantes, sobretudo, uma população envelhecida, o presidente da junta gostaria de ver na aldeia um centro de dia. “Eu gostava, mas falei com presidente da Santa Casa da Misericórdia, João Araújo, e ele disse que era impossível. Dado que Cedães está muito próxima de Mirandela, oito quilómetros não justificam! Eu até concordo!”, assegura João Fernandes. Outra situação é a Capela mortuária. “Foi prometida nas últimas eleições por José Silvano, mas, actualmente, a Câmara não tem disponibilidade financeira”, afirma, na esperança de poder vê-la, ainda, em vida.




25 de setembro de 2010

MÚSICA A BOMBAR

 
Desfile e actuações de doze Grupos Culturais em Ala proporcionaram cor, música e movimento à aldeia nortenha dos bombos

No passado dia 12 de Setembro, a aldeia de Ala foi palco do Encontro de Grupos Culturais de Macedo de Cavaleiros. Organizado pela Associação Cultural, Recreativa e Desportiva de Ala, pelo terceiro ano consecutivo, com o apoio da Junta de Freguesia local e da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, este encontro conseguiu reunir 12 grupos culturais. Destes, seis são do concelho: Grupo de Bombos de Ala, Banda de Latos de Bagueixe, Fanfarra de Vale da Porca, Rancho da Casa do Povo de Macedo de Cavaleiros, Grupo Toca a Bombar e a AJAM. Aos grupos concelhios juntaram-se seis grupos convidados: Grupos de Bombos Família Peixoto (Vizela), Sta. Maria de Gémeos (Guimarães), São Salvador de Meixomil, S. Mamede de Seroa, “Botabaixo” (Vilarinho dos Freires – Régua) e o Grupo Zés Pereiras (Gandra – Paredes).
Com o objectivo de promover um intercâmbio de experiências, tradições e culturas, o convívio iniciou-se às 14h com um desfile pela localidade, seguido pelas actuações, no centro do povo, dos doze animados grupos presentes.
“Isto, a princípio, foi para comemorar o aniversário do Grupo, depois, começou-se a pensar reunir aqui os grupos do concelho. E, também, como nós, este ano, fomos convidados a ir a outros encontros, então, nessa altura, esses mesmos grupos quiseram vir conhecer Ala. A ideia fundamental é para os grupos do concelho e retribuir, claro, o convite dos grupos de fora”, afirmou João Luís Salsas, presidente, há um ano, da Associação Cultural, Recreativa e Desportiva de Ala. Associação que engloba, desde há 5 anos, o Grupo de Bombos.


Também o presidente da Junta de Freguesia de Ala, Luís Romieiro Rodrigues, se mostrou bastante satisfeito por todo o decorrer da iniciativa. “É sempre um dia diferente, que projecta o nome de Ala noutros lados. Felizmente, nós temos na freguesia três associações, e todas elas funcionam. E cabe-nos a nós participar, ajudá-los naquilo que podemos, não sendo muito, mas eles sabem que, do lado da junta, têm sempre o apoio necessário, logístico e algum dinheiro quando podemos; e temos criado sinergias engraçadas que, no fim, dão nisto”, declarou o autarca.
O apoio da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, também, se reflectiu na logística e em algum financiamento. “O nosso apoio é logístico, em termos de recursos humanos e através da disponibilização de transporte, e financeiro. Em troca, os Grupos vão-nos concedendo algumas actuações pelo concelho”, referiu a vereadora da cultura, Sílvia Garcia.
Um encontro que se tem revelado uma aposta ganha a cada ano que passa e que, de acordo com os seus principais intervenientes, será para continuar.




João Luís Salsas (ACRD Ala), Sílvia Garcia (CMMC) e Luís Romieiro Rodrigues (JF Ala)