31 de agosto de 2009

EROTISMO COM BATIDA

Oriundas da Mãe Rússia, mais concretamente de S. Petersburgo, Olga e Maria compõem as UnrealBabes, actualmente, uma das duplas femininas de Djing mais requisitadas pelos clubes, esgotando a lotação a muitos por onde passam.


O Mercado Klub, a 11 de Abril, foi regra e não excepção, onde a dupla impressionou os mais sensíveis com as suas formas numa actuação sensual e provocadora, mostrando, ao contrário daquilo que é habitual, alguma sobriedade e calma aparente, focando a sua atenção mais na música do que no corpo. Se bem que são esses dois elementos conjugados que as definem como artistas. Em entrevista ao jornal Nordeste, Olga confessou num inglês rústico que, apesar do seu gosto pender para um tipo de música mais tribal, caracterizaram um set house marcadamente mais comercial, devendo-se esse facto, explica, à falta de conhecimento dos gostos musicais dos transmontanos em geral e dos brigantinos em particular, já que, apesar de terem estado em Vila Real, no clube Andrómeda, esta foi a sua primeira aparição em Bragança.



Olga e Maria, demonstraram ao público presente que adoram exibir-se e interagir com as audiências, misturando cumplicidade e energia erótica explícitas. O seu primeiro single, ”Unreal Love”, lançado no Rei Unido pela Jeepers label, foi um êxito enorme e elas encontram-se já na expectativa de lançar um segundo, produzido na Rússia por Antoine Newmark, e cujo titulo será “Give Me Satisfaction”. Olga, que se encontra neste projecto desde o seu início, revela-se como sendo uma mulher criativa e com metas bem definidas, assumindo ao Nordeste, em primeira-mão, o seu novo projecto para Portugal intitulado “House Girls”, onde fará dupla com um dj conhecido da dance scene.
As UnrealBabes trabalham também a nível de produção e contam já com bastantes actuações no nosso país, tendo visitado clubes no Minho, Douro Litoral e Algarve, afirmando que Portugal é “uma segunda Rússia”, elogiando o nosso país, cada cidade, a cultura distinta e a forma como são sempre bem recebidas.

12 de agosto de 2009

ASFALTO E MUITO PNEU QUEIMADO

Mais 255 inscritos do que no ano passado, um passeio nocturno a fazer lembrar os velhos tempos e um acidente na pista do recinto marcaram a XIX Concentração Motard de Bragança A XIX Concentração Internacional de Bragança, trouxe à cidade centenas de motards e milhares de fãs das duas rodas, ansiosos por diversão, free-style e muita confraternização.Durante a tarde e a noite de sexta, constatava-se a chegada de bastantes motards, mas foi sábado à noite, no passeio nocturno, que a cidade se viu iluminada por mares de duas rodas naquilo que foi uma verdadeira enchente. Um desfile repleto de cor, movimento, barulho e onde não faltaram os “rateres”, com motas de todos os géneros e feitios. A assistência não faltou ao convite e abeirou-se do percurso cumprimentando os motards que compunham um quilómetro de pelotão. O trajecto iniciou-se no recinto, junto ao pavilhão municipal, deslocando-se depois pela Sá Carneiro até à Rotunda das Cantarias, passando pela Praça da Sé, onde uma multidão os aguardava, assim como na Avenida João da Cruz, depois foi a vez da Rotunda dos Touros, e o regresso ao recinto, passando pelo mercado municipal e estreando a recém-inaugurada Avenida Bragança Paulista.

No primeiro dia da concentração, sexta-feira, o show de stunt-riding com Ronaldo Stunt Team animou as hostes, seguiu-se o concerto protagonizado pelo grupo musical “Midnes” e, para encerrar, o show de streap-tease masculino e feminino, já que, para a rave party, poucos foram os resistentes.


No sábado, o dia principal da concentração, houve divertimento e acção, desde a lavagem de motas pelo Team Feminino, ao touro mecânico, à III Prova de Arranques de motorizadas “Fabrico Nacional” e Mini-Hondas. O free-style aqueceu a pista durante a tarde mas foi à noite que os seus protagonistas brilharam no espectáculo principal, novamente com Ronaldo Stunt Team, Bruno Carioca, Cabeça Stunt e Ricardo Domingos, mais conhecido como “Arrepiado”. A noite de sábado foi muito semelhante à anterior, tirando o passeio nocturno, considerado o ponto mais alto do evento, seguiram-se dois concertos com actuações da Banda Nordeste e dos Psycho Blues. O público presente assistiu aos concertos, o strip-tease aqueceu os ânimos mas não o suficiente para conseguir manter as pessoas no recinto para a festa que era suposto seguir-lhe. Um acidente na pista do recintoFrancisco Vara, presidente do MotoCruzeiro, afirma que “apesar de termos de lutar contra tudo e contra todos, continua a valer a pena levar a cabo esta concentração”. Questionado sobre se o balanço foi positivo, o responsável pela organização do evento garante que sim, “tivemos 1520 motards inscritos e mais de 6.000 pessoas, sábado à noite, no recinto”. O ano passado, a concentração contou com 1265 inscrições, o que dá um saldo positivo de 255 participantes.


Na madrugada de sábado para Domingo, contabilizou-se um acidente com um motard na pista do recinto, que na tentativa de realizar algumas acrobacias acabou por cair fracturando uma perna. A este respeito, Francisco Vara, diz o seguinte, “depois de terminar todo o programa de freestyle, há sempre aqueles indivíduos que já bebidos se atrevem na pista e foi o caso, a organização ainda tentou impedi-lo mas não foi bem sucedida, a manobra foi mal calculada, ele caiu e partiu um pé, nada de muito grave, felizmente”, conclui.


Entre os motards, marcaram presença pessoas de todo o país e alguns espanhóis, mas a opinião daqueles que trabalhavam nas barracas é que os lucros não atingiram os níveis esperados. Para terminar esta edição, no Domingo e como já é habitual, o almoço de despedida para os resistentes do fim-de-semana, seguido da entrega de prémios.É de salientar ainda que a nova sede do Clube MotoCruzeiro, localizada na Rotunda da Adega, será inaugurada no dia 15 de Agosto, cinco anos após ser celebrado com a Câmara Municipal um acordo para a sua construção.

PINTOR DE BOCA

Desde gaiato com queda para Educação Visual, foi após um trágico acidente que António Afonso descobriu na arte uma autêntica terapia

No ano em que D. Ximenes Belo e Ramos Horta foram laureados com o Prémio Nobel da Paz, António Manuel da Rocha Afonso voluntariou-se para auxiliar um amigo num campo perto da aldeia de Grandais. Nesse ano de 1996, quando se preparava para entrar na casa dos trinta, Tó Afonso, como é mais conhecido, protagonizou um trágico acidente enquanto manuseava uma máquina agrícola com a qual ceifava feno para os animais. De casamento marcado, a sua noiva partiu mas o seu coração em gelo não fora transformado.
A sua nova condição, de tetraplégico, limitara-lhe o corpo a uma cadeira de rodas, mas nunca seria capaz de vergar a força da sua alma. “A princípio não foi fácil mas penso que será assim com todos, uns dias melhor, outros nem por isso”, confessa conformado, agora com 42 anos, um homem que luta de forma singular, todos os dias, contra as mais diversas contrariedades da vida.
Para conseguir contornar esses momentos e ser bem sucedido, o entrevistado desenvolveu um gosto, apreendeu técnicas, interiorizou uma arte que para ele é basilar, “é o meu passatempo, pintar é a minha terapia principal”. Incentivado após o acidente pela Associação Sócio Cultural dos Deficientes de Trás-os-Montes (ASCUDT), é peremptório em afirmar, “pintarei sempre, enquanto puder”. E pinta com a boca, já que, sendo tetraplégico, não consegue mover braços nem pernas. São variadíssimos os géneros que Tó Afonso pincela no seu quarto, quase que tomado de assalto por tantos quadros, desde naturezas-mortas, em que representa seres inanimados; retratos, onde faz a representação artística de pessoas; pintura género, que compreende um estilo sóbrio, realista, comprometido com a descrição de cenas rotineiras, temas da vida diária como homens dedicados ao seu ofício. Além destes géneros, tem uma predilecção por abstractos e paisagens, sobretudo, naturais, apesar de pintar também monumentos e outras construídas pelo homem.
Actualmente, com cerca de 40 quadros, Tó Afonso refere que já vendeu alguns exemplares, se bem que não é essa a sua prioridade. “Pintar faz-me sentir bem e é importante para mim dar-me a conhecer como artista e não como um inválido numa cadeira de rodas”. Aliás, essa é a impressão de quem entra no seu quarto, a percepção de um pintor que, sem espaço, involuntariamente exibe o seu trabalho. As paredes estão repletas, há quadros no chão e em cima da cama, o próprio cavalete sustenta uma pintura desvirtuada por ainda não estar terminada e que aguarda ansiosamente os lábios que lhe possam dar um final feliz.

Exemplo de vida na alma de um artista

“Há sempre algo que possamos fazer na vida e que nos dê prazer. Temos é de encontrar esse dom, essa inclinação natural e para que isso aconteça é preciso procurar”, revela o entrevistado. Esse é o seu propósito, levar as pessoas a acreditarem em si próprias, “se eu, tetraplégico, consigo pintar, não há motivos para que outra pessoa não consiga fazer aquilo a que se propõe”, sustenta convicto Tó Afonso.
Hóspede na Santa Casa da Misericórdia em Bragança há cerca de seis anos e com um “modus vivendi” inteiramente apreendido, o artista descreve-nos a sua rotina, “acordo ao início da manhã, entre as 6 e as 8 horas, além da pintura, à tarde vou espairecer um bocado, conviver com os amigos, à noite vejo televisão, oiço música e leio sempre que possível, pois para ler preciso de alguém que me agarre o livro e vire as páginas por mim”.

O passado, ele recorda com um misto de saudade e nostalgia, afirmando que hoje, como outrora, valoriza intrinsecamente o convívio e a amizade. Apreciador de uma boa conversa, o seu raciocínio é apurado, próprio de um artista e pessoa sofrida. É de admirar a sua força de vontade, o espírito que o ergue e o põe mais alto, num patamar de exemplo de vida.
Uma exposição de Tó Afonso está patente, até 31 de Agosto, na praça do Mercado Municipal, onde será possível encontrar grande parte da sua obra e até, quem sabe, possa, de forma benevolente, adquirir um dos seus muitos quadros.