23 de setembro de 2009

"PUEBLA EN FIESTA"

A Comparsa de Gigantes e Cabeçudos, pirotecnia e música eclética, touros que emanam fogo, mais as festividades religiosas, foram somente alguns dos atractivos das Fiestas de las Victorias
A Puebla da Sanabria comemorou, entre 5 e 9 de Setembro, mais uma edição das Fiestas de las Victorias, celebradas e aplaudidas por centenas de pessoas que as consideraram um “verdadeiro sucesso”.
Em entrevista ao Jornal Nordeste, Pedro Castronuño, Conselheiro da Cultura e um dos responsáveis máximos pela organização de tamanho evento, menciona que receberam “um dos melhores desfiles de Gigantes e Cabeçudos dos últimos anos”, mostrando-se muito satisfeito pela forma como decorreram as festividades, “esta deixou de ser apenas uma festa da Comarca de Sanabria para se converter numa em que participa gente de toda a província, gente que vem de outras comunidades autónomas e muitos vizinhos portugueses, devotos da Virgem das Victorias.”
A Comparsa de Gigantes e Cabeçudos é um dos maiores atractivos das vitoriadas festas, o desfile, encabeçado pelo “Negro” e a “China”, entusiasmou todos os presentes que contemplaram uns gigantes que dançam pelas ruas da vila há 161 anos nas populares festas sanabresas. Seguiram-se os gigantes, o “Rey” e a “Reina”, o “Sanabrés” e a “Sanabresa”, o “Zapatero” e a “Zapatera”, e por fim, o “Conde” e a “Condesa”.
A combinação efectiva na Puebla da Sanabria, consiste na tradição de um forte sentido religioso com um tema mais pagão, onde entram os gigantes e os cabeçudos e o fogo como substância mor do espectáculo. Desta feita, um dos momentos mais aguardados foi a actuação da Companhia de Teatro “Scura Splats”, que pelas ruas da vila presentearam residentes e visitantes com o seu show, “Factum Flama”. É de salientar também que, os mais pequenos não foram esquecidos e participaram nas tradições festivas com lides de touros de fogo infantil. “Este ano, pensávamos ter menos gente, por coincidir apenas sábado com um dia de festa e os restantes serem durante a semana, mas a verdade é que, em todas as actividades, a participação das pessoas tem sido bastante positiva, daí estarmos contentes pela forma como tudo tem corrido, sem problemas”, sustenta Pedro Castronuño, que salienta, “a climatologia desempenhou o seu papel, esteve bom tempo e as noites quentes”.
Os dias de festa oficial e tradicional na Puebla da Sanabria são 7, 8 e 9, “sempre”, faz questão de frisar o conselheiro da cultura, “se não coincidirem com sábado ou domingo, adiantam-se ou atrasam-se para apanhar o fim-de-semana”, explica.
As vítimas de Ribadelago não foram esquecidas, 50 anos após a tragédia e em sua homenagem, projectou-se o documentário “Carta de Sanabria”, rodado no Outono de 1955 e que mostra imagens do modo de vida e tradições da Sanabria, bem como a construção da barragem de Veja de Tera.


Após meio século, a tragédia de Ribadelago

Inaugurada em 1956 por Franco, a barragem de Vega de Terá conheceu uma curta existência de apenas três anos. Em 1959, chuvas fortíssimas e temperaturas extremas, que atingiram os 18 graus negativos, abateram-se sobre a Serra de Pena Trevinca. Estes dois factores, aliados à muita água acumulada na albufeira da barragem, rasgaram uma brecha de 70 metros de comprimento e 30 de altura, permitindo que 8 mil milhões de litros de água se abatessem sobre o desfiladeiro do rio Tera.
Em 20 minutos, a torrente de água, lama, pedras e árvores arrancadas pelo caminho, percorreu 8 quilómetros e chegou a atingir os 9 metros de altura. No seu percurso, a aldeia de Ribadelago fora apanhada completamente desprevenida, resultando este trágico acontecimento na morte de 144 dos seus habitantes. Somente 28 corpos foram resgatados, os restantes desapareceram para sempre no fundo do lago.

8 de setembro de 2009

MURÇA COM REAL 4X4 AVENTURA

Atitude nobre de piloto inglês que, em segundo lugar, auxiliou Gerardo Sampaio, abdicando da vitória por desportivismo e permitindo que o piloto vimaranense se sagrasse vencedor

Numa terra de inconfundível substância paisagística e que reúne condições singulares para a prática de todo o terreno, a Vila de Murça recebeu, de 1 a 6 de Setembro, pelo sétimo ano consecutivo, mais uma edição do prestigiante “Extreme Murça 2009”, realizado num cenário agreste de rara beleza natural.
Numa das provas de sábado, último dia da competição, Gerardo Sampaio e o seu co-piloto, que iam em primeiro lugar, tiveram um infortúnio e o seu Nissan ficou imobilizado. Valeu Jim Marsden que parou para prestar auxílio, emprestando a sua máquina de soldar, enquanto que o seu co-piloto,Mark Birch soldou o eixo. Este acto nobre de desportivismo permitiu a Gerardo sagrar-se campeão, enquanto que o inglês num Land Rover ficou com o segundo lugar, caso não tivesse parado, a equipa inglesa, seria vencedora. O terceiro lugar foi também para uma equipa portuguesa, Vasco Silva e Monteiro, ao volante de um Freelander.
Murça almejou estatuto, merecidamente, tornando-se num bastião do 4X4, onde 27 das 30 equipas permitidas, constituídas por dois elementos cada, oriundas de sete países, entre eles, Espanha, Portugal, Inglaterra, França, Alemanha e arquipélago das Canárias, vieram preparadas para a árdua tarefa de conquistarem um lugar no pódio, numa das provas mais duras, bem organizadas e competitivas de Trial 4x4, aventura em todo-o-terreno.Com uma extensão a rondar os 200 quilómetros, o trajecto era composto, em grande medida, por percursos de difícil transposição, tido os concorrentes apenas a noite quinta-feira (dia 3) para um merecido, mas encurtado descanso. Isto porque, as sete super-especiais (SS) que tiveram lugar nesse dia na Ribeira d´Aila, entre Monfebres e ponte do Franco, demoraram mais que o previsto, prolongando-se por uma noite já cerrada.
A destacar neste final de tarde, a SS17, que teve sob a ponte da aldeia de Varges um cenário pejado de assistência e com uma polémica à mistura, dado que, muitos dos pilotos, exceptuando os primeiros, contornaram parte do percurso (ou uma “porta”, termo técnico), pela dificuldade que lhe era inerente e porque mesmo ultrapassando-o, as probabilidades de se cometerem penalizações traduzidas em pontos ou danificar elementos vitais da viatura, eram tão elevadas que “não compensava o esforço”, diziam uns, ou então “é uma questão matemática”, diziam outros. No entanto, Gerardo Sampaio, de Guimarães, o primeiro a arrancar nesta SS17, mostrou o verdadeiro espírito de aventura superando o obstáculo de forma guerreira, levando o motor do seu 222 ao extremo e desafiando a força da gravidade.
Comparável ao mítico Camel Trophy, a região de Murça tem nos seus percursos características tão peculiares, tecnicistas e amazónicas, que estes são elogiados, desde a sua primeira edição em 2003, pois testam ao limite todas as capacidades humanas e mecânicas dos seus intervenientes. Este ano, devido ao seu alto nível competitivo, a RAINFOREST MURÇA foi unânimamente considerada, quer por jornalistas, quer por pilotos estrangeiros, como a melhor prova do género realizada em solo europeu. Outra das características peculiares desta prova, que certamente dificultou a tarefa a todas as equipas, foi o facto de ser proibido assistência externa. Assim, em forma de prevenção, os participantes jogaram pelo seguro, levando na viatura todo o material que opinassem ser mais susceptível de contribuir para reparar potenciais avarias, realizadas obrigatoriamente pelas equipas no terreno.
As duas primeiras refeições eram tipo “ração de combate” e só no final de cada dia de provas, é que os participantes usufruíam de uma regeneradora refeição quente, todas fornecidas diariamente pela organização e servidas no acampamento. O descanso, também em acampamento, serviu, acima de tudo, para saudar o convívio e consequente estreitamento de laços entre todos, numa verdadeira prova selvagem, onde interessou, acima de tudo, o contacto com a natureza, a amizade e a paixão pelo todo-o-terreno.
No último dia, sábado à noite, das 23h as 3 da madrugada de Domingo, mais de 4000 pessoas assistiram à última super-especial que teve lugar nas portas da cidade

Organização sem reparos
A responsabilidade a nível organizativo, girou em torno de 3 pessoas: Alvaro Aznar, dirigente máximo da SinLimite Off Road, empresa encarregue de todos os pormenores organizativos; José Rodrigues, responsável por todo o perfil e dinâmica da prova, um trabalho de vários meses que incluiu road book para equipas, concorrentes, jornalistas e público; e, por último, Agostinho Pacheco, um colaborador de Guimarães e aficcionado do TT, que desempenha um papel deveras importante, sobretudo, no decorrer da prova, já que é ele que trata da relação com os concorrentes, servindo de tradutor, pois domina várias linguas. Uma organização que garantiu o sucesso de mais uma RainForest Murça e que, para isso, em seis dias, pouco ou nada dormiu. “Um esforço bem recompensado”, sublinha José Rodrigues, isto porque Murça recebeu por intermédio de quem os visitou, uma quantia na ordem dos 150.000€, investidos em comércio, restauração, produtos regionais, hotelaria e combustiveis, entre outros.

1 de setembro de 2009

AO MELHOR TEMPO

Luís Delgado, António Borges e Jaime Pires, conseguiram os três primeiros lugares da geral na Prova de Perícia – Cidade de Bragança
No dia 29 de Agosto, sábado, o Nordeste Automóvel Clube e a Câmara Municipal de Bragança imprimiram, neste ano de 2009, mais uma prova de perícia, que teve início, desta feita, por volta das 22h00, na habitual Avenida Sá Carneiro.
Numa noite de temperatura amena, propícia à prática do desporto automóvel, e com uma massa humana apetecível, os brigantinos apoiaram em força os 17 pilotos participantes no decorrer de todo o trajecto da prova, que foi dividida em três divisões. A Divisão I, para automóveis de tracção à frente (incluindo transformados), a Divisão II, para carros de tracção traseira (onde se incluem também os transformados), e por último, a Divisão III, para automóveis sem alterações de origem. Em disputa, estiveram 1500 euros distribuídos pelas três divisões ou categorias, sendo que em primeiro lugar ficou Luís Delgado, que ganhou a Geral e também a Divisão II, com o melhor tempo, 45.92 segundos, depois seguiram-se António Borges e Jaime Pires com um tempo de 46.87 e 47.38, respectivamente. Quanto à Divisão I, Jorge Almeida não deixou os seus créditos por mãos alheias e veio mais uma vez a Bragança para lutar pela vitória. Seguiram-se nesta Divisão Fernando Dias e Armando Edra. Já na Divisão III, Paulo Borges não teve oposição, tal a diferença registada no cronómetro, para os segundo e terceiro classificados, Joaquim Rodrigues e Carlos Balsa. No final da Prova de Perícia, procedeu-se à entrega de prémios no bar Lagoa Azul, onde foi visível o contentamento de pilotos e Organização. O Nordeste Automóvel Clube, no encerramento de mais um evento de desporto motorizado, aproveita para agradecer a todos os participantes, patrocinadores e Bombeiros Voluntários de Bragança, prometendo mais provas para o próximo ano e comprometendo-se a avançar, em 2010, com uma Prova Especial na Zona da Quinta da Braguinha, cujos moldes serão como habitualmente anunciados com o Calendário de Actividades do próximo ano.