7 de outubro de 2009

MÚSICA EM "BANDAS DE GARAGEM"

The Band, Nível 6, Black Hope e Eskuadrão Furtivo, entre outros, actuaram sábado em nome de um bem comum, a música


Em pós-celebração do Dia Mundial da Música, a Junta de Freguesia da Sé (JFS) exibiu, dia 3 de Outubro, as várias bandas de garagem brigantinas no Teatro Municipal de Bragança. Com cerca de uma dezena de grupos, a presentearem um quinto de sala, Paulo Xavier afirma, “há 10 anos anos atrás, quando começámos as verbenas, só tínhamos 2 bandas de garagem, agora estamos com 18, infelizmente, no dia de hoje, por vários motivos, irão tocar apenas dez”.
O mais importante, realça o presidente, “é o apoio incondicional prestado aos jovens músicos da nossa terra, conferindo-lhes a oportunidade de se mostrarem em diferentes contextos, como o dia da música, as verbenas e festas de escola”, salienta o presidente, acrescentando, “eu tenho um filho com 10 anos, pianista, e já me diz que quer tocar neste dia da música, esse entusiasmo é que tem de partir dos jovens”. Se assim for, “esta iniciativa será para perdurar”, refere Paulo Xavier, “se for esse o anseio dos músicos e houver bandas suficientes que demonstrem essa vontade de tocar”.
O espectáculo, com uma duração aproximada de duas horas, permitiu a cada banda interpretar dois temas, já que, cada uma, dispunha apenas de 10, 15 minutos, para mostrar o seu valor.


Também no final dos concertos, Victor Gomes, professor de música e, ele próprio, um conceituado artista, foi homenageado pela vasta contribuição que tem prestado, não só à música, como também ao desenvolvimento de jovens por todo o Nordeste Transmontano.

Eskuadrão Furtivo, os representantes do hip-hop brigantino

Constituído por dois elementos, Luís Gonçalves, 21 anos, aka B-Fatz, e Jorge Rodrigues, de 24, aka MK, o Eskuadrão Furtivo começou em 2004, numa altura em que o B-Fatz era o puto XL, e havia mais dois elementos no grupo, o Sniper e o Raro, além do mc MK. Depois, foram saindo e entrando outros elementos mas a base manteve-se até hoje com os mesmos dois protagonistas.
Foi colocado por MK, um álbum à venda na Fnac, onde participa Fuse, dos Dilema, um senhor do hip-hop tuga, e que já esgotou, lançado por uma editora e cujo título é “Capítulo Obsceno”. Composto por 14 temas, um dos mais conhecidos entre as hostes brigantinas é “Cidade do Pecado”, featuring Raro e produzido por Pipe, que podem conferir no Youtube.


MK, que produz os instrumentais num programa informático de nome Reason, planeia lançar uma mixtape em Janeiro, que se intitulará “Identidade”. Também B-Fatz planeia fazê-lo mais tarde, “talvez” para Março ou Abril. Isto porque, ambos têm algo a dizer. O trabalho conjunto dos dois elementos que compôem o Eskuadrão Furtivo estará nas lojas, em princípio, no final do próximo ano.
Quanto ao hip-hop, em Bragança, tem evoluído muito, refere B-Fatz, “no início, existíamos nós e os concertos tinham 5 ou 6 pessoas, hoje em dia, fazemos actuações com a casa cheia”, acrescentando, “isto deve-se em parte ao MK, pois foi o único, nesta cidade, a lançar um álbum através de uma editora que esteve à venda na Fnac”, concluindo, actualmente, “temos mc´s, produtores, pessoal a dançar, beatbox e há mais bandas, o que é sempre um passo em frente”.

24 de setembro de 2009

SEDE DE VITÓRIA

A comitiva de José Sócrates veio ontem a Trás-os-Montes, a 4 dias das eleições, passando por Macedo de Cavaleiros, Bragança, Vila Real e Chaves.


Num discurso que antecedeu o almoço no restaurante Geadas, o secretário-geral do Partido Socialista e candidato a primeiro-ministro, defendeu que, “a auto-estrada é uma questão de justiça para com o distrito de Bragança e Trás-os-Montes”, sublinhando a importância de investir para responder à crise, “criando mais emprego e oportunidades para as empresas”.
“O maior investimento público que alguma vez se fez em Trás-os-Montes foi feito exactamente agora, é neste preciso momento que estamos a fazer a auto-estrada, o IC5, o IP2, a construir o maior número de barragens que há muito tempo esperavam por ser feitas”, encaixilhou José Sócrates no comício brigantino.
Já Edite Estrela, cujo discurso inflamado antecedeu o do actual primeiro-ministro, referiu-se a Manuela Ferreira Leite, relembrando aos presentes a altura em que esta era ministra da educação, “uma ministra de má memória, tratou mal alunos e professores. Nesse tempo é que havia asfixia democrática! Hipotecou o futuro dos portugueses quando com malabarismos, vendeu ao CitiBank os títulos da dívida da segurança social. Que nós estamos a pagar agora!”.

A socialista aproveitou ainda para acentuar diferenças e canalizar opções, “temos de escolher bem, escolher soluções e não problemas, escolher quem tem contribuído para desenvolver o país e aumentar as exportações, para captar investimento estrangeiro e para o incremento do investimento público e privado, ou vamos escolher quem afirma travar esse mesmo investimento e cessar os projectos, recuando assim no tempo”.
Edite Estrela mencionou também a auto-estrada, à semelhança de José Sócrates, citando Miguel Torga, “a vida não é tanto de colher mas de semear e nós semeámos muito no nordeste transmontano, serve de exemplo o paradigma da auto-estrada, já em construção”, e concluindo com um apelo, “não se esqueçam que foi este governo que retirou Trás-os-Montes do esquecimento a que tinha sido votado”.


"CRIAR UMA NOVA CENTRALIDADE"

Criação de um complexo desportivo, livros escolares gratuitos e revitalização do centro urbano são algumas das premissas da campanha de Jorge Gomes

Situada na Avenida Sá Carneiro, mais concretamente, no Edifício Translande, foi inaugurada quinta-feira, ao final da tarde, a sede de campanha da candidatura do PS às autárquicas de Bragança, cujo lema é “Jorge Gomes, consigo”.
O candidato contou com a presença do “amigo de muitos anos”, o deputado e seu “camarada”, Mota Andrade, que iniciou as hostes preparando terreno para o cabeça de lista pelo partido socialista.
O seu programa eleitoral contempla propostas como a criação de um complexo desportivo, livros escolares gratuitos no ensino básico, revitalização do centro urbano com a passagem de alguns serviços camarários, assim como a Loja do Cidadão, para o centro da cidade, gestão eficiente dos recursos hídricos, saneamento básico extensível a todas as aldeias, captação de investimento para criação de emprego, pagamento a fornecedores no prazo máximo de 60 dias e a habitação social, “que não existe em Bragança há mais de 30 anos e é um direito constitucional”, refere o ex-vereador.
Depois do seu discurso, Jorge Gomes foi entrevistado pela comunicação Social, à qual adiantou alguns dos seus propósitos caso seja eleito presidente de Câmara. “Os nossos objectivos passam por humanizar a instituição câmara, tratar os cidadão como pessoas, ouvindo os seus problemas e não ser uma só cabeça que determine todas as decisões, queremos envolver neste tipo de organização aquilo que são os trabalhadores da câmara, cujo trabalho tem de ser reconhecido, pois será com eles que nós formaremos a nossa equipa, para melhor servir o cidadão”.

Jorge Gomes testemunha que, muitos dos trabalhadores camarários não estiveram presentes devido ao medo de represálias, “não é preocupante pois as pessoas podem exprimir a sua opinião através do voto, mas sentimos que há um ambiente de medo instalado. Connosco, esses trabalhadores terão o respeito que merecem e poderão estar, obviamente, nas campanhas eleitorais de qualquer candidato, independentemente do partido político, isto porque o presidente não se pode imiscuir nesse tipo de assuntos. Há uma falta de respeito evidente quando a entidade patronal exerce algum tipo de pressão, o que constitui uma quebra de liberdade”, sem querer adiantar muito mais sobre este assunto, apesar da insistência dos jornalistas.
O mais importante, diz o candidato socialista, “é o projecto em que estamos inseridos, aquilo que queremos para esta cidade é criar uma nova centralidade, semelhante ao centro urbano que conhecíamos e que muitos de nós se lembram. Um que funcionava como ponto de encontro. Bragança está dispersa, perdeu aquela vida nocturna interessante. Assim como não se têm desenvolvido políticas para a juventude. São os jovens a desenvolver as suas próprias iniciativas”.
Quanto aos recursos hídricos, manifesta a sua certeza no que se refere à barragem de Veiguinhas, “connosco, já estaria concluída. Essa é uma “birrice” do actual executivo. Se não pode ter 18 metros de altura, que tenha 9, o fundamental é garantir água em algumas aldeias que, ainda hoje, se vêem abastecidas pelos bombeiros”.
Quando questionado pelo Jornal Nordeste acerca das suas probabilidades de vencer um adversário tão forte como Jorge Nunes, o número um socialista termina de forma irónica, asseverando que, “são as mesmas, no entanto, quando se está no poder, muita coisa ajuda. É um homem com a sua vida já estabelecida e como reformado que é, provavelmente, quer ir viver a sua reforma e vencê-lo é uma forma de o ajudarmos a isso”.