6 de novembro de 2009

JOÃO CUTILEIRO

“A preguiça é um dos grandes motores da história”


FACTOS


Nomeado – João Cutileiro
Tempo – 72 anos
Lugar – Centro de Arte Contemporânea Graça Morais
Signo – Caranguejo
Origem – Lisboa
Ofício – Artista

ENTREVISTA

1 @ Durante uma vida de artista, bebeu de muitas influências e criatividades distintas, actualmente, o que mais o inspira?

R: O Cutty Sark! Em termos de bebida…

2 @ E em termos de vida?

R: Os corpos das pessoas que me rodeiam.

3 @ As suas obras são geradoras de ódios e paixões. Adora mexer com as consciências?

R: Eu nem sei bem o que são as consciências dos outros. Ficava muito triste se as coisas que eu faço passassem por cima das pessoas como chuva numa boa gabardina. Quando se faz qualquer coisa, espera-se do outro lado uma reacção boa ou má, mas, pelo menos, uma reacção.

4 @ Esculpir é uma afirmação da realidade da sua própria existência. E a fotografia e o desenho, como os considera?

R: São a mesma coisa. São registos do que me rodeia, coisas que são importantes para mim.

5 @ Autenticidade e economia na concepção do modelo são os grandes objectivos dos seus trabalhos. Explique-nos estes dois conceitos?

R: A preguiça é um dos grandes motores da história. Por isso, a economia de esforços para se obter o mesmo efeito é sempre uma coisa muito positiva. Gastar menos energia, se possível, e tempo, e ao fazê-lo, estamos a ser autênticos.

6 @ A sua preocupação passa por ser autêntico?

R: Não tenho nenhuma preocupação dessas. Aliás, quando se tem essa preocupação fica-se igual aos outros.

7 @ Um artista que sonhe um dia ser reconhecido pelo seu trabalho não pode tocar em nus por ainda serem, na sociedade portuguesa, um tabu?

R: Pelos vistos, há muitos tabus. Como se viu agora com Saramago. O facto de ser tabu ou não, para mim, não é, particularmente, importante.

8 @ O ambiente dos corpos femininos é o seu tema preferido?

R: Tenho outros, mas o corpo feminino talvez seja o tema mais recorrente.

9 @ As suas obras nascem como? De inspiração divina ou de paixões, receios e cenas intimistas? Nomeadamente, as suas meninas…

R: De tudo aquilo que acabou de mencionar.

10 @ Considera ser o motivo pelo qual, nos anos 80, se deu a grande viragem da escultura portuguesa e consequente ruptura com a estatuária oficial?

R: Dizem isso e quem sou eu para contrariar. Não foi de propósito!
11 @ Ainda se lembra qual a sua primeira obra de arte pública?

R: A primeira peça que eu fiz para o público, em 1957 ou 58, desapareceu, foi roubada há poucos anos. Estava colocada frente a uma pastelaria chamada Suprema na Avenida de Roma em Lisboa. Um dia fui lá, dirigi-me ao homem da pastelaria, perguntei-lhe pela peça e ele respondeu-me: “Isso queria eu saber!”

12 @ Depois de correr meio mundo e regressar, definitivamente, a Portugal em 1970, quais os locais ou cidades que lhe produziram mais encantamento?

R: Manhattan, Londres, Paris, Lisboa e Évora.

13 @ Erguida na cidade de Lagos, na praça Gil Eanes, está uma das suas obras mais polémicas, "D.Sebastião”, pela qual recebeu críticas ferozes e elogios rasgados. Que outra obra sua causou semelhante polémica?

R: O Memorial ao 25 de Abril no Alto do Parque Eduardo VII. Uma escultura que ainda não foi completamente digerida.

14 @ Permanece na crença de que é, e passo a citá-lo, "um fazedor de objectos decorativos destinados à burguesia intelectual do ocidente"?

R: Pois, claro! Todos os artistas são fazedores de objectos decorativos.

15 @ Que é que lhe dá mais prazer, o desenho, a fotografia ou a escultura? Ou são todas obras de arte por igual?

R: Depende do momento. Mas se tiver, por exemplo, a fazer fotografia, naquele preciso momento, é aquilo que eu mais gosto.

16 @ Depois de Dortmund, Bruxelas e Luxemburgo, com uma exposição na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa, outra na conceituada Jones Gallery, em Nova Iorque, onde gostaria ainda de levar o fruto da sua multifacetada obra?

R: Não sou esquisito! A qualquer lado… Conforme a entidade e o interesse que ela demonstre por mim. Nunca pensei expor em Bragança! Não fosse o convite deste centro, deste director.

17 @ Que obra lhe proporcionou mais interesse concluir?

R: A que há-de vir!

O ORIENTE NO OCIDENTE


“Impressões do Oriente” em exposição no Museu do Abade de Baçal

Inaugurada no dia 23 de Outubro, a exposição fotográfica de originais do século XIX remete-nos para a “Antiguidade Oriental antes da Arqueologia”. “Impressões do Oriente”, de seu nome, esta colectânea de obras exibidas ao público no Museu do Abade de Baçal, vem para Bragança devido ao esforço do Instituto dos Museus e da Conservação. José Pessoa, comissário desta mostra em particular e técnico de fotografia e radiografia para a Conservação de Obras de Arte, decifra-nos esta colecção, “são cerca de 70 provas do século XIX, as primeiras fotografias que chegaram à Europa vindas do Oriente. São imagens entre 1850 e 1890 que encontrámos nos espólios de vários museus, algumas provas soltas que nos permitiram constituir este conjunto que nos mostra monumentos, ruas, poços, rios, animais e as vidas das gentes do Oriente antes da chegada da arqueologia e do turismo”.
Além das fotografias, reuniu-se algum material que existia no Museu da Escola de Arqueologia e que contribui para aumentar o grau de interesse da colecção apresentada em Bragança, nomeadamente, uma câmara de 1860, outra de 1880 e, ainda, outra de 1890, que nos mostram três etapas fundamentais da história do processo fotográfico.

Na antítese do Ocidente, os processos fotográficos eram tão complicados que cada fotógrafo precisava de uma tenda e de uma logística enorme para poder executar o seu trabalho. Com elevadas temperaturas, ficavam sujeitos a terríveis vapores químicos como o cianeto de potássio. No entanto, as dificuldades do Oriente desempenharam um grande teste para a fotografia e para a sua evolução técnica, resultando num impacto transversal na Europa daquele tempo. Este fenómeno permitiu, assim, um desenvolvimento da arqueologia, da história e do “interesse pelo passado em relação ao futuro”, regista José Pessoa.

POLIFONIA EM "BODAS DE PRATA"


Celebração dos 25 anos da Associação Coral Brigantino Nossa Senhora das Graças

No dia 24 de Outubro, o Teatro Municipal de Bragança acolheu o XII Encontro Internacional de Grupos Corais. A iniciativa contou com a participação do Coral Brigantino Infantil, do Coral Brigantino Infanto-Juvenil, do Coral Brigantino e, por último, mas não menos importante, o Coro Ángel Barja JJMM – ULE, oriundo de Léon (Espanha).
O Coral Brigantino Infantil, bem como o Infanto-juvenil, ambos sob a direcção de Natália Lourenço, estiveram bem afinados e providenciaram um particular encanto animado ao público presente, neste Outono Polifónico 2009.
Fundada em 24 de Outubro de 1984, por Octávio Sobrinho, padre e seu primeiro director artístico, a Associação Coral Brigantino cumpriu, neste fim-de-semana, um quarto de século. Tendo como premissa a execução da música coral polifónica, este grupo de cantores participou já em centenas de concertos e encontros por todo o país, Espanha e França.
Através de um repertório eclético, preenche caminhos que vão desde a música Sacra, passando pela música popular portuguesa e do mundo, mas com especial destaque para as canções regionais, designadamente as de língua Mirandesa.