11 de novembro de 2009

O AUTISMO NÃO É UMA DOENÇA

Inaugurada a primeira Unidade de Ensino Estruturado do distrito de Bragança em festa de recepção aos professores do concelho de Vinhais

Em Vinhais, sexta-feira passada, inaugurou-se a primeira Unidade de Ensino Estruturado do distrito de Bragança. Aberta das 9 às 17:30, na Escola do 1º Ciclo da vila, recebe alunos com necessidades educativas especiais, cuja problemática se enquadra no espectro do autismo. Para além de admitir crianças provenientes dos concelhos limítrofes, esta Unidade de Ensino Estruturado para Alunos com Autismo (UEEA) é, de momento, constituída por duas professoras especializadas (Celmira Macedo e Cristina Gonçalves), duas auxiliares de acção educativa (Eduarda Santos e Sónia Eiras), uma psicóloga, três terapeutas (fisioterapia, musicoterapia e terapia da fala) e cinco meninos. Três são de Vinhais e dois residem no concelho de Mirandela.
Celmira Macedo, docente de Educação Especial, desvenda o objectivo desta unidade. “Iremos garantir que as crianças tenham qualidade de vida e de trabalho, potenciando as áreas fortes do autismo e trabalhar as áreas fracas, a área do comportamento, da interacção social, algumas áreas da aprendizagem e da comunicação, como a linguagem”. Para tal, a equipa afecta à unidade vai procurar, acima de tudo, reunir a criança, a família e o seu contexto social.
As cinco crianças integradas em Vinhais poderão, eventualmente, receber mais um colega, já que, o limite legal de cada UEEA é de seis alunos.

Celmira Macedo, docente

Câmara, Agrupamento de Escola e DREN uniram-se para apoiar crianças com necessidades especiais

A criação da unidade resulta de um projecto da Câmara Municipal de Vinhais (CMV), em parceria com o Agrupamento de Escolas D. Afonso III de Vinhais, e com o apoio da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN). A iniciativa resultou num investimento, quer em termos de recuperação da sala, quer na aquisição de imobiliário indicado especificamente para crianças autistas, que rondou os dez mil euros.
“Em todos os projectos que haja uma contribuição para o bem-estar dos alunos, a Câmara de Vinhais não hesita e tem-no demonstrado desde o início, indo de encontro a todas as solicitações do Agrupamento que venham nesse sentido. Esta foi mais uma aposta, um desafio colocado há cerca de meio ano, ao qual dissemos sim de imediato”, revela o vereador da Educação da CMV, Roberto Afonso.
Manuela Rocha, mãe do Martim, um aluno de 9 anos integrado na unidade e que sofre de perturbações do espectro do autismo, mostra-se satisfeita por haver no concelho um sítio indicado para crianças com necessidades especiais. “Este é um espaço necessário em qualquer lugar onde haja um menino com autismo”, afirma.

Manuela Rocha, mãe de Martim

Esta inauguração aconteceu em ambiente de festa e com direito a lanche, uma vez que, à semelhança dos anos anteriores, se deu as boas-vindas à Comunidade Educativa do concelho. No início deste encontro, teve lugar uma visita ao Centro de Interpretação do Parque Natural de Montesinho. De seguida, na E.B.1 de Vinhais, realizou-se a Festa de Recepção ao Professor, que pretendeu “promover o convívio e viabilizar a integração da comunidade docente, para além de contribuir, em simultâneo, para o fortalecimento dos laços entre professores e município”, explicou o presidente da autarquia, Américo Pereira.

“Faz um esforço para compreender”

“O meu desenvolvimento não é absurdo, ainda que não seja fácil de compreender. Tem a sua própria lógica e muitas das condutas a que chamas “alteradas”, são formas de enfrentar o mundo segundo a minha maneira especial de ser e perceber. Faz um esforço para compreender.” Angel Riviére, 1996

9 de novembro de 2009

SEMANA DO CALOIRO 2009

"Superou as expectativas" apesar das15 detenções por embriaguez, uma na sequência de um acidente

Na Recepção ao Caloiro de Mirandela, bem como na Semana do Caloiro em Bragança, cidades onde estão matriculados, no ensino superior, cerca de 6500 alunos, a Polícia de Segurança Pública (PSP) fiscalizou mais de 400 condutores, entre 23 de Outubro e 8 de Novembro.
Procurando prevenir, o Comando da PSP de Bragança incrementou a sua acção de visibilidade, em particular nos períodos e locais de maior risco. Assim, submeteu ao teste de pesquisa de álcool no sangue 302 condutores, dos quais 15 ficaram detidos por condução em estado de embriaguez, sendo que um foi detido na sequência de um acidente de que resultaram apenas danos materiais. Relativamente a contra-ordenações por excesso de álcool, houve, no total doze, sendo 10 muito graves (TAS álcool entre 0,8 e 1,19 g/l) e duas graves (TAS entre 0,5 e 0,79 g/l). Para além do álcool, obtiveram-se mais 10 contra-ordenações por infracções várias.

Quanto a resultados finais, a “Semana do Caloiro superou as nossas expectativas, felizmente, correu tudo bem, deu para suportar todos os encargos assumidos e isso era o mais importante”. “Claro que gostaríamos de ter tido um cartaz superior, mas tinha que se adequar às nossas possibilidades, ou seja, fizemos o melhor com as condições de que dispúnhamos”, adiantou o presidente da Associação de Estudantes do Instituto Politécnico de Bragança, Bruno Miranda.




















6 de novembro de 2009

JOÃO CUTILEIRO

“A preguiça é um dos grandes motores da história”


FACTOS


Nomeado – João Cutileiro
Tempo – 72 anos
Lugar – Centro de Arte Contemporânea Graça Morais
Signo – Caranguejo
Origem – Lisboa
Ofício – Artista

ENTREVISTA

1 @ Durante uma vida de artista, bebeu de muitas influências e criatividades distintas, actualmente, o que mais o inspira?

R: O Cutty Sark! Em termos de bebida…

2 @ E em termos de vida?

R: Os corpos das pessoas que me rodeiam.

3 @ As suas obras são geradoras de ódios e paixões. Adora mexer com as consciências?

R: Eu nem sei bem o que são as consciências dos outros. Ficava muito triste se as coisas que eu faço passassem por cima das pessoas como chuva numa boa gabardina. Quando se faz qualquer coisa, espera-se do outro lado uma reacção boa ou má, mas, pelo menos, uma reacção.

4 @ Esculpir é uma afirmação da realidade da sua própria existência. E a fotografia e o desenho, como os considera?

R: São a mesma coisa. São registos do que me rodeia, coisas que são importantes para mim.

5 @ Autenticidade e economia na concepção do modelo são os grandes objectivos dos seus trabalhos. Explique-nos estes dois conceitos?

R: A preguiça é um dos grandes motores da história. Por isso, a economia de esforços para se obter o mesmo efeito é sempre uma coisa muito positiva. Gastar menos energia, se possível, e tempo, e ao fazê-lo, estamos a ser autênticos.

6 @ A sua preocupação passa por ser autêntico?

R: Não tenho nenhuma preocupação dessas. Aliás, quando se tem essa preocupação fica-se igual aos outros.

7 @ Um artista que sonhe um dia ser reconhecido pelo seu trabalho não pode tocar em nus por ainda serem, na sociedade portuguesa, um tabu?

R: Pelos vistos, há muitos tabus. Como se viu agora com Saramago. O facto de ser tabu ou não, para mim, não é, particularmente, importante.

8 @ O ambiente dos corpos femininos é o seu tema preferido?

R: Tenho outros, mas o corpo feminino talvez seja o tema mais recorrente.

9 @ As suas obras nascem como? De inspiração divina ou de paixões, receios e cenas intimistas? Nomeadamente, as suas meninas…

R: De tudo aquilo que acabou de mencionar.

10 @ Considera ser o motivo pelo qual, nos anos 80, se deu a grande viragem da escultura portuguesa e consequente ruptura com a estatuária oficial?

R: Dizem isso e quem sou eu para contrariar. Não foi de propósito!
11 @ Ainda se lembra qual a sua primeira obra de arte pública?

R: A primeira peça que eu fiz para o público, em 1957 ou 58, desapareceu, foi roubada há poucos anos. Estava colocada frente a uma pastelaria chamada Suprema na Avenida de Roma em Lisboa. Um dia fui lá, dirigi-me ao homem da pastelaria, perguntei-lhe pela peça e ele respondeu-me: “Isso queria eu saber!”

12 @ Depois de correr meio mundo e regressar, definitivamente, a Portugal em 1970, quais os locais ou cidades que lhe produziram mais encantamento?

R: Manhattan, Londres, Paris, Lisboa e Évora.

13 @ Erguida na cidade de Lagos, na praça Gil Eanes, está uma das suas obras mais polémicas, "D.Sebastião”, pela qual recebeu críticas ferozes e elogios rasgados. Que outra obra sua causou semelhante polémica?

R: O Memorial ao 25 de Abril no Alto do Parque Eduardo VII. Uma escultura que ainda não foi completamente digerida.

14 @ Permanece na crença de que é, e passo a citá-lo, "um fazedor de objectos decorativos destinados à burguesia intelectual do ocidente"?

R: Pois, claro! Todos os artistas são fazedores de objectos decorativos.

15 @ Que é que lhe dá mais prazer, o desenho, a fotografia ou a escultura? Ou são todas obras de arte por igual?

R: Depende do momento. Mas se tiver, por exemplo, a fazer fotografia, naquele preciso momento, é aquilo que eu mais gosto.

16 @ Depois de Dortmund, Bruxelas e Luxemburgo, com uma exposição na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa, outra na conceituada Jones Gallery, em Nova Iorque, onde gostaria ainda de levar o fruto da sua multifacetada obra?

R: Não sou esquisito! A qualquer lado… Conforme a entidade e o interesse que ela demonstre por mim. Nunca pensei expor em Bragança! Não fosse o convite deste centro, deste director.

17 @ Que obra lhe proporcionou mais interesse concluir?

R: A que há-de vir!