18 de novembro de 2009

SALVEM A LINHA DO TUA


“Pare, Escute, Olhe”, de Jorge Pelicano, apresentado pela primeira vez aos seus protagonistas

A apresentação do filme “Pare, Escute, Olhe” aos seus protagonistas, que viram, pela primeira vez, “as suas estórias reflectidas numa tela”, aconteceu no esgotado Centro Cultural de Mirandela, dia 14 de Novembro.
Realizada por Jorge Pelicano, esta longa-metragem com, sensivelmente, 90 minutos, destaca-se como sendo um documentário interventivo, “que assume o ângulo do povo para traçar um retrato profundo de Trás-os-Montes”.
Este segundo filme, que estreará em Janeiro de 2010, é a continuação de um trabalho iniciado com a sua primeira película “Ainda há pastores”, rodado na Serra da Estrela. Isto porque, o realizador queria manter o tema do despovoamento. “Falar no encerramento das linhas férreas nesta região significa falar do despovoamento. Quando o comboio desaparece é porque já não há pessoas. É uma espécie de metáfora para falar neste problema que afligem tanta gente”, garante Jorge Pelicano.
“O objectivo era dar o lado que não aparece nas televisões, a vida dos que vivem próximos da linha e perceber qual a utilidade deste comboio para as pessoas. Dar uma outra visão, não para criticar os outros mas, essencialmente, para que as pessoas reflictam. Para onde caminhamos? Que futuro?”, questiona o realizador.

“Região esquecida e despovoada, vítima de promessas politicas incumpridas… A identidade do povo transmontano está em risco de submergir”

Segundo o autor, “este é um património único e, por isso, pode e deve ser rentabilizado. Não há outro semelhante em Portugal. Acreditem! Isto pode ser estruturado para criar riqueza, de forma, a fixar pessoas em Trás-os-Montes. Sem opções de emprego, os jovens partem. Os idosos são votados à solidão e ao esquecimento. As famílias separam-se porque muitos vão para o estrangeiro.” Jorge Pelicano, que demorou dois anos e meio a produzir este documentário, aponta o despovoamento como um dos principais problemas da região transmontana.
“Temos de acreditar, estarmos unidos e estabelecermos políticas que fixem as pessoas na região. Criando, por exemplo, um turismo ferroviário, como se investiu no Douro através do turismo fluvial”, defendeu o realizador, no debate após a apresentação do filme.
“O filme faz com que as pessoas se mobilizem para esta causa. Temos é de lutar todos juntos! Não pode ser como a EDP e o Governo (CP) pretendem, que é por isto debaixo de água”, argumenta.

A. Carvalho construiu esta miniatura e foi peça importante do filme

A Quercus afirma que “esta luta ainda não está perdida, pois ainda não saiu a guia definitiva. Uma comissão independente realizou um estudo para a Comissão Europeia, publicado há poucos dias, que arrasa o Plano Nacional de Barragens”, garantiu, em Mirandela, um representante da organização ambientalista.
O documentário «Pare, Escute, Olhe» destacou-se como o grande vencedor da 7.ª edição do Festival Internacional de Cinema DocLisboa, tendo arrecadado dois prémios na competição portuguesa: Melhor Longa-Metragem e Melhor Montagem, e ainda o Prémio Escolas. Para além de ter ganho, à posteriori, o principal troféu do Festival Internacional de Cinema Ambiente de Seia. Onde foi premiado com as três Campânulas de Ouro, o Grande Prémio do Ambiente, o Grande Prémio da Lusofonia e o Prémio Especial da Juventude.
ALGUNS DOS PROTAGONISTAS
 

Fátima Amaral, Ribeirinha

“A Linha do Tua é importante para nós porque não temos mais nenhum meio de transporte. Se não for o comboio, só nos resta o táxi. E muitos não têm possibilidades económicas para estar a pagar um táxi sempre que é necessário. Deixa-me triste.”


Berta Cruz, Vilarinho das Azenhas

“Estamos mal, mal! Já somos pobres e mais pobres ficaremos. A pensão é pequenina, nem para os medicamentos dá. Quanto mais pagar um táxi! São 20 euros até Mirandela, mais 20 para regressar a casa. Assim, estamos condenados ao isolamento porque poucos têm esse dinheiro.”


Pedro Fernandes, Sobreira

“A antiga auto-motora nunca devia ter saído daqui, como nunca devia ter saído de Bragança. Espanha investe na manutenção e criação de mais linhas férreas e Portugal faz precisamente o contrário. Falam no TGV como obra imperiosa, apesar do seu valor absurdo, quando aqui seria necessário apenas um investimento equivalente a uma gota de água no oceano se compararmos o custo da obra com os valores quer do TGV, quer da OTA. Esta é uma das mais belas paisagens que eu já vi!

13 de novembro de 2009

SOBRINHO TEIXEIRA REELEITO


Sobrinho Teixeira reeleito presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) com 90 por cento dos votos

No dia 5 de Novembro, Sobrinho Teixeira, candidato único, foi eleito presidente do IPB para os próximos 4 anos. Do Conselho Geral, obteve 18 votos em 20 possíveis, tendo dois em branco, o que lhe dá uma margem de vitória de 90 por cento.
Nesta nova fase de governação, Sobrinho Teixeira declara-se a favor de uma aposta em políticas diferenciadoras. “Dois terços dos alunos são de fora da região e tem de haver uma atractividade da instituição para esses alunos. Iremos investir na investigação aplicada e na ligação às empresas como forma do IPB se afirmar e para haver empregabilidade dos alunos. Iremos fazer uma grande aposta na internacionalização”, anunciou.
Depois de cumprido o formalismo eleitoral, outro dos objectos de tratamento que importa solucionar é a questão dos 140 professores em situação precária. “Por uma questão de estratégia e de justiça para com os professores. A minha vontade é que se proceda com a celeridade possível à abertura dos concursos, sendo um ponto estratégico, quer para a instituição, quer para a região. Se tivermos um corpo docente vinculado, em caso de haver um reordenamento, não seremos tão dispensáveis”, assegura o reeleito presidente do IPB.

11 de novembro de 2009

OLGA RORIZ

"DISCIPLINA"

Olga Roriz, a intérprete criadora

FACTOS

Nomeada – Olga Roriz
Tempo – 54 anos
Lugar – Teatro Municipal de Bragança
Data de Nascimento – 8 de Agosto de 1955
Signo – Leão
Maior Virtude – Disciplina
Maior defeito – Pensar que não tenho nenhum
Origem – Viana do Castelo
Ofício – Coreógrafa & Bailarina
Estado Civil – Divorciada
Religião – Católica

ENTREVISTA

1 @ Sonhava produzir um filme para o qual até já tem argumento. Esse sonho está em vias de se tornar realidade ou já se concretizou?

R: Mais que um sonho, foi uma necessidade. Na altura, essa ideia passou para o papel e, neste momento, está tudo escrito e pronto para avançar. Entretanto, apareceram outras duas oportunidades, de dois filmes que já fiz, as “Felicitações Madame” e a “Sesta”, e um terceiro, os “Interiores”, em que só falta a montagem. Estes filmes foram feitos com a Companhia, apesar de não serem registos de espectáculos e pouco terem a ver com a dança. São filmes de autor. Além de ter escrito os seus argumentos, eu era a realizadora e responsável pela montagem. O primeiro tinha quase uma hora, o segundo, 15 minutos e o terceiro, ainda não sei quanto tempo irá ter.

2 @ Então, porque é que ainda não concretizou o sonho do seu primeiro filme?

R: Não o fiz nem irei fazer tão rapidamente, porque é um orçamento extravagante e precisava de apoios.

3 @ Em traços gerais, o guião do filme versaria sobre que matéria?

R: É uma história real sobre uma mulher, bailarina, que após ficar queimada em criança, ficou com o corpo coberto de cicatrizes. Passa-se dentro de um quarto de hotel do Buçaco, onde dois homens entram na vida dela, na floresta e no Jardim do Buçaco. Agora, não posso revelar mais.

4 @ Se pudesse passar uma noite com uma personalidade mundial, seja política, desportiva, artística ou outra, em quem recairia a sua escolha?

R: Já passei noites muito interessantes com personalidades como o Mickey Rourke, num after-hours numa discoteca em Nova Iorque ou a Lady Di (Princesa Diana). Mas tenho dificuldade em eleger alguém. Se tivesse de escolher, seria um actor de cinema. Porque são pessoas que fazem parte do universo criativo, da minha cultura e algumas gostava de perceber se serão tão interessantes e inteligentes como aparentam ser. Como, por exemplo, o Jeremy Irons.

5 @ Três características obrigatórias num homem para, em potência, ser alvo do sexo feminino?

R: Eu só posso falar por mim e não pelo sexo feminino. Mas pelo meu gosto, prefiro homens femininos (“bem tratados”), magros, muito magros e inteligentes.

"Nortada", a peça que Olga dedica aos seus pais

6 @ Se não trabalhasse como bailarina e coreógrafa, que carreira ou empreendimento gostaria de ter conseguido?

R: Qualquer coisa relacionada com a arte, em criar ilusões. Escrever talvez, como actriz ou mesmo na arquitectura. Fiz um curso de Design de Interiores, ou seja, outra carreira teria de se basear na criação.

7 @ Se a vida selvagem fosse um filme, uma vez que os cientistas alegaram, ultimamente, que dois terços das espécies estão em risco de extinção, que animal interpretaria?

R: Uma leoa, claro. Aquela que vai à caça, sempre a trabalhar de um lado para o outro.

8 @ O que considera ser inaceitável num ser humano?

R: A violência gratuita!

9 @ A Olga prefere dançar ou coreografar?

R: Dançar e coreografar! Quando essas duas coisas estão juntas, que é o caso de quando eu danço os meus próprios solos, é, realmente, um sítio, um local muito especial. É incomparável! Agora, também já não danço muito. Criei o meu último solo há uma década, dancei-o, por acaso, ainda este ano. Mas vou começar terça-feira com outro solo (dia 10 de Novembro) e esse momento de união da coreógrafa, da intérprete criadora, é muito forte e especial, onde o corpo e a mente, as possibilidades e impossibilidades, se conjugam em palco e em simultâneo! Essa solidão de estar sozinha, essa exposição, é o que eu mais aprecio. Hei-de ter para sempre, essa manifesta vontade de estar no palco. Na minha forma de dançar, há especificidades que são só minhas, que não as consigo transmitir a ninguém, uma qualidade de movimento, uma forma de estar em palco, que ainda posso dar.

10 @ Durante uma vida de artista, bebeu imensas influências e criatividades ambíguas. Actualmente, o que mais a inspira?

R: Na dança pouco me inspiro. Apesar de me compararem, desde o início da minha carreira, com a Pina Baus (coreógrafa alemã brilhante de dança de teatro). Mas, é mais no cinema, na literatura e no teatro, que bebo grande parte das minhas influências. Também estou sempre atenta ao que me rodeia. Dessa forma, percebo o ambiente e colho dele alguma da minha inspiração. Bem como, daquilo que eu penso e sinto.

"Pedro e Inês", outra criação de sucesso da bailarina e coreógrafa

11 @ Uma viagem de sonho consigo teria que país desconhecido ou cidade como destino?

R: Ainda há uma cidade a que eu gostaria de ir, apesar de ter medo, e que é Buenos Aires! O tango para mim… Eu sou muito sensível, choro por qualquer coisinha. Tenho a impressão de que se chegasse a essa cidade, uma referência a nível cultural, nem sei o que faria, talvez sentar-me numa qualquer praça e ficar imóvel a contemplá-la.

12 @ Defina-me em 3 palavras a mulher do século XXI?

R: O problema é a generalidade porque eu sinto-me à parte. Há, por um lado, uma obstinação grande da mulher em alcançar certos degraus nas várias carreiras e, por outro, uma baralhação, na forma de o conseguir. Nem todas as mulheres, assim como nem todos os homens, têm direito a certas posições. Esta equiparação com o homem traz a competição, que pode ser ou não saudável. É preciso é saber se essa afirmação, se essas mulheres ao atingirem determinados patamares, o fizeram da forma mais correcta. Ou se é pela sua linda cara…

13 @ Então defina-me em três palavras, o seu conceito ideal da mulher do século XXI? Independente, poderia ser uma das possibilidades…

R: Eu gostaria muito que assim fosse. Elas também gostariam de o ser. Inclusive, independentes dos maridos. Mas eu penso que continuam a cair naquele conceito de que o homem tem a responsabilidade de tratar da casa, da família, trazendo o seu sustento. Se perguntar, realmente, a cada uma delas, vai ver que ainda é assim. E há muitas mulheres que fazem por isso, se fosse possível não fazerem nada, adoravam! Mas, respondendo à sua pergunta, inteligente, independente e saber manter-se bela.

14 @ Se a dança tivesse um sinónimo, qual seria?

R: Se eu lhe der um sinónimo, outros ficarão de fora. Essa pergunta é extremamente redutora. Catalogar coisas como o livro ou o filme da sua vida, espero nunca ser assim. Não ter só um livro, um filme ou uma pessoa na minha vida. Essa unidade é limitar completamente o espaço e o tempo da nossa vivência Não sou bipolar nem esquizofrénica, mas tenho uma série de gostos e a dança tem uma série de sinónimos. Não digo um porque seria reduzir a dança apenas a uma palavra ou a um sentimento, quando significa muito mais do que isso.

15 @ O que é que continua a atrasar Portugal?

R: Primeiro que tudo, a falta de disciplina. Não precisamos trabalhar mais, precisamos é de trabalhar melhor! Com disciplina e método de trabalho.

16 @ É o conselho que dá às pessoas?

R: Sim! Até para termos o prazer de não fazer nada e podermos pastar no sofá a ver um filme de domingo! É algo que eu adoro fazer, mas depois do dever cumprido.