19 de novembro de 2009

CULTURA EM DOCÊNCIA TRANSMONTANA

Magusto e Sarau Comemorativo dos XX anos de vida da Casa do Professor de Bragança

A tarde era cinza de chuva mas não comprometeu a festa e o convívio que nela se realizaram. A Casa do Professor de Bragança (CPB) acolheu, e bem, cerca de uma centena de professores que celebraram, em magusto de sábado passado, dia 14, um recheado S. Martinho.
No dia 11, decorreu outra das iniciativas, sempre muito concorridas, desta feita no Teatro Municipal de Bragança, que recebeu o Sarau Comemorativo dos XX anos da Casa do Professor de Bragança. Recorde-se que o aniversário já foi festejado a 26 de Abril, dia em que a CPB foi fundada, corria o ano de 1989. O anfitrião, o professor Jorge Guerra, iniciou as hostes com um breve, mas profundo discurso, onde agradeceu a todos os docentes que marcaram presença e aos que têm contribuído para o sucesso de uma casa cultural e recreativa que se tem distinguido entre outras.
Seguiu-se uma entusiasmada actuação do Grupo Etnográfico da CPB que incluiu um vastíssimo reportório, onde impera o “genuíno Cancioneiro do Nordeste Transmontano”. Sob a direcção artística de Higino Fernandes, constituiu-se em 1994, e tem sido perseverante, desde então, na divulgação da música popular portuguesa, inclusive, no estrangeiro. Também assinalou presença, no Sarau, a Casa do Professor de Macedo de Cavaleiros, considerada por todos os professores como “uma irmã”.

Há seis anos a comandar o destino da CPB, Jorge Guerra, em entrevista ao Jornal Nordeste, caracterizou este dia como “especial”. “Programámos, para este ano, uma homenagem aos sócios fundadores e realizámos uma exposição com peças feitas, ao longo de duas décadas, pelos nossos professores dos ateliers, onde cada um apresentou o seu artefacto. Isto para além do Sarau, que é a festa final colmatada com música”, recordou o presidente.
A pedra basilar desta associação defende, conforme o artigo terceiro, “a formação e valorização profissional, pessoal e cultural, bem como o estreitamento de laços de amizade e camaradagem”. Na sua existência, a Casa do Professor de Bragança tem contribuído, de sobremaneira, para a exaltação cultural da região de Trás-os-Montes, bem como das competências artísticas dos seus professores. “Trabalhamos com cultura e divulgamos cultura”, refere Jorge Guerra.
No campo artístico, estão disponíveis até Dezembro e de forma gratuita, os ateliers de pintura em tela e pintura em cerâmica, trabalhos em estanho e manualidades, que retomaram a sua actividade.
Também o célebre contador de histórias, o professor Carlos Genésio, autor de três livros infantis que ofereceu à CPB, está “sempre pronto” para encantar os pequenos das nossas escolas, visando acções pautadas pelo conto, engrandecendo-o. “O meu contributo tem sido valioso para as crianças. Percorro o distrito há mais de 10 anos e elas adoram estes contos e a forma como os interpreto”, revela o autor. O Livro dos Netos foi a sua última criação, na qual contou com a participação dos seus seis netos.


Carlos Genésio, Vice-presidente da Assembleia-Geral da CPB

“As iniciativas são óptimas e sinto-me muito feliz por pertencer à CPB. É de louvar o convívio e a confraternização que esta casa nos proporciona”


“Fernanda Gonçalves, professora aposentada e uma das fundadoras

“Adiro sempre a todas as actividades propostas por esta casa. Só é pena que tenhamos, actualmente, menos gente do que quando iniciámos a CPB”


Natividade Maio, professora na Torre de D. Chama

“As iniciativas são uma mais-valia pois promovem um convívio saudável. Deviam comparecer mais pessoas, mas só não vêm porque não sabem o que perdem”

ARBITRAGEM PREJUDICA

O Clube Académico de Bragança jogou em infantis e iniciados contra o Clube Desportivo da Póvoa


Equipa de Infantis do CAB para a época 2009/2010

O Clube Académico de Bragança (CAB) disputou, no dia 15, dois jogos nas camadas de infantis e iniciados. Com os seus dois técnicos ausentes, Tiago Asseiro e Fernando Sequeira, respectivamente, por estarem no Porto a tirar um curso de treinadores com a duração de 4 fins-de-semana, foi o próprio presidente do CAB e antigo jogador, Fernando Gomes, a assumir as funções de liderar ambas as equipas contra o Grupo Desportivo da Póvoa.
No primeiro jogo, com início marcado para as 15 horas, o resultado dos infantis ao intervalo era de 0 – 2, desfavorável à equipa da casa. Apesar de uma primeira parte bem disputada, a formação da Póvoa do Varzim estabeleceu o marcador final em 0 – 6.
Por sua vez, os iniciados, ao intervalo, já perdiam por 0 – 3. Golos marcados em apenas um minuto, após o primeiro ter nascido de uma situação irregular em que a bola, além de alta, saiu fora de campo, mas o árbitro deu seguimento à jogada. Visivelmente irritados, os academistas bem que reclamaram, no entanto, não lhes serviu de nada. O resultado final estacionou a favor dos visitantes em 1 – 4. O CAB ainda viu um golo ser anulado nos últimos dois minutos. Anulado também foi o desempenho do árbitro que influenciou negativamente a moral e o desempenho da equipa da casa.

18 de novembro de 2009

SALVEM A LINHA DO TUA


“Pare, Escute, Olhe”, de Jorge Pelicano, apresentado pela primeira vez aos seus protagonistas

A apresentação do filme “Pare, Escute, Olhe” aos seus protagonistas, que viram, pela primeira vez, “as suas estórias reflectidas numa tela”, aconteceu no esgotado Centro Cultural de Mirandela, dia 14 de Novembro.
Realizada por Jorge Pelicano, esta longa-metragem com, sensivelmente, 90 minutos, destaca-se como sendo um documentário interventivo, “que assume o ângulo do povo para traçar um retrato profundo de Trás-os-Montes”.
Este segundo filme, que estreará em Janeiro de 2010, é a continuação de um trabalho iniciado com a sua primeira película “Ainda há pastores”, rodado na Serra da Estrela. Isto porque, o realizador queria manter o tema do despovoamento. “Falar no encerramento das linhas férreas nesta região significa falar do despovoamento. Quando o comboio desaparece é porque já não há pessoas. É uma espécie de metáfora para falar neste problema que afligem tanta gente”, garante Jorge Pelicano.
“O objectivo era dar o lado que não aparece nas televisões, a vida dos que vivem próximos da linha e perceber qual a utilidade deste comboio para as pessoas. Dar uma outra visão, não para criticar os outros mas, essencialmente, para que as pessoas reflictam. Para onde caminhamos? Que futuro?”, questiona o realizador.

“Região esquecida e despovoada, vítima de promessas politicas incumpridas… A identidade do povo transmontano está em risco de submergir”

Segundo o autor, “este é um património único e, por isso, pode e deve ser rentabilizado. Não há outro semelhante em Portugal. Acreditem! Isto pode ser estruturado para criar riqueza, de forma, a fixar pessoas em Trás-os-Montes. Sem opções de emprego, os jovens partem. Os idosos são votados à solidão e ao esquecimento. As famílias separam-se porque muitos vão para o estrangeiro.” Jorge Pelicano, que demorou dois anos e meio a produzir este documentário, aponta o despovoamento como um dos principais problemas da região transmontana.
“Temos de acreditar, estarmos unidos e estabelecermos políticas que fixem as pessoas na região. Criando, por exemplo, um turismo ferroviário, como se investiu no Douro através do turismo fluvial”, defendeu o realizador, no debate após a apresentação do filme.
“O filme faz com que as pessoas se mobilizem para esta causa. Temos é de lutar todos juntos! Não pode ser como a EDP e o Governo (CP) pretendem, que é por isto debaixo de água”, argumenta.

A. Carvalho construiu esta miniatura e foi peça importante do filme

A Quercus afirma que “esta luta ainda não está perdida, pois ainda não saiu a guia definitiva. Uma comissão independente realizou um estudo para a Comissão Europeia, publicado há poucos dias, que arrasa o Plano Nacional de Barragens”, garantiu, em Mirandela, um representante da organização ambientalista.
O documentário «Pare, Escute, Olhe» destacou-se como o grande vencedor da 7.ª edição do Festival Internacional de Cinema DocLisboa, tendo arrecadado dois prémios na competição portuguesa: Melhor Longa-Metragem e Melhor Montagem, e ainda o Prémio Escolas. Para além de ter ganho, à posteriori, o principal troféu do Festival Internacional de Cinema Ambiente de Seia. Onde foi premiado com as três Campânulas de Ouro, o Grande Prémio do Ambiente, o Grande Prémio da Lusofonia e o Prémio Especial da Juventude.
ALGUNS DOS PROTAGONISTAS
 

Fátima Amaral, Ribeirinha

“A Linha do Tua é importante para nós porque não temos mais nenhum meio de transporte. Se não for o comboio, só nos resta o táxi. E muitos não têm possibilidades económicas para estar a pagar um táxi sempre que é necessário. Deixa-me triste.”


Berta Cruz, Vilarinho das Azenhas

“Estamos mal, mal! Já somos pobres e mais pobres ficaremos. A pensão é pequenina, nem para os medicamentos dá. Quanto mais pagar um táxi! São 20 euros até Mirandela, mais 20 para regressar a casa. Assim, estamos condenados ao isolamento porque poucos têm esse dinheiro.”


Pedro Fernandes, Sobreira

“A antiga auto-motora nunca devia ter saído daqui, como nunca devia ter saído de Bragança. Espanha investe na manutenção e criação de mais linhas férreas e Portugal faz precisamente o contrário. Falam no TGV como obra imperiosa, apesar do seu valor absurdo, quando aqui seria necessário apenas um investimento equivalente a uma gota de água no oceano se compararmos o custo da obra com os valores quer do TGV, quer da OTA. Esta é uma das mais belas paisagens que eu já vi!