9 de dezembro de 2009

DESPORTO FORA-DE-HORAS

Festa radical da Red Bull sacudiu doses de adrenalina com destaque para os campeões nacionais de Trial Bike

O palco estava montado, a 28 de Novembro, numa das maiores produções anuais, levadas a cabo no Mercado. Quem disse que com pouco dinheiro não se pode fazer uma grande festa? Eis então que surge a Red Bull a provar o contrário. Decor e uma tenda, promotoras que vestiram a pele de bailarinas e uma fantástica demonstração de Trial Bike, com três dos campeões nacionais de 2009. Na sua estreia em show off na cidade de Bragança, Daniel Sousa, vencedor da Taça de Portugal na categoria de elites de 2009, o mano João Sousa, bi-campeão nacional na mesma categoria, e Pedro Araújo, vencedor na categoria Seniores de Vila Verde, de apenas 15 anos. Foi graças a estes dois irmãos que a modalidade foi homologada pela Federação Portuguesa de Ciclismo ainda no princípio deste ano. “Um passo de gigante”, afirma Daniel Sousa. Estes três atletas treinam 9 horas por semana e trabalham todos os dias para construírem e promoverem a modalidade em Portugal. Um engenheiro civil, um economista e um estudante de design traçam objectivos, mas o principal e comum a todos é desenvolver o trial e fazer com que ele cresça.


Têm levado a bom porto o nome deste nosso país, tendo já participado em provas internacionais. A título de exemplo, há dois anos foram participar numa prova do Campeonato do Mundo em Paris. No meio de 80 atletas, Daniel conquistou o primeiro lugar e o seu irmão ficou em terceiro.
Este ano, a Taça de Portugal teve seis provas e o Campeonato Nacional realiza-se apenas numa, que tem lugar em várias pistas num só dia. O nível das provas é bastante elevado, mas, em termos globais, Espanha, França e Inglaterra estão no topo.
A modalidade em Portugal está a dar os primeiros passos e vê-se com algumas dificuldades para conseguir apoios. O maior apoio desta tripla é a sua própria marca de bikes, COXX. “As pessoas prestam demasiada atenção ao futebol em detrimento de outros desportos”, desabafa João Sousa. A próxima competição internacional será em Março, no Sul de França, onde estes atletas irão lutar entre os melhores.

Para consulta: www.trialportugal.net

4 de dezembro de 2009

NOS CORREDORES DO PODERIO EUROPEU

REPORTAGEM:

Imprensa local e regional convidada pelo Bloco de Esquerda a conhecer os meandros do Parlamento Europeu

Cerca de 40 jornalistas e directores de vários órgãos de comunicação social de imprensa local e regional, espalhados um pouco por todo o país, foram convidados, por um período de três dias, a visitarem o Parlamento Europeu e a cidade que o acolhe, Bruxelas.
O avião partiu de Lisboa às 19:40 do dia 19 de Novembro, para chegar ao Aeroporto Internacional de Bruxelas próximo da meia-noite. Uma responsável da organização esperava pelos jornalistas e foi aí que começámos a ver quem era quem e a organizarmo-nos para seguirmos para o hotel HUSA President, ao qual chegámos quase à 1h da manhã.

Como era tarde, decidi permanecer no hotel, ao contrário de alguns colegas meus que, por bem, decidiram aventurar-se na noite belga. Nesse dia, tinha acordado cedo, mais duas viagens de avião, Bragança-Lisboa e Lisboa-Bruxelas, e uma tarde passada a divagar no aeroporto do ponto de partida do meu último voo. Estava cansado, admito! O pequeno-almoço, no dia seguinte, estava marcado para as 8 horas, não esquecendo o "pequeno" pormenor de que a Bélgica significa uma hora a menos de um “precioso sono”. Por isso, apontei o norte ao meu quarto e adormeci pelas duas e trinta da manhã.
Sexta-feira, sem imprevistos. O dia madrugou cedo. Desci e na sala sentei-me na mesa com uns jornalistas, na altura, ainda desconhecidos. Numa conversa animadamente matutina, deliciei-me com um pequeno-almoço apetrechado. Éramos tantos que uma tentativa de nos organizarmos a todos teria sido em vão. Assim, eu e uma colega do Leiria Económico traçámos uma rota plausível. “De táxi não, que ainda temos tempo. Vamos antes de metro e aproveitamos para conhecer”, disse ela com o mapa na mão. Eu concordei, mas não fosse uma simpática estrangeira emigrada em Bruxelas a orientar-nos com a sua companhia e tínhamos ido parar a Amesterdão. Depois de 3 estações de metro e 2 trocas de linha, agradecemos-lhe e seguimos a pé. Em 15 minutos, avistámos o Parlamento Europeu e, à hora prevista, 9:30, marcámos o ponto.
Depois de aguardarmos pelos restantes colegas, fomos identificados e entrámos no majestoso edifício, pela porta lateral. “Este é o local por onde entram as visitas”, alguém disse. Seguiu-se uma revista minuciosa a detector de metais, não levássemos nenhum cocktail molotof. Seguimos para uma sala onde se deu o encontro entre “nós” e os bloquistas, mais precisamente, Miguel Portas e Marisa Matias, eurodeputados pelo Bloco de Esquerda e co-financiadores desta visita. Com a presença de Rui Tavares e o trio estaria completo!
Em debate com os “eurobloquistas” sobre a arquitectura europeia, as alterações climáticas e a Conferência de Copenhaga, a Linha do Tua e o Plano Nacional de Barragens

Em conversa demorada, com direito a perguntas e respostas, satisfiz a minha curiosidade em rasgada discussão. E a visita que estaria programada para terminar por volta das 11:30, conheceu o seu fim já perto das 14 horas. E o tão desejado almoço? Uns decidiram ficar na “cantina europeia”, outros nem sei, mas dentro do nosso precioso grupo, um dos jornalistas, José Vinhas, tem um irmão, o Aureliano, que é dono de um restaurante em Bruxelas, o ”Penafidelis”. Prometeu-nos "boa chicha", "boa pinga" e tudo isso a um “preço reduzido”. Nós fomos! Umas estações de metro, mais umas linhas e seriam umas 15 horas quando conhecemos o apetecido destino. Costeletões regados a cerveja belga que, por sinal, é de eleição. Comemos muito bem e pagámos melhor, 20 euros. “Uma refeição na Bélgica por esse preço é quase dada”, avançou um membro honorário do grupo com a certeza europeia de quem já tinha estado em Bruxelas por diversas ocasiões, sempre a convite de um qualquer partido político.

Restavam 180 minutos para um jantar marcado para as 20 horas, escurecia e as meninas ainda suspiravam pelo Átomo. Um poiso turístico longínquo às portas da cidade, alcançado num autêntico contra-relógio. Primeiro fomos de autocarro, mas chegámos à conclusão que era demasiado lento, demasiado tarde para uma sexta-feira, e mudámos de transporte. Decisão sábia, para o entra e sai do “trem” subterrâneo.


Chegados ao Átomo, começou a chover intensamente, tanto que a maioria do grupo decidiu permanecer na estação, à espera dos restantes. Neste caso, eu e mais três jornalistas. O acordo era simples, 5 minutos para o objecto de visita, que incluíam, sensivelmente, umas dez fotografias. E não havia tempo para mais! Entretanto, regressámos ao hotel, preparámo-nos a preceito e fomos ao jantar promovido pelo Bloco de Esquerda num restaurante chamado “Amadeus”. Era principesco, forrado a livros, tipo biblioteca do século XVI, e com música ambiente. Ao fundo, uma sala só para nós. A comida era estranha, talvez devido ao molho agridoce. Salvou-a o vinho, a sobremesa e a companhia. Seguiu-se uma visita pelo movimentado centro de Bruxelas a servir de digestivo, depois um bar com aroma internacional, onde reinavam estrangeiros e a simpatia local, mais uns retratos típicos de turistas num regresso ao hotel demasiado antecipado.


No dia seguinte, sábado, acordámos cedo para o pequeno-almoço, seguiram-se umas compras pelo centro, sobretudo, chocolates, um “fast-lunch” em que comi o kebab mais delicioso que podem imaginar e siga, rumo a Portugal.

Hora de chegada ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, 19 horas, conforme previsto. Em stand-by, a família! Não demorei, cumprimentei e afaguei, matei saudades porque à minha espera estava a boleia que me traria a Vila-Real, Luís Mendonça, director da Rádio Universitária daquela cidade. Seguiram-se duas horas de viagem no autocarro, tempo mais que suficiente para combinar com amigos a noite que me esperaria na cidade que me adivinha. A viagem: Saldo sinceramente positivo!

OPINIÕES FORMADAS
João Fernandes, director do "Falcão do Minho"

Da visita ao parlamento em Bruxelas, é sempre útil sabermos como tudo funciona, e o que fazem o deputados junto da Comissão e no Plenário, ao discutirem e proporem assuntos de interesse para as regiões e povos.
Do que gostamos mais foi do debate que se estabeleceu com a coordenadora da Informação do Bloco de Esquerda, Carmen Hilário, onde pudemos dar a nossa opinião e reivindicarmos as verbas que são destinadas aos jornais de proximidade, através de vários programas dos Fundos Estruturais que vão desde a água que bebemos à investigação científica, passando pelas pequenas e grandes obras públicas, dinheiros que deveriam ser distribuídos pelos nossos jornais para publicitar os investimentos locais e regionais, que são desviados para outros fins, o que tem originado, com essa fraude, ao definhar economicamente a imprensa local e regional do nosso País, reflectindo-se no fracasso dos actos eleitorais pouco participados, para o
Parlamento Europeu.
A população do nosso País desconhece o papel da União Europeia no nosso desenvolvimento local e regional, e por isso ignora a União Europeia, nos actos eleitorais.
Este é um assunto que toda a imprensa de proximidade deveria ter em conta e reclamar junto de todas as Instituições que recebem dinheiros comunitários, das Câmaras ao Poder Central, o não cumprimento das directivas comunitárias, com a gravidade que representa o desvio de muitos milhões de euros que nos pertencem e são desviados para sectores diversos.

Miguel Almeida, director Jornal "Vivacidade"

São iniciativas como estas que proporcionam à comunicação social regional um maior e melhor conhecimento daquilo que é feito no parlamento europeu . Quanto maior for esse conhecimento , mais e melhor informados serão os nossos leitores. O Vivacidade felicita e agradeçe a oportunidade .

Cátia Castro, jornalista da Rádio Universitária do Minho

Foi útil, na medida em que tivemos acesso a ferramentas que colocam os jornalistas mais próximos do Parlamento Europeu. Nomeadamente, através do site www.europarl.europa.eu ou do Parlamento TV. Outro ponto positivo foi o contacto directo com os actores principais da UE, os eurodeputados. Este tipo de viagem são uma forma de acabar com a ideia de que a "instituição" Europa é um meio muito fechado, sobretudo aos jornalistas dos media locais e regionais.



Na zona turca, em Bruxelas, prestes a entrar no metro com o intuito de visitar o Átomo


MARISA MATIAS

"VIVEMOS NUM PAÍS ABSOLUTAMENTE CORRUPTO"
Um ideal de Mulher nos meandros do poder

FACTOS
Nomeada – Marisa Matias
Lugar – Restaurante Amadeus, Bruxelas, Bélgica
Ofício – Eurodeputada
Partido - Bloco de Esquerda
ENTREVISTA

J.N. – Em que ponto se situa a discussão sobre o Plano Nacional de Barragens no Parlamento Europeu?

M.M – Em termos de Parlamento, a questão do Plano Nacional de Barragens passou em discussão porque houve uma série de petições que envolvem especificamente a Barragem do Tua. Essa petição foi à Comissão Parlamentar, mas nenhum dos três eurodeputados pelo BE (Marisa Matias, Miguel Portas e Rui Tavares) acompanhou esse dossier e, portanto não sabia a posição da comissão. Durante a tarde fui pesquisar e a informação que recolhi foi que, a Comissão levanta as mais sérias reservas em relação ao Plano Nacional de Barragens, o conjunto das 10 barragens, porque põe em causa o cumprimento da directiva da qualidade da água dos rios.

J.N. – A Quercus afirmou ter saído uma directiva que arrasou com o Plano nacional de Barragens. É verdade?

M.M – É verdade! Mas as coisas passam primeiro em comissão e só depois chegam ao plenário. Nós não acompanhamos a par e passo os dossiers que estão nas outras comissões. Apenas e só quando estes chegam ao plenário, é que tomamos conhecimento de certas matérias.

J.N. – Quais são as tuas perspectivas em relação à Cimeira do Clima de Copenhaga?

M.M – As mais limitadas possíveis, infelizmente. Por várias razões. Desde logo, ainda nem sequer começaram as negociações e já toda a gente, inclusive na União Europeia, afirma que a Comissão não é tão exigente como deveria. Os sinais que têm vindo dos Estados Unidos são muito dúbios…

J.N. – Eles nunca respeitaram o Protocolo de Quioto. Tens esperança que isso aconteça? Que haja uma alteração significativa na posição adoptada pelos Estados Unidos da América?

M.M – O comportamento dos Estados Unidos em matéria de alterações climáticas não pode ser pior. Actualmente, tem-se definido um conjunto de objectivos a nível ambiental e não são permitidos quaisquer tipo de excepções em relação a países em vias de desenvolvimento ou a países que já fazem parte da reconfiguração da nova ordem mundial em matéria de relações económicas. Mas os Estados Unidos, a maior potência mundial, nunca foram outra coisa senão uma excepção.

J.N. – Qual a tua expectativa em relação a Obama? Achas que com ele na presidência da Casa Branca as coisas poderão ser diferentes, já que é ele o primeiro a insurgir-se contra as alterações climáticas?

M.M – A luta é difícil! Também aí não podemos ser nem demasiado ingénuos, nem demasiado críticos. O Plano Nacional de Saúde foi uma vitoria suada e seria impensável aqui há dois ou três anos. Agora, há outras áreas em que eu acho que deviam ser adoptadas posições mais firmes como, por exemplo, em matéria de paz. Com Obama na Casa Branca, a mudança é, sem dúvida, positiva. Só não sei se será suficiente. Assim como eu acho que a posição da União Europeia não basta.

J.N. – Terá de haver, portanto, uma união de esforços?

M.M – Mais do que isso! Trata-se de definir, de uma vez por todas, que esta crise ambiental é tão ou mais importante do que a crise económica que se vive, actualmente. 


J.N. – O que é poderia e deveria ser feito na política em Portugal? Três medidas que, no imediato, pudessem levar o nosso país para a frente…

M.M – Ter coragem suficiente para não se chumbar uma segunda vez o pacote de medidas anti-corrupção. Porque eu acho que a falta de transparência democrática, e a raiz de todos os males, advêm do facto de vivermos num país absolutamente corrupto. A segunda medida seria a revisão do Código de Trabalho, que tem sido criminoso em matéria de direitos dos trabalhadores. A terceira prioridade seria a Cultura, que é indispensável. Investe-se pouco na Cultura como um bem público de primeira necessidade. Ou seja, acesso à Cultura para todos! Isso sim, seria um sinal de mudança.

J.N. – Agora num tom mais “light”, se fosses um animal, que animal interpretarias?

M.M – Uma iguana.

J.N. – Que música gostas de ouvir no carro, em casa ou a caminho do trabalho?

M.M – Eu não conduzo, mas os meus gostos são muito ecléticos. Vão desde o punk rock a música clássica. Joy Division, David Bowie ou The Clash são apenas alguns dos nomes.

J.N. – Se não estivesses na política, que carreira gostarias de ter seguido?

M.M – Continuaria na minha vida académica de investigação científica como, de resto, fiz durante os últimos 12 anos. Ou então a trabalhar em movimentos sociais, pelos direitos das mulheres, das minorias sexuais, da cidadania.

J.N. – O que é que consideras inaceitável num ser humano?

M.M – Nada é inaceitável, depende do contexto.

J.N. – Então uma violação, um homicídio são aceitáveis?

M.M – Nada é inaceitável num ser humano, depende do contexto. Um contexto de crime não é um contexto aceitável.

J.N. – Enumera-me três pedidos que farias à Comissão Europeia?

M.M – Que a União Europeia arranje uma fórmula para se auto-financiar a si própria, para não depender das contribuições dos estados-membros porque, enquanto assim for, haverá sempre forma de dar o menos possível e receber o máximo. Pedia também uma Comissão que represente mais a diversidade europeia do que a proporcionalidade governamental. E uma comissão mais respeitadora dos direitos e igualdades das mulheres, dos direitos em sentido lato.

J.N. – Uma viagem de sonho contigo teria que destino?

M.M – Os Grandes Lagos em África.

J.N. – És mais de arte ou de um bom vinho?

M.M – Um bom vinho é uma arte e uma obra de arte pede um bom vinho.