14 de janeiro de 2010

PLÁSTICO SOLIDÁRIO


Três cadeiras de rodas e uma cama articulada, a troco de tampas, foram doadas pela Azimute a quem mais precisa

Uma cadeira de rodas para a Cruz Vermelha Portuguesa, outra para o Centro Social de Carção, uma terceira entregue, a título particular, em Mogadouro, e uma cama articulada para a Associação de Pais e Amigos do Diminuído Intelectual (APADI), foi o material angariado pela Azimute, durante a campanha “Já deste muitas tampas?”.
“Diversas instituições abordaram-nos, pois tinham necessidades específicas para alguns dos seus utentes. Fizemos uma triagem e hoje estamos aqui para proceder à entrega”, revela o presidente da Azimute, João Cameira, na cerimónia que teve lugar no Mercado Municipal de Bragança, a 6 de Janeiro. Sempre no mesmo dia do ano, esta é já a terceira entrega de material ortopédico levada a cabo pela Azimute, como resultado da sua acção no campo social e ambiental. “Acontecem outras ao longo do ano, mas a entrega de 6 de Janeiro é sempre aquela em que doamos mais material de uma só vez”, afirma o dirigente, acrescentando que o material ortopédico doado nos últimos anos ronda os 6 mil euros.
Lançada em Setembro de 2005, a iniciativa tem permitido um vasto trabalho de solidariedade que, através do empenho dos mais diversos intervenientes, entre eles, pessoas anónimas, instituições públicas e privadas e escolas de vários graus de ensino, muito tem contribuído para a beneficiação da qualidade de vida de indivíduos portadores de deficiência. Com a recolha de mais de dez toneladas de plástico, em forma de tampas, alcançou-se um outro objectivo, o desenvolver de uma consciência ambiental, em que se incutem rotinas de reciclagem, já que, o plástico, na natureza, levaria cerca de 150 anos a decompor-se.
“As tampas que recolhemos têm um dupla função. No fundo, ajudamos o ambiente porque reciclamos plástico e transformamos o dinheiro proveniente dessa reciclagem em material ortopédico, o que permitiu já melhorar a qualidade de vida a bastantes cidadãos do distrito”, informa João Cameira.
“Esta associação, de natureza ambiental, trabalha no plano da sustentabilidade e, simultaneamente, associa a vertente da solidariedade, uma orientação muito interessante por parte de jovens que dirigem uma das poucas associações ambientais do distrito”, salienta o presidente da Câmara Municipal de Bragança, Jorge Nunes, que elogia o esforço e o envolvimento da Azimute em causas maiores.

12 de janeiro de 2010

EXPORTAR PORTUGALIDADE


Das Terras de Miranda do Douro, vem a cultura que nos transcende a alma, invade e o corpo e nos liberta a mente


A Lérias – Associação Cultural, sedeada em Palaçoulo, foi fundada em Junho de 2008 com o objectivo de promover a cultura tradicional mirandesa, através do fomento da prática artística e pedagógica. Com cerca de 100 sócios, esta associação é constituída por uma escola de música, onde se administra o ensino de vários instrumentos, entre eles, a famosa gaita-de-foles. Conta, também, com um grupo de teatro, criado em Abril de 2009, com uma dúzia de jovens nas suas fileiras e, a face mais visível, é a musicalidade centenária dos “Anda Camino”.
“Realizamos um serviço público, fazemos animação de rua, em feiras temáticas como feiras medievais, do século XIX, gastronómicas e de artesanato. E para além de darmos bastantes concertos em Espanha, desde Madrid a Sevilha, e Portugal, sobretudo, no Norte do país”, revela a directora da Lérias, Diana Caramelo. Mais que administrativa, esta jovem é música dos “Anda Camino” e desempenha, também, o papel de produtora do grupo, recrutando músicos para certas e determinadas actuações, conforme necessidades específicas. “Depende de quem tenha disponibilidade para actuar, em dada ocasião, e de cada actuação especificamente, sendo que, num concerto, o número de músicos poderá chegar aos 7, 8 elementos”, afirma.
Tó André, o único do grupo nascido e criado em Palaçoulo, é o presidente da associação. Diana descreve-o como “multifuncional”, explicação que se deve ao facto de, não só tocar vários instrumentos, como ser também professor de Gaita-de-Foles.

“...espalhar cultura e começar a meter a “gaita” em tudo quanto é sítio.”

Já Tozé Ferreira, freelancer do grupo, toca percursão, normalmente, bombo, que é um dos instrumentos que faz parte do trio inicial, o tradifole, como música tradicional das terras de Miranda. “A nossa praça principal, o nosso mercado, é, de facto, a Espanha. Talvez, mercê do isolamento, por estarmos mais perto de Espanha do que do Porto. O panorama cultural, enfim, é o que nós sabemos, dedicado a outro tipo de músicas e só, excepcionalmente, é que se escolhe ouvir música de tradição. Mas nós continuamos e continuaremos a exportar Portugalidade”, manifesta convicto este músico de profissão.
“Para além do óbvio, de termos de sobreviver, interessa, acima de tudo, espalhar cultura e começar a meter a “gaita” em tudo quanto é sítio. Porque os nossos jovens estão ávidos de algo que lhes permita agarrar-se mais à terra e ao seu encantamento e a gaita-de-foles produz esse encantamento”, testemunha o percursionista.
Antoni Fernandes, o último elemento a compor o quarteto que actuou na I Jornada Gastronómica Micológica, em Vimioso, é um mestre na gaita-de-foles. Oriundo de Felgueiras, este músico trabalha na associação com sede em Palaçoulo, como professor do mesmo instrumento que dá gosto ouvi-lo tocar.

A Lérias – Associação Cultural aposta na inovação, diversidade e qualidade das actividades, no âmbito da criação, produção, organização e gestão de projectos artísticos e culturais, tentando sempre progredir à volta de uma evolução própria de um grupo de pessoas que faz questão de emanar tradição.
O seu grupo de teatro, criado recentemente, vai já no seu terceiro espectáculo. "O Burrico de Natal" foi a última peça elaborada e esteve em cena, para alunos, nas escolas de Miranda do Douro e Sendim, e em Palaçoulo para o púbico em geral.

MÉDICA SEM-FRONTEIRAS


Médica dentista de Bragança coroada por trabalho desenvolvido na área da regeneração óssea em implantologia

Bruna Estevinho, médica dentista, foi distinguida no III Congresso Internacional – Novas tendências de Regeneração Óssea em Implantologia, que decorreu em Madrid, no final do ano passado, onde participaram cerca de 350 alunos e professores oriundos de várias Universidades espanholas e italianas.
A profissional, de Bragança, incluiu uma equipa constituída por mais dois médicos dentistas, Alejandro Gago e Pablo Bande, laureada pela melhor comunicação oral com o tema “Análise da predictibilidade da preservação e regeneração da papila periimplantária”.
“Foi com grande satisfação que o meu grupo recebeu este prémio. Sentir o nosso trabalho reconhecido por colegas e professores de conceituadas universidades é, para além de prestigiante, um estímulo para continuar a investir na minha formação”, assegura a médica brigantina que exerce há, sensivelmente, três anos.
O trabalho, na área da Medicina Dentária, resultou de uma revisão bibliográfica de artigos de revistas com maior factor de impacto, publicadas entre 1997 e 2008, e teve a orientação dos professores Mariano Pingarron e Miguel Gracia. A galardoada, orgulhosa pelo feito alcançado, afirmou que o tema pretendeu “abordar e avaliar os factores a ter em conta para a obtenção de uma adequada arquitectura gengival na reabilitação com implantes dentários”.
Após ser distinguida em Madrid, Bruna Estevinho, de 27 anos de idade, concluiu a sua especialização a 11 de Dezembro, destacando-se, de forma individual, entre os três melhores, na obtenção do “Título de Experto Universitário em Cirurgia Oral, Implantologia e Periodontia”, da Universidade de León.