14 de janeiro de 2010

RASTREIOS ANTECIPAM POSSIBILIDADES


Idosos de Babe e Laviados contemplados com exames gratuitos à saúde que podem, mesmo, vir a salvar vidas

A Delegação de Bragança da Cruz Vermelha Portuguesa motivou, em parceria com a Freguesia de Babe, rastreios gratuitos de diabetes, colesterol, tensão arterial e índice de massa corporal à população sénior. No mesmo dia, 7 de Janeiro, também se procurou sensibilizar os que participaram nos exames para os cuidados a ter com a saúde e uma alimentação equilibrada.
“Hoje em Babe, dia 11 em Laviados, fala-se de saúde e da sua importância. Mas é também uma questão de comodidade, pois vezes há, em que as pessoas da freguesia se deslocam a Bragança e sem condições, passam lá um dia, e por certas ocasiões, não conseguem uma consulta. É lamentável que assim seja!”, refere o presidente da Junta de Freguesia de Babe, Alberto Pais.
“Ainda há pouco, passou uma senhora por mim muito satisfeita por ter conseguido uns resultados nas análises bastante positivos. Isso sim, é de louvar e vale, realmente, a pena o meio rural não ser esquecido!”, menciona o autarca.
Este gesto solidário insere-se na campanha de Natal “Popota”, promovida pela Cruz Vermelha Portuguesa e Modelo para os seniores, conforme conta o assessor de direcção da respectiva instituição, Milton Roque.
“Estas diligências têm sempre uma adesão massiva, que rondará os 80%, e os presidentes de Junta desempenham, nesse ratio, um papel fundamental, pois são eles que vão a casa das pessoas, já que, muitas não confiam em estranhos ou têm mobilidade reduzida, mas eles insistem para que venham”, explica o assessor.


Ana Maria Fernandes, 77 anos

“Eu já fiz estes testes mais vezes e, antes, os resultados eram bons, mas agora, nem por isso. Estou manca de uma perna e custa-me andar. Aqui, provavelmente, não farão nada, mas escuso de ir a Bragança tantas vezes. São 15 euros para ir e outros tantos para vir. É muito dinheiro!”


Isaura Pires, 72 anos

“Com iniciativas deste tipo, sempre vemos alguma coisa, algum movimento! E aproveito para ver como está a minha saúde. De vez em quando, as enfermeiras lá vêm a Babe tirar as análises.


Teresa Jesus Fernandes, 84 anos

“Vou fazer 85 anos em Abril, mas a minha saúde está mal! Tenho tido problemas na coluna e nas pernas e ando em tratamento. Olhe, é uma chatice! Mas gostamos destas acções, do convívio e das senhoras enfermeiras, é muito agradável! E ao deslocarem-se aqui, quer dizer que se preocupam connosco.”

AS CRIANÇAS SÃO O NOSSO FUTURO


De Quintanilha, vem o segundo e último Centro Escolar requalificado no meio rural


Num espaço inferior a uma semana, foram inaugurados os dois Centros Escolares do meio rural do Concelho de Bragança, primeiro, o de Rebordãos, a 4 de Janeiro, e o segundo, de Quintanilha, no dia 7. Agora, ainda falta a outra metade, na cidade. Com o Centro Escolar da Sé e o de Santa Maria. Um investimento total que ascende a cinco milhões de euros.
Em Quintanilha, com um custo total de 200 mil euros, 19% em fundos comunitários, as obras incluíram um upgrade em termos espaciais, inclusive do recreio, e uma instalação de recursos técnicos. O edifício foi dotado de equipamentos de ventilação, ar condicionado, aquecimento e quadro interactivo, estando também previstos computadores com acesso à internet, para os seus 17 alunos.

“Há 15 anos atrás, o Município de Bragança teria 75 escolas. Hoje, estamos com 21 Centros Escolares em funcionamento. Ou seja, há um efeito de concentração extremamente forte. A população mais jovem abandona a agricultura, pois esta não se auto-garante como meio de subsistência e, portanto, os fenómenos são de desertificação, envelhecimento da população e redução da actividade económica, típicos do interior do país”, defende o presidente da Câmara Municipal de Bragança (CMB), Jorge Nunes. Mas, com o tempo, “penso que, entraremos num ciclo em que o mundo rural será revitalizado, pois as condições, que não existiam há trinta anos atrás, estão agora criadas”, revelou o autarca que tem apostado, de forma sustentada, no investimento infraestrutural do meio rural”, acrescenta o edil.

“Um esforço importante que o país está a fazer em termos de investimento público”, afirma Jorge Nunes

A directora do Agrupamento de Escolas Augusto Moreno, Emília Estevinho, falou nos alunos como a prioridade número um. “Poderia dizer muita coisa, hoje aqui, mas as crianças já o fizeram, em verso, e gostei muito de as ouvir. Elas precisavam, realmente, de uma escola condigna. Este centro escolar vai de encontro às suas necessidades e espero que, com estas condições, eles sejam alunos de sucesso.”
Já Alcídio Castanheira, da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), mencionou a obra em curso, com o intuito de se alcançarem exemplares condições de trabalho para o primeiro ciclo. “Devido em parte ao QREN, agarrou-se a oportunidade e, hoje, estamos a inaugurar este centro escolar com todas as capacidades que reflectem bem um investimento de qualidade na educação, onde se aposta nos recursos como forma de potencializar o futuro da nação”, testemunha o responsável.

“Tivemos de fazer esse exercício de concentração, pois não podíamos ter escolas com três ou quatro alunos. Porque não haveria possibilidade destes conseguirem conviver e ter um sistema de ensino com a qualidade suficiente que lhes permitisse alcançar resultados positivos nos níveis de ensino subsequentes”, explica o presidente da CMB. Em última instância, Jorge Nunes reconhece que, “iremos fazer uma renovação dos equipamentos no ensino, tendo por base, um Plano Tecnológico baseado em fundos comunitários, em que iremos por quadros interactivos em todas as escolas, um esforço importante que o país está a fazer em termos de investimento público.”


PLÁSTICO SOLIDÁRIO


Três cadeiras de rodas e uma cama articulada, a troco de tampas, foram doadas pela Azimute a quem mais precisa

Uma cadeira de rodas para a Cruz Vermelha Portuguesa, outra para o Centro Social de Carção, uma terceira entregue, a título particular, em Mogadouro, e uma cama articulada para a Associação de Pais e Amigos do Diminuído Intelectual (APADI), foi o material angariado pela Azimute, durante a campanha “Já deste muitas tampas?”.
“Diversas instituições abordaram-nos, pois tinham necessidades específicas para alguns dos seus utentes. Fizemos uma triagem e hoje estamos aqui para proceder à entrega”, revela o presidente da Azimute, João Cameira, na cerimónia que teve lugar no Mercado Municipal de Bragança, a 6 de Janeiro. Sempre no mesmo dia do ano, esta é já a terceira entrega de material ortopédico levada a cabo pela Azimute, como resultado da sua acção no campo social e ambiental. “Acontecem outras ao longo do ano, mas a entrega de 6 de Janeiro é sempre aquela em que doamos mais material de uma só vez”, afirma o dirigente, acrescentando que o material ortopédico doado nos últimos anos ronda os 6 mil euros.
Lançada em Setembro de 2005, a iniciativa tem permitido um vasto trabalho de solidariedade que, através do empenho dos mais diversos intervenientes, entre eles, pessoas anónimas, instituições públicas e privadas e escolas de vários graus de ensino, muito tem contribuído para a beneficiação da qualidade de vida de indivíduos portadores de deficiência. Com a recolha de mais de dez toneladas de plástico, em forma de tampas, alcançou-se um outro objectivo, o desenvolver de uma consciência ambiental, em que se incutem rotinas de reciclagem, já que, o plástico, na natureza, levaria cerca de 150 anos a decompor-se.
“As tampas que recolhemos têm um dupla função. No fundo, ajudamos o ambiente porque reciclamos plástico e transformamos o dinheiro proveniente dessa reciclagem em material ortopédico, o que permitiu já melhorar a qualidade de vida a bastantes cidadãos do distrito”, informa João Cameira.
“Esta associação, de natureza ambiental, trabalha no plano da sustentabilidade e, simultaneamente, associa a vertente da solidariedade, uma orientação muito interessante por parte de jovens que dirigem uma das poucas associações ambientais do distrito”, salienta o presidente da Câmara Municipal de Bragança, Jorge Nunes, que elogia o esforço e o envolvimento da Azimute em causas maiores.