26 de janeiro de 2010

FEIRANTES NA LAMA


No espaço de um mês, duas feiras ficaram quase sem efeito devido às condições climatéricas adversas


Apesar de ter sofrido algumas melhorias, o espaço da feira de Bragança continua sem oferecer as devidas condições, sobretudo, quando chove com intensidade. Já no mês de Dezembro, bem antes do Natal, e numa das feiras mais importantes do ano, foi a neve a causar prejuízo, impedindo os comerciantes de trabalhar. Em Janeiro, mais concretamente no dia 12, foi a chuva abundante que fez com que muitos não conseguissem trabalhar, sobretudo, aqueles que montaram tenda na parte inferior do recinto.
“No Natal, vim da Covilhã para Bragança na véspera da feira, mas depois não montei a tenda porque havia muita neve”, revelou Valdemar Costa. Este feirante culpa a Câmara Municipal de Bragança (CMB) pela actual falta de condições, principalmente, quando chove, “Puseram o alcatrão mas só para o povo, para os feirantes trabalharem é só lama! Quando chove temos que andar de galochas! A Câmara é que devia por aqui o alcatrão, nem que fosse um bocado de gravilha.”, afirmou o comerciante.
Por essa razão, vários feirantes foram à CMB exigir melhores condições e esta garantiu-lhes que, com uma melhoria do tempo, será deitada gravilha para fazer face a condições climatéricas mais adversas, sobretudo, quando chove intensamente. Isto porque, é da opinião geral que, Bragança é, actualmente, a cidade que oferece menos condições aos seus feirantes. “É só lama e frio!”, protestou Valdemar Costa, feirante há mais de 20 anos.

Entretanto, foram efectuadas algumas melhorias no recinto, como o piso alcatroado, nivelação de patamares, vedação e duas entradas. “Medidas transitórias”, segundo o vice-presidente da CMB, Rui Caseiro, mas manifestamente insuficientes, na opinião dos feirantes com quem o Jornal Nordeste falou, já que, os seus locais de trabalho continuam sobre terra que, quando chove, é transformada em lama.
Recorde-se que a CMB adquiriu os terrenos do antigo Quartel de Bragança, para instalar, de forma definitiva, a feira da cidade. “Dentro de dois anos, sensivelmente, os comerciantes terão um dos melhores espaços de feira do país, numa zona central da cidade, dotado de um piso totalmente pavimentado e de todas as condições”, referiu o autarca.

Maria Costa, Guimarães, Feirante há 18 anos

“Aqui em Bragança foi sempre mau. Puseram alcatrão, o recinto está mais amplo, tem outras condições que o estádio não tinha, mas deviam alcatroar o recinto todo e não apenas onde passa a procissão porque isto com o tempo de chuva é como se estivéssemos no rio, é igual. Também deviam pôr aqui uns quartos de banho e o recinto devia ser todo coberto como, de resto, acontece em Vila Real. No Natal, vim até aqui, mas não consegui trabalhar.”

José Maria Pinto, Paços de Ferreira, Feirante há 25 anos

“Colocaram um bom piso para os clientes, mas esqueceram-se dos feirantes que têm de estar todo o dia parados no mesmo sítio. Quando chove, isto parece um mar de lama e temos de andar de galochas, senão molhamo-nos todos. Preocuparam-se com todos, menos connosco. Deviam ter colocado alcatrão também no nosso local de trabalho. Ao menos que tivessem deitado um pouco de gravilha. Só isso já remediava a situação.”

Maria do Rosário, Guimarães, Feirante há 38 anos

“Esta feira está indecente! Alcatroaram por onde passam os carros e os clientes e nós passamos todo o dia com os pés metidos na lama! A Câmara já devia ter resolvido esta situação há muito tempo. Que é que lhes custava colocar um pouco de gravilha? O meu vizinho do lado tem o carro completamente atolado na lama. O meu não está porque é uma Mercedes de tracção à frente, senão ficava enterrada igual. Bragança não tem condições. Deviam alcatroar isto ou, no mínimo, porem gravilha! Tenho os pés todos molhados e estou de botas!”

25 de janeiro de 2010

CHAMPANHE DE ANIVERSÁRIO


Uma noite repleta de convidados deu o mote ao festejar do primeiro aniversário do Metro Bar


Bolo e champanhe, convidados V.I.P. (“Very Important Portuguese” ), mais música e diversão marcaram casa cheia a de 14 de Janeiro, na noite em que se celebrou o primeiro aniversário de um espaço que é já um ponto de referência na noite brigantina.
Elizabete Falcão e Paulo Teixeira, proprietários do Metro Bar, confirmaram ao Jornal Nordeste que este primeiro ano de abertura, contabiliza um saldo extremamente positivo. “Esta é uma casa que está a funcionar em pleno. Prova disso, é as pessoas que estão hoje aqui a celebrar connosco. Claro que, isso não nos impede que tentemos melhorar e é isso que faremos”. Entretanto, “é o staff e os clientes que fazem a casa. A quem aproveitamos para deixar uma palavra de agradecimento, pois sem eles não teria sido possível estarmos hoje aqui, de consciência tranquila e cheios de força para conquistarmos mais um ano. Que seja o primeiro de muitos”, declararam os anfitriões.
Já para o próximo mês de Fevereiro, estão previstas algumas comemorações especiais como, por exemplo, no Dia dos Namorados. Também um Torneio de Snooker deverá ser realizado, após o sucesso do primeiro.














20 de janeiro de 2010

"ABSOLUTAMENTE CRIMINOSO"


Entre o apeadeiro dos Avantos e a Estação do Romeu, é onde “há a maior concentração de patifarias”, para além do troço Foz-Tua e Pocinho continuar encerrado

“Roubo de brita, carris, roubo do próprio edíficio que albergava a estação, cuja estrutura foi demolida e todo o material levado, inclusive, o mobiliário, até a torre de água das locomotivas a vapor desapareceu. É absolutamente criminoso!” É com estas palavras que Daniel Conde, um dos mais acérrimos elementos do Movimento Cívico pela Linha do Tua (MCLT), denuncia o que se está a passar no pouco que resta do caminho de ferro no distrito de Bragança.
Na zona do Romeu (Mirandela), 50 metros de linha foram completamente destruídos e atirados por uma ravina. Entre os vários suspeitos, está a empresa O2, propriedade de Manuel Godinho, responsável por parte das obras da Auto-Estrada Transmontana, que ali têm um ponto de prospecção. “Pensa-se que alguém tenha vindo aqui e atirado, literalmente, com a linha ribanceira abaixo, sem apelo, nem agravo”, denunciou este jovem, que conhece esta situação de furto qualificado desde Agosto de 2008.
Para Daniel Conde, “a linha é um eixo estruturante de desenvolvimento do distrito, tanto como serviço público para as populações, como para reatamento de um tráfego de mercadorias para a indústria local e até para o próprio turismo. “Temos uma linha que liga o Douro Vinhateiro (que já é a terceira região turística do país) a toda a Terra Quente e à Terra Fria e que pode ligar ao futuro Aeroporto de Bragança, bem como ligar à alta-velocidade em Puebla de Sanabria. Ou seja, temos aqui um eixo que liga a Galiza e todo o distrito de Bragança até ao Douro”, advoga o militante do MCLT, cuja crença se baseia na importância de manter o eixo ferroviário.
Quanto a responsabilidades pela actual situação, Daniel Conde é claro: “A maior responsabilidade no terreno é, primeiro, da REFER, da tutela do Ministério dos Transportes. Depois, temos todo um Governo em conluio com a EDP, para que se continue a desmantelar e a destruir o caminho de ferro no distrito de Bragança.” Recorde-se que, dos mais de 200 quilómetros de via férrea que nós tinhamos, estamos reduzidos a 58 que, aliás, neste momento, são pouco mais de 20 km porque o troço entre o Tua e o Cachão está interrompido há mais de um ano.”
Na opinião deste activista, “quando o comboio chegou, houve uma explosão demográfica e um desenvolvimento subjacente, mas quando ele partiu e veio o IP4, só conhecemos a desertificação”, afirmou Daniel Conde, convicto que esta situação será provisória e que os respensáveis serão encontrados, julgados e punidos.


Troço entre Tua e o Pocinho encerrado desde o Natal, devido a queda de rochas sobre a linha

A linha ferroviária do Douro, entre o Tua e o Pocinho, com cerca de 32 km, está fechada desde Dezembro, como resultado da queda de rochas de várias toneladas sobre a linha. Segundo o Partido Comunista Português (PCP), “um acidente desta natureza poderia acontecer em qualquer troço, mas se fosse entre Lisboa e Porto, o corte na circulação já estaria resolvido há muito”.
Sem um prazo de abertura definido, os prejuízos para os habitantes do concelho de Torre de Moncorvo e arredores, são inestimáveis, pois o transporte alternativo, entre as duas estações, demora cerca de uma hora e meia.
“Não são só pedras. São verdadeiros obstáculos de várias toneladas que se desprenderam da encosta granítica e foram parar à linha, obstruindo-a por completo e danificando-a entre 20 e 30 metros, afirmou o porta-voz da REFER, José Lopes.
O incidente, ocorrido na manhã do dia 25 de Dezembro, aconteceu numa zona de declive acentuado, repleto de pedras enormes que, a qualquer momento, se desprendem e só param no rio Douro. E se a população afectada compreende que este género de derrocadas acontece de tempos a tempos, já não se mostra tão compreensiva com a falta de prazos para resolução destes problemas

“Os Verdes” exigem esclarecimentos sobre o actual levantamento dos carris na linha ferroviária do Tua

“Os Verdes” consideram urgente a clarificação relativa à construção da alternativa ferroviária ao actual traçado da linha do Tua, prevista no caderno de encargos da Barragem do Tua. “Apesar de ser uma das condicionantes para a concretização da barragem, está a proceder-se ao levantamento dos carris sem que haja registo de qualquer alternativa”, denuncia o partido ecologista. Ocorre ainda que, a própria EDP, “assumindo uma atitude de inaceitável prepotência, reiterou várias vezes que não construirá qualquer alternativa ferroviária à Linha do Tua, violando o caderno de encargos da barragem bem como a Declaração de Impacte Ambiental, sem que se conheça a resposta do Governo a este incumprimento por parte da EDP”, acrescentam “Os Verdes”.