4 de fevereiro de 2010

MAIS 50 MILHÕES PARA O PRODER

CAP reune com o Conselho Consultivo de Trás-os-Montes e diz que Orçamento de Estado coloca em risco PRODER


Em Valpaços, foram vários os dirigentes associativos regionais que decidiram encontrarem-se com o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), João Machado, e o seu secretário-geral, Luís Mira. Numa curta visita a Trás-os-Montes, estiveram diversos assuntos em cima da mesa, desde o balanço da Política agrícola nacional, nos últimos 4 anos, até às perspectivas para 2010. Mas, um dia após o lançamento do Orçamento de Estado, o mais importante foi a discussão das verbas, nomeadamente da União Europeia, através do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP), e do Governo, através do Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER).
“Uma má notícia para os agricultores”. É assim que João Machado caracteriza um menor orçamento de investimento para o Ministério da Agricultura, relativamente ao do ano anterior. Isto porque, “havia fundos da União Europeia que não requeriam comparticipação do orçamento nacional que foram colocados no orçamento de 2009 e, portanto, aumentaram-no sem nenhum esforço do orçamento nacional”, afirma.
Outro apecto realçado pelo presidente da CAP é o esforço “positivo” do Orçamento de Estado em cerca de 30 milhões de euros a mais para a agricultura, mas “que não compensam a perca dos fundos comunitários sem comparticipação.”
Mas, a preocupação maior é com o Programa de Desenvolvimento Rural. “Tudo faremos para que as verbas do PRODER sejam reforçadas. Temos de influenciar os vários partidos políticos nesse sentido, sob pena de não recuperarmos do atraso e perdermos imensos fundos comunitários”, defende João Machado. O dirigente acredita que, se não houver mais verbas, as candidaturas do PRODER, em 2010, estarão em risco, podendo não ser aprovadas. “A proposta de orçamento entregue para o PRODER não contempla montantes suficientes para as candidaturas existentes, o que é extraordinariamente negativo”, adianta. Quando questionado sobre o montante das verbas necessárias, o presidente da CAP pede mais 50 milhões de euros, para além dos 140 já designados para o PRODER pelo Orçamento de Estado. “O investimento na agricultura é reprodutivo, cria postos de trabalho, evita importações e contribui directamente para a balança da pagamentos e para o défice, de uma forma positiva”, justifica João Machado.
Quanto ao balanço da política agrícola portuguesa, é muito negativo, segundo o responsável. “Os últimos três anos foram desastrosos, nomeadamente, ao nível dos programas comunitários. Não houve investimento, tudo estagnou. Tempos de recuperar o tempo perdido”, considera o homem forte da CAP.

3 de fevereiro de 2010

HIP HOP TUGA RULA

O Hip Hop tem vindo a percorrer um longo e sinuoso caminho mas nem tudo é mau, pois chegou em força e veio para ficar

No dia 29 de Janeiro, o Black Jack inundou as ruas com ritmo e poesia, acolhendo a 3ª Hip Hop Session. Mais de 200 pessoas marcaram presença para ouvirem atentamente os vários artistas de outros tantos locais. Mex & PP em estreia, são o testemunho de que o hip-hop cresce entre os nossos. Estes dois miúdos brigantinos, Miguel Correia e Luís Silva, abriram o mic com uma música que serviu para aquecer a plateia. Seguiu-se o Mestre Zig aka Igor Ferreira, de Mirandela, Krane aka Hugo Conde, Eskuadrão Furtivo, composto por MK e B-Fatz, e C4 aka Carlos Freitas, vindo directamente de Gaia, terra fértil em rimas e batidas.
Jorge Rodrigues é um dos elementos que integram o Eskuadrão Furtivo e é o responsável por detrás da cortina deste evento mensal, que tem vindo a granjear adeptos entre os mais novos, sobretudo, entre as escolas. Este jovem, de 24 anos, declarou ao Jornal Nordeste que estes acontecimentos têm sido “um mimo”. “As pessoas estão a ter a atitude certa na cena e já começam a saber curtir uma festa de hip hop”.
Recuando uns cinco anos, MK recorda que, quando começou, fez actuações para 25 pessoas, mas, hoje, mostra-se satisfeito com o resultado alcançado, já que as fileiras do rap foram fortalecidas e o público é, actualmente, mais vasto.
Carlos Freitas, o explosivo C4 e principal artista convidado, gravou a sua primeira música com MK, em Bragança, corria o ano de 2005. O seu albúm Número Um foi gravado em 2006, também na capital nordestina. “Os beats são originais, mas não saiu para as lojas, foi vendido mão a mão”. sustentou o rapper. Depois disso, já fez duas mixtapes e prepara, agora, o Volume Número 3.
“Abordo mais a intervenção social, temas do bairro, da rua, aquilo que eu vivo e quem eu sou”, afirmou C4, na sua quinta actuação por terras de Trás-os-Montes, reconhecendo o papel de MK no cenário do hip hop brigantino. “Está a dominar! É o homem do Norte que mantém o movimento”, sublinhou o gaiense.
O gerente do Black Kack, Marco Cunha, aprova este tipo de iniciativas, que diz ser uma aposta na juventude. “Os mais novos gostam deste som e temos de continuar a investir neles. É uma noite temática, diferente. Só gostava que mais casas fizessem este tipo de trabalho”, concluiu o responsável do espaço.

MACEDO CAÇA TURISMO

Um certame de referência cinegética e um destino turístico de eleição do Nordeste Transmontano


Mais de 21 mil visitantes frequentaram a XIV Feira da Caça, IV Feira do Turismo e a XVI Festa dos Caçadores do Norte, que tiveram lugar em Macedo de Cavaleiros durante 4 dias, com mais de 150 expositores, repartidos por 6.500 m2.
Sexta-feira, o presidente da Confederação Nacional de Caçadores Portugueses (CNCP), Vítor Palmilha, abriu, de forma oficial, o certame e inaugurou as hostes discursivas com lenha para a fogueira, afirmando ser “uma vergonha” o facto dos pareceres do Instituto da Conservação da Natureza (ICN) irem contra o calendário venatório. “Fazem aquilo que querem e bem lhes apetece. O calendário diz que se pode caçar até finais de Dezembro, o ICN defende que deve ser até Novembro. A caça às rolas, segundo o calendário venatório, pode começar a 15 de Agosto, mas o ICN acha que só a partir de Setembro. Temos duas leis, dois calendários venatórios. Isto é uma vergonha!”, protesta o responsável.
Vítor Palmilha criticou também a lei das armas, alegando que descrimina completamente a actividade venatória, e compara atiradores desportivos, coleccionadores e caçadores. “As organizações do sector da caça, reconhecidas pelo Governo, com transferências de verbas para levarem a cabo determinadas acções, são descriminadas ao ponto de, em vez de sermos nós a administrar essa formação, é a Polícia de Segurança Pública. É inconcebível que assim seja!”, ressalva o presidente da CNCP.
O dirigente aproveitou ainda a presença do presidente da Autoridade Florestal Nacional, Amândio Torres, para lhe pedir “publicamente” que os processos das zonas de caça sejam simplificados. “Estes processos são vistos nas regiões pelos seus técnicos, depois são revistos em Lisboa pela Autoridade Florestal Nacional, perguntou, mas faz sentido? Então quais são os técnicos que estão a mais? São os da região ou os de Lisboa?”, pergunta.
Já o presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, Beraldino Pinto, aproveitou para salientar a importância da XIV Feira da Caça e IV Feira do Turismo. “Estamos num fim-de-semana alargado de festa em Macedo porque recebemos muita gente, muitos amigos, e só isso é motivo para estarmos alegres e festejar. Celebramos a caça e o turismo e o potencial de ambos na e para a região”, referiu o autarca.
Segundo dados do munícipio macedense, as montarias levadas a cabo atraíram perto de 450 caçadores de distintas regiões e resultaram num saldo de 34 javalis. A Copa Ibérica de Cetraria voltou a ser um dos pontos altos do certame, bem como o Raid Turístico, que suscitou o interesse a vinte e sete veículos todo-o-terreno e quatro motos, num total de cerca de 70 participantes, que sábado percorreram diversos pontos de interesse turístico do concelho de Macedo de Cavaleiros. No domingo, as atenções dividiram-se pela Prova de Radiomodelismo e pela Corrida de Galgos, onde 60 cães marcaram o arranque do Campeonato Nacional de Corridas de Galgos.