26 de fevereiro de 2010

ROSÁRIO SOTTOMAYOR

“A VELOCIDADE ESTÁ-ME NO SANGUE”


FACTOS

Nomeada – Rosário Sottomayor
Origem – Estoril
Ofício – Engenheira Mecânica
Data de Nascimento – 22.03.63
Signo – Carneiro
Maior Virtude – Honestidade / Sinceridade
Maior defeito – Orgulho desmedido


Entrevista à Madrinha do Passeio TT Feminino, promovido pelo Nordeste Automóvel Clube e Rádio Brigantia, no próximo dia 6 de Março

1 @ Como é que se iniciou na competição e com que idade? Descreva-nos, em traços gerais, o seu percurso na competição automóvel.

R: Desde que me lembro de existir que sou completamente apaixonada por corridas de automóveis. Como nunca tive nenhum familiar próximo ligado à competição e este meio era de difícil acesso, tornei-me comissário no Autódromo do Estoril, pois era a única forma de estar mais perto desse “mundo”.
Entretanto, a Brands Hatch Racing School veio a Portugal, em 1985, ministrar uns cursos de iniciação à Formula Ford e eu, apesar de não ter experiência, nem carro, consegui classificar-me em 5º lugar entre 800 participantes. Mais tarde, convidaram-me para fazer um curso, o qual ganhei, e me deu acesso à tão famigerada Licença Desportiva.
No final de 86, consegui reunir a quantia necessária para efectuar as 3 Horas de Resistência, num Alfa GTV6, com o Alberto Veloso. Mas, só em 87, com 24 anos, entrei verdadeiramente no mundo da competição ao participar no Campeonato de Formula Ford. Corri durante 7 anos e, em 93, ganhei o Campeonato Nacional de Formula Ford, mas, infelizmente, nunca de forma profissional. Em 2002, fiz o Campeonato Nacional de Velocidade, onde fui vice campeã na categoria 1600. Depois, estive parada e, apenas em 2007, consegui regressar às pistas.

2 @ Descreva-nos o cenário competitivo em Portugal, nomeadamente, no feminino? Na sua opinião, há, de facto, ou sente uma maior pressão para ganhar por ser mulher piloto em competições motorizadas, num mundo maioritariamente masculino?

R: Sempre corri entre homens e sempre fui a única mulher no “seu meio”. Por isso, para mim, é uma situação perfeitamente normal. Na Fórmula Ford houve sempre uma grande perseguição devido aos meus resultados, pois havia muita gente que achava que não era possível uma mulher andar à frente e, por várias vezes tentaram sabotar-me o carro, o que só me dava, ainda mais garra para ganhar.
Actualmente, há mais mulheres, sendo que a nossa presença é encarada com normalidade e uma aceitação muito maior.

3 @ Comparativamente há 10 ou 15 anos, há hoje um maior ou menor número de mulheres em competição? Quais os nomes que destacaria, actualmente?

R: Felizmente, as mulheres começaram a aderir a este desporto maravilhoso. Prova disso foi a quantidade de mulheres que participaram no Troféu Desafio Único, em 2008. Lindo de se ver.
Em Portugal, existem várias pilotos a fazerem inveja a muitos homens. Como, por exemplo, a minha colega de equipa Ana Sampaio, a Lígia, Ana Sacadura, Pilar, Nadine e tantas outras.

“... havia muita gente que achava que não era possível uma mulher andar à frente e, por várias vezes tentaram sabotar-me o carro, o que só me dava, ainda mais garra para ganhar.”


4 @ Fale-nos de uma prova com história que lhe tenha dado um gozo particular ter ganho (ou não)?

R: Em 89 fiquei sem o apoio do meu irmão, que era quem me tratava da viatura (emprestada), e sem patrocínio. O motor estava gripado e todo o carro precisava de uma revisão geral. No início, desesperei ao ver-me totalmente sozinha e sem dinheiro, mas como sou muito teimosa resolvi ir à luta.
Desmontei o carro todo, abri e refiz o motor, pintei-o, fiz os autocolantes à mão e alinhei-o com uma série de ferramentas dentro do cockpit para compensar o meu peso, sangrei travões e ficou pronto 2 horas antes de ir para o autódromo! Só tive tempo de tomar um banho e equipar-me. Os treinos correram super bem, mesmo sem fazer rodagem, consegui o 3º tempo. Chegou o momento da corrida, os nervos, o cansaço e uma directa em cima não ajudaram nada! Acontece que, na grelha, em vez de engrenar a 1ª... engrenei a marcha a trás, que era mesmo ao lado, e quando todos arrancaram para a frente eu fi-lo a toda a velocidade para trás! Por milagre, não bati em ninguém. Quando, finalmente consegui engrenar a primeira, já todos os outros carros estavam a mais de 200 metros. A revolta dentro de mim foi brutal, tanto esforço para nada, pensava eu.
Comecei, então, volta a volta, a passar os outros e cortei a meta completamente colada ao primeiro, que era o Paulo Longo. Acho que nunca na vida guiei tão bem! Para além de um segundo lugar, que me deu direito a subir ao pódio, com sabor a vitória, fiz a volta mais rápida da prova. Foi a corrida que, até hoje, me deu mais gozo, não só pelo decorrer da mesma, mas, sobretudo, por todas as dificuldades que tive nos dias que a antecederam. Não só o que concerne à recuperação do carro, mas também porque tive de fazer uma série de coisas que nunca tinha feito, nem nunca pensei ser capaz.

5 @ Quais os conselhos que dá a uma mulher que esteja prestes a iniciar-se em competição?

R: Que não tenha medo, se atire para a frente com toda a gana que tem e que jamais pense que os outros são melhores que ela, pois ela é capaz de tudo se assim o quiser!

6 @ Quais são as principais dificuldades com que um piloto se depara em Portugal, sobretudo, se quiser assumir uma carreira profissional?

R: Apoios financeiros, sem qualquer tipo de dúvida. Infelizmente, em Portugal, o desporto automóvel não tem o destaque que merece, pois é uma forma excelente para promover qualquer tipo de produto ou serviço. Mas, ainda não existe essa vocação por parte das empresas, o que é uma pena porque impede que projectos de imensa qualidade avancem.


7 @ Considera a velocidade como parte integrante da sua pessoa, e um factor indispensável sem o qual não conseguiria viver?

R: Sem dúvida! Sou, por natureza, uma pessoa muito energética, não sou capaz de fazer nada devagar, a velocidade está-me no sangue e a competição também. Ou seja, o desejo de melhorar continuamente, em tudo aquilo que faça.

8 @ Com quem é que gostaria de fazer uma corrida mano a mano? Porquê?

R: Com qualquer pessoa que seja mais rápida que eu, pois estou sempre a aprender com os melhores.

9 @ Se o Planeta Azul se extinguisse em 24 horas, o que aproveitaria para fazer no pouco tempo que te restasse?

R: Daria toda a minha atenção àqueles que, realmente gostam de mim e para os quais nunca tenho tempo.

10 @ Para terminar, qual a maior velocidade que já atingiu num veículo automóvel?

R: Não sei ao certo, o velocímetro não marcou, mas julgo que 260/270 km/h.

No ano de 2008, Rosário Sottomayor no grande clássico de Vila Real

"O MEU NOME É BRAGANÇA"

Apresentação do livro e exposição que recuperam a história ancestral dos nossos antepassados, bem como da cidade de Vergancia

No âmbito das “Comemorações dos 546 Anos de Bragança Cidade”, realizou-se no dia 20 de Fevereiro, na Sala de Actos do Teatro Municipal, a apresentação do livro e exposição “O meu nome é Bragança”. Depois de uma ano em preparação, este livro foi concebido por Armando Fernandes, responsável pelos textos, e Maria José Ferreira, criadora dos desenhos, sob a orientação do professor Armando Alves, responsável pela concepção gráfica da obra, em parceria com a autarquia local.
“Este livro é o corolário de um outro, “Bragança marca a história, a história marca Bragança”, e retirámos, de acordo com todos os 18 consultores especialistas que trabalharam nessa obra, os fundamentos para fazer esta última, uma banda desenhada que, antes de mais, é uma obra artística”, revela o autor, Armando Fernandes.
Trata-se de um livro que pretende mostrar a história milenar brigantina e que, apesar de se destinar a um público sem idades definidas, visa, essencialmente, as crianças e os jovens adolescentes, pela própria forma como foi produzido. “Através de textos e imagens notáveis, vamos interessar-nos por Bragança, tentar compreender e perceber a nossa história, termos orgulho nela e de quem nos tornámos”, conta o escritor, nascido no bairro Além-do-Rio.


Dois dos objectivos desta obra passaram, precisamente, por “honrar os nossos antepassados bragançanos e por dizer aos jovens que o futuro prepara-se, trabalha-se, tendo em conta o passado, e que o presente deve-se viver através das obras emblemáticas que esta cidade dispõe e que estão representadas no livro”, relata Armando Fernandes.
Esta cidade, desde há três mil anos, teve vários nomes, entre eles, Vergancia, Bregancia, Blagancia, Brigantie, Braguança, até prevalecer Bragança. “O meu nome é Bragança” mostra a história indelével de um património vasto e riquíssimo e suas gentes. Como se vivia no século XIX, a carestia frequente, as missas e o papel da igreja, os funerais, a vida militar, e depois as lendas, são apenas hors d'oeuvres de um livro distinto, pela forma como se ilustra e tenta suscitar o interesse entre gerações.

25 de fevereiro de 2010

NAC INICIA CALENDÁRIO

II Passeio de Automóveis Antigos na cidade de Chaves e IV Passeio Todo-o-Terreno no Feminino


Promovido pelo Nordeste Automóvel Clube (NAC) e sua delegação de Chaves, o II Passeio de Automóveis Antigos terá lugar a 27 e 28 de Fevereiro, alcançando, mais uma vez o seu objectivo, pois está completa a lista de inscritos. Com cerca de setenta amantes de clássicos, divididos por 26 viaturas, e à semelhança de anos anteriores, este evento contará com a participação de associados provenientes dos mais diversos pontos de norte a sul de Portugal.
No último fim-de-semana do mês, em que se iniciará o Calendário das Actividades 2010 levado a cabo pelo NAC, para o primeiro dia, está programada uma ida até Alturas do Barroso, com passagem por Boticas e no regresso a Chaves, a vinda será por Montalegre. No domingo, na cidade dos imperadores, haverá visitas guiadas à Torre de Menagem, ao Museu Militar e às famosas Termas de Chaves.


Outro acontecimento produzido pelo NAC, no próximo dia 6 de Março, em estreita parceria com a Câmara Municipal de Bragança e Rádio Brigantia, será a quarta edição do passeio TT dedicado a todas as mulheres com carta de condução e que se possam deslocar em viatura 4x4, moto e quad.
Com um palmarés invejável no Desporto Automóvel (provas de Velocidade e Karting), Rosário Sottomayor aceitou amadrinhar este evento ao volante de um Mercedes GLK. Esta mulher, piloto de eleição, colabora, pela segunda vez com o NAC, já que, em 2007, marcou presença na Rampa de Bragança com o carro 0 (zero), um Porsche 911 SC. Também Lígia Albuquerque, cabeça de cartaz do passeio de 2008, enriquecerá o rol de convidados com o seu regresso ao Nordeste Transmontano, onde participará com o seu Toyota.

O percurso de 90 quilómetros do IV Passeio TT no Feminino, dividir-se-á por duas etapas, uma antes e outra depois de um almoço em que se apreciará a excelente gastronomia transmontana. Com o intuito de manter viva a tradição e não estragar a mecânica das viaturas participantes, o trajecto será, como habitual, de dificuldade reduzida, possibilitando o desfrutar das encantadoras paisagens nordestinas.
A exemplo do sucedido em 2009, um NAC solidário doará 10% do valor das inscrições, que terminarão a 1 de Março, ao Lar de S. Francisco, uma Instituição Pública de Solidariedade Social, da terra, que alberga jovens desprotegidas.