9 de março de 2010

REFORÇO OPERACIONAL

5 detenções, 14 contra-ordenações, diversas apreensões e três autos de ocorrência por posse de droga

O Comando de Bragança da Polícia de Segurança Pública realizou, nos dias 26 e 27 de Fevereiro, uma operação policial nas cidades de Mirandela e Bragança, nas suas várias vertentes de intervenção.
Esta atitude policial pró-activa obteve resultados: 5 detenções, 3 por condução em estado de embriaguez, 1 por condução sem habilitação legal e outra por usurpação dos direitos de autor; 14 contra-ordenações, 6 em estabelecimentos e 8 na fiscalização rodoviária; apreensões, entre elas, 230 cds contrafeitos, 4 colunas, 3 leitores de cds, 1 amplificador e 1 mesa de luzes; e 3 autos de ocorrência por posse de haxixe para consumo próprio, que totalizam as 33 doses.
Com o objectivo “conseguido” de combater a criminalidade, fiscalizar os principais factores de risco na circulação rodoviária e, ainda, a legislação relativa a direitos de autor e ao funcionamento de estabelecimentos de restauração e bebidas, esta contingência visou, segundo a PSP, “um aumento da segurança objectiva e do sentimento de segurança junto das populações.”
O Comando de Bragança, viu o seu contingente ser reforçado, nesta operação, pelos comandos vizinhos de Viseu e Vila Real, com cerca de 36 elementos. Uma acção que, contando com um efectivo total de 78 unidades, foi desenvolvida em parceria com a Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC) e Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), cujos inspectores acompanharam as equipas policiais de fiscalização e detecção de suspeitos em estabelecimentos.


"É UM DESAFIO!"

Cursos técnico profissionais evitam a marginalização de jovens, insucesso e sua condução ao abandono escolar

Os alunos do 10ºD, do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros (AEMC), que frequentam o curso de Animação Sociocultural, têm vindo a desenvolver diversas actividades desde o princípio do ano lectivo, algumas das quais envolvendo, não só a comunidade escolar, como também o próprio concelho em que se insere.
Até ao final de Fevereiro, os alunos já realizaram propostas tão distintas como a encenação de duas peças teatrais “ O Funeral Embruxado”, escrita e encenada pelos alunos, e “O Casamento do Entrudo”; uma campanha de solidariedade cujo principal objectivo passou por angariar bens de 1ª necessidade para as pessoas mais carenciadas do concelho, bem como um Blog com a denominação de http://animadoressociaismc.blogspot.com, que visa mostrar a toda a Comunidade o trabalho desenvolvido por docentes e alunos; animação escolar através da Criação da personagem o Homem estátua, Karaoke, Capoeira e Aeróbica; cantares das Janeiras; comemoração do dia de São Valentim, em que se declamaram poemas de amor de Augusto Gil e dramatizaram canções românticas; entre outras actividades.
Comandam estas iniciativas dois professores, Sérgio Afonso, na disciplina de Animação Sociocultural, e Veneranda Pereira, da área de Expressões. “A princípio, em Setembro, aquando, da apresentação da turma, pensei que poderia ser complicado trabalhar com ela. Os alunos eram autênticos diamantes brutos, que vão sendo lapidados. Já conseguimos seleccioná-los de acordo com as suas competências e, nesses sim, vamos investindo em determinadas áreas, sejam elas a dança, a música ou o teatro”, revela Veneranda Pereira, que se mostra satisfeita pelo caminho percorrido e por muitos dos objectivos terem sido já alcançados.
Por sua vez, Sérgio Afonso afirma-se como um homem em missão. “Procuro motivar estes alunos a encontrarem uma saída profissional, visto que daqui a dois anos terminarão o 12º ano. Certamente, que irão conseguir um emprego nesta área profissional, já que, na nossa região, a animação mostra uma tendência de expansão”, anuncia este docente, que procura contrariar as estatíscas de abandono e insucesso escolar.

Música, teatro e a danças são artes de expressão artística que revelam o talento, por vezes, inato, de jovens antes problemáticos

A professora de Área de Expressões é conivente com as opinião do seu colega, “o abandono escolar é uma realidade e muitos dos jovens são retirados da rua, sendo que, estes cursos técnico-profissionais ajudam-nos a encontrar um futuro. Quando bem motivados, estes alunos conseguem fazer coisas extraordinárias e proporcionar-nos o feedback que estamos no bom caminho”, declara Veneranda Pereira.
O director do AEMC, Paulo Dias, sublinha que “estes cursos técnico-profissionais vieram proporcionar à escola uma dinâmica completamente diferente e dar resposta a uma necessidade sentida há muitos anos, em termos de prosseguimento de estudos para um grupo de alunos que prefere actividades com um carácter mais prático e com uma visão mais imediata daquilo que poderão vir a fazer em termos profissionais na sua vida.”
Estes professores, que procuram alcançar o dificilmente tangível, depois de outros docentes, sem sucesso, terem tentado arduamente, projectam já outras actividades até ao final do ano lectivo. A saber, a dramatização de contos populares; no dia 8 de Março, Dia da Mulher, distribuição de poesia acompanhada de uma flor; a comemoração do 25 de Abril, em colaboração com a Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, em que os alunos irão declamar poesia de Abril e interpretar canções; e um “final apoteótico”, no Centro Cultural, promete a professora de Áreas de Expressões. “Há datas e efemérides que nós queremos celebrar. Temos essas aspirações e eu penso que eles conseguirão cumprir”, afirma Veneranda Pereira.
Em Macedo de Cavaleiros, uma escola modelo, que aumenta, de dia para dia, o número de alunos nas suas fileiras, não porque haja uma maior entrada de jovens no ensino, mas, antes, porque “simplesmente, eles deixaram de sair”, refere Paulo Dias.

Actividades "de um carácter mais prático", como a encenação de peças teatrais, motivam os alunos, explorando as suas competências e abrindo horizontes futuros

3 de março de 2010

A FORÇA DE UM POVO

Uma aluna madeirense a estudar no IPB, foi uma das afortunadas e, na ilha de férias, passou ao lado da tragédia

A 20 de Fevereiro, ao raiar do dia, uma das maiores catástrofes das últimas décadas devastou a parte sul da Ilha da Madeira, tal como a conhecemos. 42 mortos e 8 desaparecidos, no balanço quase final.
Diva Carvalho nasceu há 20 anos em Fonte Bugia, no Concelho da Calheta (Madeira), ao qual o destino rasgou um sorriso. Apesar de não ter sido uma das zonas mais afectadas, registaram-se ainda três mortes. Ao contrário da Ponta do Sol, Ribeira Brava, Câmara de Lobos e Funchal.
Aluna do curso de Farmácia no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), decidiu, depois de uma época de exames, passar umas férias na sua terra natal. A tragédia aconteceu um dia antes do seu regresso à cidade que observa o seu percurso académico. “Naquele sábado, em casa, pouco funcionava. Foi uma prima minha, de Coimbra, que deu o alerta ao ligar-me para o telemóvel. Falou dos mortos e da tragédia na ilha. Nós constatámos o vento e a chuva fortes, mas nunca imaginaríamos um cenário tão devastador”, afirma a estudante madeirense.


Com o aeroporto fechado e as estradas cortadas, Diva Carvalho viu o seu voo ser adiado. Sem familiares envolvidos directamente na tragédia, esta aluna do IPB conta a violência do que observou aquando da sua saída da ilha, no Domingo. “Estava tudo bastante danificado, praticamente irreconhecível, muita lama e pedras, viaturas e casas submersas por entre os destroços, e a água na estrada dificultava a passagem daqueles que se aventuravam”, revela.
A futura farmacêutica conta, ainda, duas histórias com finais trágicos que lhe foram próximas, a de um operário camarário que morreu quando limpava a estrada, e a duas senhoras do Concelho da Calheta que dormiam, quando uma derrocada lhes invadiu a casa fazendo-a desaparecer.


Um dilúvio dos céus provocado por uma precipitação intensa, num curto espaço de tempo, mais lixo acumulado e solos impregnados de água, fizeram transbordar as ribeiras, enquanto as montanhas se moveram para só parar no mar. As suas gentes, as suas flores, conheceram um episódio imprevisto e cruel e, sem aviso prévio, viram-se arrastadas entre torrentes de pedras, destroços, árvores arrancadas, viaturas e partes de casas, por ribeiras que semearam o pânico e a dor. Os ambientalistas argumentaram, em 2008, na Rtp2, que uma catástrofe deste tipo poderia estar eminente, agora que aconteceu, alegam “má gestão urbanística”. O presidente do Governo regional nega. Afirma que, “não interessa encontrar culpados”, mas sim “reconstruir a Madeira”. O montante necessário, anuncia, 1 bilião de euros. Dois terços do seu orçamento de estado.
No próprio dia, era de noite quando o Primeiro-Ministro, José Sócrates, voou do continente. Seguiu-se o Presidente da República e as condolências do Rei de Espanha, da Venezuela e da “Mãe Rússia”. Lisboa acende o cachimbo da paz na cooperação com o Funchal afirmando que não haverá quezílias passadas que se oporão à reconstrução da Madeira. Alberto João Jardim personifica o “enterrar do machado” e, pela primeira vez, assume-se em uníssono com a voz do partido que perdeu a maioria. A solidariedade inundou a Madeira, como as ribeiras as suas gentes...

 2 horas após a morte e a destruição terem varrido a Ilha, o Renascimento teve início

No rescaldo de tamanho pesadelo, as escolas reabrem, bem como o Mercado dos Lavradores, as ruas estão limpas, vendem-se flores nas avenidas, o comércio dá um ar da sua graça, os cruzeiros regressam, e neles os turistas, 5 mil por dia, curiosos quanto baste, mas muitos pensarão, que é feito da destruição? Logo após as enxurradas, o povo madeirense demonstrou, claramente, a força do seu espírito, erguendo-se da lama tão determinantemente como quem diz, “O que os olhos não vêem, o coração não sente”, “É seguir em frente!”
Mas, certas marcas, nem o tempo, nem tão pouco o esquecimento, certamente, permanecerão para sempre.
Uma das mais altas palmeiras da Ilha ficou, praticamente, soterrada
Diva Carvalho captou a destruição através das fotografias