19 de maio de 2010

"LIVRAI-NOS DE TODO O MAL"

Benzidas as motas e lembrados aqueles que, tragicamente, já partiram no 20º aniversário do Moto Cruzeiro

A chuva não conseguiu afastar os verdadeiros amantes das duas rodas do aniversário das 20 primaveras do Moto Cruzeiro. Apesar do número reduzido de participantes, cerca de 1 dezena de motas e, talvez, o dobro a fazer-se deslocar noutras veículos, o programa do Dia do Clube foi cumprido quase na totalidade e os poucos a comparecerem valeram por muitos. Assim, a partir das 16 horas, os associados começaram a chegar à sede do clube, donde arrancariam para a missa na Igreja da Sé, às 18 horas. No final da missa celebrada pelo Padre Sobrinho, os motards entregaram várias oferendas impregnadas de simbolismo. “Vimos trazer alguns objectos que do dia-a-dia nos proporcionam segurança e bem-estar. As motos, de quem tanto gostamos, proporcionam-nos momentos de lazer e convívio com pessoas de todo o mundo. Senhor, fazei com que as nossas concentrações promovam a amizade, a concórdia e o espírito de fraternidade entre todos nós”, foi anunciado em princípio de discurso.


As primeiras oferendas levadas ao altar foram um capacete e um fato, enquanto se pronunciava, “dão-nos segurança e protegem-nos dos perigos e obstáculos dos caminhos que percorremos com as nossas motas. Protege-nos Senhor das quedas que, eventualmente, possamos dar nas estradas portuguesas e ao longo da vida. Ajudai-nos a levantar e a seguir em frente”. As flores representaram a terceira entrega. “As flores são o que de mais belo tem a natureza, oferecem-se a quem se ama. Aceitai Senhor estas flores e com elas o nosso Amor”. “O pão e o vinho reconfortam o viajante sedento e faminto. Nós te pedimos Senhor que sacieis a nossa fome e a nossa sede nesta viagem em busca da verdade”, foram as duas oferendas seguintes. Por fim, uma vela acesa, que “simboliza a luz que afasta as trevas e nos guia pela escuridão, que nos mantenha por caminhos rectos em busca da verdadeira felicidade”.

“20 anos de lutas, de muitas alegrias e, também, de algumas tristezas! O Clube deixou a juventude para ser adulto”, Francisco Vara, sócio-fundador

Após a entrega simbólica das várias oferendas à Igreja Católica, as motas estacionadas na Praça da Sé foram benzidas pelo clérigo, bem como os seus condutores. Em seguida, o ramo de flores que seria para colocar num troço do IP4, em homenagem aos falecidos, por causa da chuva, acabou por ficar na sede do Clube, para onde os motards se dirigiram de imediato, após a missa. “De momento, o ramo vai ficar na sede até o colocarmos noutro lado, também para lembrarmos os falecidos e pedir a todos, sem excepção, que não façamos parte desta lista e que Deus nos deixe andar cá durante muito tempo”, foi o desejo maior expresso pelo presidente do Moto Clube, Francisco Vara.


De salientar, um presente oferecido por Paulo Rodrigues, que brindou o Clube aniversariante com um capacete pintado por si. “Apesar de não ser motoqueiro, admiro-os por aquilo que eles fazem e por aquilo que andam. Daí a razão desta oferta!”, revelou este fã de Gimonde.
Na sede do Moto Cruzeiro, estiveram presentes diversos associados de Chaves, Espanha, Mirandela, Alfândega, Vila-Flor e Vinhais, entre outros.


18 de maio de 2010

AGRICULTORES "QUEIMADOS"

As geadas da primeira semana de Maio queimaram quase na totalidade algumas das principais culturas da região

Entre 2 e 5 de Maio, três noites de geadas destruíram, mais de 80 por cento, das culturas com maior rentabilidade na região, sobretudo, da nogueira e do castanheiro. Assim, no dia 12 de Maio, 8 agricultores da freguesia do Parâmio e de Espinhosela solicitaram uma audiência com o Governador Civil de Bragança para discutirem os estragos provocados pelas geadas e potenciais apoios que possam minimizar a situação.
“Viemos aqui falar com o governador civil a ver se ele nos pode apoiar e dar alguma ajuda naquilo que for possível. Como tem apoiado outras coisas, deve apoiar também o problema das geadas pois destruiu-nos a agricultura toda.. Ainda não se fizeram as sementeiras porque a chuva não deixou e agora as geadas acabaram-nos com o pouco que tínhamos”, afirma Manuel Fernandes, da freguesia do Parâmio, um dos agricultores prejudicados pelas geadas. “As culturas ficaram muito afectadas. As nogueiras estão a 100%, as vinhas, os castanheiros, as árvores de frutos, está tudo afectado. Faço parte de várias associações, mas, até ao momento, não vi movimento nenhum, nem por parte delas, nem por parte das juntas de freguesia. Por isso, é que este grupo de agricultores resolveu manifestar-se”, acrescenta.
No Governo Civil, estiveram 8 agricultores, cada um a representar uma aldeia das freguesias do Parâmio (Parâmio, Maças, Fontes e Zeive) e de Espinhosela (Espinhosela, Vilarinho, Cova de Lua e Terroso).

João Pires, agricultor e secretário-adjunto da freguesia de Espinhosela, com terrenos em Vilarinho, uma das aldeias anexas a Espinhosela, refere: “Esta geada tardia veio dizimar por completo a cultura do Castanheiro, nomeadamente, as variedades mais precoces, do Zeive ou Boa-Ventura, mesmo a Judia, nalgumas zonas, ficou queimada a 100%”. “O agricultor, naquela região, tem no castanheiro, praticamente, a sua única fonte de rendimento e, este ano, vai ficar privado dela. Estamos aqui para dar a conhecer a nossa situação e ver em que medida o Governo nos pode apoiar. As geadas vieram prejudicar em muito uma região já por si só bastante empobrecida”, declara este agricultor com avultados prejuízos.
Ao Governador Civil, Jorge Gomes, foram-lhe transmitidos os problemas relativamente às queimas provocadas pelas geadas. “O Governo Civil vai diligenciar junto da Direcção Regional da Agricultura para que desloque às zonas afectadas alguns técnicos que façam o levantamento exaustivo daquilo que aconteceu para, a partir daí, podermos adoptar medidas que minimizem um pouco os prejuízos, se é que é possível fazer alguma coisa”, adianta.
Caso se verifiquem avultados prejuízos, e questionado sobre se o Governo estará, de alguma forma, disponível para subsidiar a produção perdida, Jorge Gomes afirma que essa resposta competirá, apenas, ao responsável máximo, referindo-se ao ministro da agricultura. “O meu único comprometimento vai no sentido de avaliar o que aconteceu, saber se dentro do que aconteceu havia alguma possibilidade de os agricultores o terem evitado, nomeadamente, terem minimizado os prejuízos através de seguros, sabendo, de antemão, que há determinadas culturas que os seguros não cobrem”, declara o Governador Civil.
“É preciso fazer uma análise bem ponderada para quando o assunto for exposto ao ministro seja com alguma credibilidade daquilo que estamos a solicitar. Não podemos é, de repente, pensar que está tudo resolvido e que os agricultores não têm culpa nenhuma. Não é assim. É avaliar, ponderar e submeter ao responsável máximo da agricultura”, conclui Jorge Gomes.


CULTURA & TURISMO

Alfândega da Fé será a primeira localidade transmontana a integrar a extensa rede intercultural do Festival Sete Sóis Sete Luas

Na sua XVIII edição, o Festival Sete Sóis Sete Luas (SSSL) 2010 irá realizar-se pela primeira vez em Trás-os-Montes. Mais concretamente, em Alfândega da Fé, que se tornará no primeiro concelho do Nordeste Transmontano a integrar a rede cultural internacional deste conceituado festival, que tem como presidentes honorários os Prémios Nobel José Saramago e Dario Fo.
O Festival, que acontecerá ao ar livre no centro histórico e em Sambade, nos meses de Julho e Agosto, assume-se como uma fonte de promoção turística e intercultural das 25 cidades e vilas dos 10 países participantes do Sul da Europa e Mundo Lusófono. Os mais de 100 concertos, com cerca de 250 artistas, terão entrada livre, esperando-se uma audiência superior a 100 mil espectadores como, de resto, aconteceu em 2009. Em Alfândega, decorrerão 5 concertos com músicos oriundos do Mediterrâneo (17 de Julho, 7LuasOrkestra), País Basco (24 de Julho, Korrontzi), Itália (30 de Julho, Acquaragia Drom), Cabo Verde (14 de Agosto, Tete´ Alhinho) e Galiza (21 de Agosto, Fia na Roca). O SSSL destaca a música de cariz popular contemporânea e as artes plásticas e os seus principais objectivos passam, sobretudo, pela criação de formas originais de produção artística através da inclusão de criadores oriundos dos países participantes e do diálogo entre culturas, abrangido pela mobilidade dos artistas dos países da rede.
Os espectáculos realizar-se-ão, em simultâneo, nas várias cidades e serão estabelecidas ligações via Internet para que haja uma interactividade e comunicação directa entre os vários países, sendo, assim, a comunicação entre todos.

Música, arte, cultura, gastronomia e turismo são os grandes atractivos de um Festival que já deu provas de si

Nesta edição, Alfândega acolherá, também, de 12 a 19 de Agosto, uma exposição fotográfica com 30 imagens 3X2 metros, cujos principais protagonistas serão os burros. Intitulada de “Hardware+Software=Burros”, esta mostra da autoria de Oliviero Toscani, o italiano responsável por várias campanhas da Benetton, será apresentada pela primeira vez em Trás-os-Montes, apesar de ter sido concebida em 2005 para este festival e de já ter percorrido meio mundo, desde a Bienal de Veneza, à Cidade do México, Roma, Helsínquia, Frankfurt, entre outras paragens.
Este criativo, que fotografou burros de uma raça protegida de Trás-os-Montes como se de top-models se tratassem, pretendeu “chamar a atenção sobre o empobrecimento da inteligência do homem por culpa da tecnologia, transformando o espaço público “em lugar de criação e comunicação”.
Na sua apresentação, a 18 de Março, no Hotel & SPA Alfândega da Fé, estiveram presentes diversas entidades. A destacar, o director do Festival, o italiano Marco Abbondanza e a presidente da autarquia alfandeguense, Berta Nunes, que sublinhou a importância do evento para a divulgação da identidade do concelho através da promoção de produtos locais e regionais, tais como o azeite, a doçaria, o queijo e o azeite. Alguns produzidos pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Alfandega da Fé (EDEAF). Apesar do endividamento municipal, a autarca declara que este é um festival de baixo custo, pois irá custar “apenas 25 mil euros”, sendo que, “parte da verba provém da candidatura de regeneração do centro urbano”, no valor de dois milhões de euros, que estima melhoramentos também no parque verde e a dinamização de outros locais, nomeadamente, com a criação de um itinerário turístico para valorização de monumentos.