15 de julho de 2010

FEIRA TERRA "VILA" FLOR

Xutos & Pontapés são um garante da consolidação da Feira de Vila Flor que, este ano, vê as suas datas partilhas com a Reginorde

De 15 a 18 de Julho, a VIII TerraFlor coincidirá, pela primeira vez, com a Reginorde em Mirandela que se realiza, este ano, não em Maio, mas de 10 a 17 de Julho. Segundo decisão tomada pelo conselho consultivo da Associação Comercial e Industrial de Mirandela, a alteração de data visou “aproveitar as férias, a presença dos emigrantes, a proximidade com o Jet Ski e as Festas da Cidade”.
Quem não se mostrou muito satisfeito foi o presidente da Câmara Municipal de Vila Flor (CMVL), Artur Pimentel, que, na apresentação oficial da Feira, a semana passada, ironizou: “Foi um momento alto de imaginação de Mirandela que, provavelmente, ficará na história, porque nós devemo-nos aproximar dos grandes…”.
O edil, apesar de ter afirmado não existir concorrência, continuou: “O ideal era que houvesse uma feira única localizada num determinado local para toda a região ou, então, uma semana para todas as feiras, Vinhais, Macedo, Montalegre, Foz Côa, Moncorvo, etc. Ficávamos contentes e, depois, fechávamos as portas e trabalhávamos durante o ano”.
Também o vice-presidente da CMVF e coordenador da Feira, Fernando Barros, expressou a sua opinião quanto ao facto da Reginorde coincidir com a TerraFlor: “Eu gosto de ver essas coisas pela positiva. Poderá ser bom para os dois e até ser um movimento pendular se Mirandela conseguir arrastar tanta gente como nós estamos a conseguir. Não há concorrência! Até porque a nossa é uma Feira de produtos regionais e queremos que continue assim”. O azeite, o vinho, as frutas e hortícolas, serão, certamente, os produtos de eleição, aos quais se juntam o artesanato e a pecuária, autênticos chamarizes do concelho de Vila Flor.

Artur Pimentel, ao centro, não esconde algum incómodo quanto ao facto da Reginorde ser na mesma data que a "sua" TerraFlor

Tendo em conta a delicada situação económica que o país atravessa, a organização decidiu reduzir o preço das inscrições para os expositores em mais de 50 por cento, tendo já “mais de 200 stands ocupados”. Em edições anteriores, um stand custava cerca de 80 euros e neste certame o seu preço rondou os 25 euros. De salientar, ainda, que haverá dois dias com entrada livre, quinta-feira e domingo. Na sexta-feira, pagar-se-á 1 euro, o dia do Tributo aos Queen, e no sábado serão 3 euros, o preço máximo para o dia com o cartaz mais forte, dado tratar-se dos pais do Rock & Roll português, os Xutos & Pontapés. “Quem quiser ver os Ídolos no sábado poderá ir a Mirandela, nessa noite, quem quiser ver o concerto dos Xutos & Pontapés virá a Vila Flor”, sublinhou Artur Pimentel.
Com um orçamento ligeiramente inferior ao do ano transacto, 184 400 euros, a Feira de Produtos e Sabores de Vila Flor está consolidada, de acordo com Fernando Barros, que espera cerca de 15 mil entradas durante os 4 dias de feira.
“Devemos tentar ir mais ao encontro, ainda, dos produtores e comerciantes, por forma, a que eles consigam ganhar mais dinheiro, esse é que é o nosso intuito, bem como levar a região mais longe, as suas potencialidades e os seus produtos”, revelou o coordenador da TerraFlor.




EMBAIXADORA DO PORCO BÍSARO


FACTOS

Nome – Carla Alves
Profissão – Directora do Parque Biológico de Vinhais
Data de nascimento – 5 de Dezembro de 1970
Origem – Bragança
Signo – Sagitário
Cor – Verde
Comida predilecta – Fumeiro de Vinhais
Livro que o marcou – “A insustentável Leveza do Ser” de Milan Kundera
Uma citação – A finitude é o destino de todos. Um dia também o sol desaparecerá. (José Saramago)

ENTREVISTA

1 @ @ Há quanto tempo está à frente do Parque Biológico de Vinhais?

R: Desde o fase de licenciamento, que culminou com a abertura ao público no dia 16 de Maio de 2008.

2 @ Como directora do Parque quais são as suas prioridades ou projectos, a curto e médio prazo?

R: O Parque está em constante evolução. O crescente número de visitantes, faz-nos acreditar cada fez mais neste projecto e por isso estamos a dotá-lo de mais valências, como é o caso de um futuro Centro Micológico, de uma Rota Micológica, do aumento da colecção de animais selvagens e de um Parque Infantil. O aumento do número de bungalows, também estará para breve.

3 @ Como é que funciona o Parque em termos de hospedagem?

R: O Parque Biológico dispõe de uma Hospedaria, com 50 camas e um Parque de Campismo Rural, composto por 4 bungalows (chalés em madeira), uma zona para tendas e outra para caravanas.
Os bungalows estão totalmente equipados e têm capacidade para 4 pessoas, as reservas são efectuadas através do contacto 933260304.

4 @ Os bungalows têm muita procura?

R: Têm imensa procura, no último ano a taxa de ocupação aos fins-de-semana foi de 97%, um sucesso! Mas o mais importante é que quem vem uma primeira vez, normalmente repete.

5 @ Foi recentemente inaugurado o Parque da Biodiversidade. O que é que esse projecto acrescentou ao Parque?

R: Este projecto foi o resultado de uma parceria com o Centro de Conservação de Borboletas de Portugal e o Museu de História Natural, de que resultou uma série de painéis com informações sobre plantas e insectos comuns que pode observar com facilidade em diferentes pontos do Parque Biológico de Vinhais – os biospots. No Ano Internacional da Biodiversidade, este projecto sensibiliza para a importância da conservação da natureza.

6 @ Quantos visitantes recebem, em média, por ano?

R: No último ano, registámos 16 mil entradas no Parque.

7 @ Quais são as épocas em que o Parque acolhe mais visitas?

R: Na Primavera e Verão. No final da Primavera por ser o encerramento do ano escolar, recebemos muitas escolas em viagens de final de ano e no Verão porque coincide com as férias da maioria das pessoas. O Natal e a Páscoa também são importantes.

8 @ Como é que classifica o actual estado de coisas em Vinhais?

R: Em progresso! Fumeiro, castanhas, carnes de qualidade, Parque Biológico, Porta Norte do Parque de Montesinho têm conseguido afirmar Vinhais como um excelente destino turístico. Só pode estar no bom caminho…

9 @ E em Portugal?

R: Preocupa-me o actual estado económico do país e, principalmente, o desemprego e as dificuldades de muita gente nesta situação. Acredito que com o esforço de todos iremos recuperar.

10 @ Se pudesse passar uma noite com uma personalidade nacional ou mundial, política, desportiva, cultural ou outra, em quem recairia a sua escolha?

R: Passava-a com o Presidente da Câmara de Vinhais.

11 @ O que lhe tira o sono à noite?

R: A minha filha pequena, quando precisa de mim.

12 @ O que é que considera ser inaceitável num ser humano?

R: O ódio, a violência e principalmente a inveja.

13 @ Se pudesse realizar uma viagem de sonho, que destino (cidade, região ou país) escolheria? Porquê?

R: Uma profunda viagem a um mundo melhor, de paz, bem-estar e felicidade para todos.

14 @ Num documentário sobre a vida selvagem, que animal interpretaria?

R: O Porco Bísaro, porque teimo em não o deixar desaparecer.

15 @ Se o Planeta Terra se extinguisse em 24 horas, o que é que aproveitaria para fazer no pouco tempo que lhe restasse?

R: Tentar impedir que isso acontecesse.

16 @ Para terminar, 3 desejos para o génio da lâmpada?

R: A recuperação de alguém que adoro e que infelizmente está bastante mal, a cura para o cancro e saúde.


GOSTO DE:

Trabalhar, conversar, rir, estar com a família, nadar, ler, viajar, conduzir, decoração, preguiçar, ir às compras, brincar com os filhos, dançar, divertir, passear, comer bem……. e percebas.

NÃO GOSTO DE:

Incompetência, inveja, mentira, calunia, desleixo, desarrumação, arrogância, oportunismo, guerra, fanatismo, doença, estradas transmontanas, dietas, leite e, principalmente, trabalhar muito e ganhar pouco.

11 de julho de 2010

A TERRA DAS TRÊS CAPELAS

Aldeias do concelho de Vinhais são um arco-íris na Natureza e deslumbram pela honestidade das suas gentes e beleza selvagem das suas paisagens

Os mais novos partiram! Para trás deixaram a terra-mãe e uma geração intermédia que os aguarda, impacientemente, por um mês de Agosto. Os emigrantes fazem a Festa e partem com a aldeia no coração. O povo, pouco, faz tudo por tudo numa tentativa de manter vivas as histórias e a tradição. No concelho de Vinhais, estão algumas das aldeias mais intrigantes, rodeadas por paisagens de cor viva esperança de cortar a respiração. Inseridas no Parque Natural de Montesinho, banhadas por rios imersos na boa vontade de gente, ainda, verdadeira, que, por companhia, mais e mais conversa anseia.
“Cruz de Revelhe, antes, era À Cruz porque este caminho ia para outras terras, atravessava Caroceiras para Cabeça de Igreja e atravessava Revelhe para as Peleias”, conta Ana dos Anjos Lopes, sobre a mesma estrada que vai dar a Chaves e a Espanha. “Só que está é um bocado ruim, e há menos movimento, porque há outra estrada melhor que vai ter ali por Lomba até Rebordelo e vai muita gente por lá que já não passa por aqui”, acrescenta o seu filho, António Lopes Augusto.
Foi o pai de António, o falecido marido de Ana Lopes, que, juntamente, com o seu irmão, oriundos de Caroceiras, ajudaram na construção da estrada que agora passa por Cruz de Revelhe. Na altura, feita a “a pá e pico”.“Eles sempre quiseram fugir para aqui porque ao passar a estrada botaram o negócio”, relembra António, o, agora, proprietário do único café e comércio, que procura, à beira da estrada, a oportunidade de negócio.


“A taberna tem pouco movimento. Há dias! Agora ao vir o Verão e tal! Já há mais movimento. Os vendedores ambulantes andam de porta a porta e dão cabo do negócio. Eles trazem tudo. Os da aldeia quando se esquecem de comprar aos outros é que vêm aqui”, lamenta o taberneiro, um homem que, também, se dedica à lavoura. “Esta terra dá de tudo um pouco, batatas, milho, cebolas, mas é só para gasto da casa”, garante.
Numa época anterior a Cruz de Revelhe, fundada em 1958, já existia Revelhe. Situada nem a 1 quilómetro de distância. Nestas duas localidades, que são quase uma e a mesma só, existem três capelas: Santa Bárbara e S. Tomé, de Revelhe; e Capela da Sagrada Família, em Cruz de Revelhe.
Segundo a septuagenária, assim, nasceu a Capela de S. Bárbara: ““Era um senhor que ainda há pouco tempo faleceu. Os familiares ainda lá estão. O senhor esteve muito doente, chamavam-lhe Adolfo, e então pediu uma esmola pelas aldeias para ele curar a doença muito má. Até ali o dinheiro não havia, uns davam 1 quarto de pão e outros davam o que podiam”. A Capela de S. Tomé é a mais antiga das três.

“Pescam boas trutas, bogas, robalos, vem muita gente de fora pescar para o rio Rabaçal”

Também a Capela de Cruz de Revelhe foi construída pelos próprios habitantes. “Fomos nós que comprámos tudo, a aldeiazita, comprámos o santo, fizemos a capela, fomos tudo nós. Ainda nem há 20 anos que construímos a Capela da Sagrada Família”, diz-nos o seu filho, nascido na Cruz de Revelhe. A morar, neste lugar, estão cerca de 17 pessoas. No entanto, no Verão, regressam cerca de 10 a 12 emigrantes que incentivam aos preparativos da Festa da Sagrada Família, no último Domingo de Julho.
Na aldeia de Revelhe, estão, ainda menos, apesar de ser a mais antiga. Cerca de 7 habitantes. Os mesmos que, garantem, que a aldeia no mês de Agosto atinge as 30 pessoas. O seu padroeiro é S. Tomé, mas a Festa é de Santa Bárbara, no primeiro domingo de Agosto.
“Fazemos aqui uma festa bonita, a capela foi feita de novo agora (remodelada), fizemos lá um largo grande. É uma noite com conjunto e tudo, mas temos luz na capela, as vezes a câmara lá empresta o gerador”, descreve Elias Emílio Afonso. De vez em quando, este agricultor de cereal, pão, batatas e feijões, parte de Revelhe para regressar a França, com o intuito de “matar saudades” de Clairmont, cidade que o acolheu e onde trabalhou durante 40 anos.
Quer em Revelhe, quer em Cruz de Revelhe, quando “parte alguém”, a festa, simplesmente, não acontece, e mandam-se rezar missas em memória daqueles que faleceram. “Uma vez morreu um primo nosso, outra foi um rapaz novo, de 40 e poucos anos, que era nosso amigo e até parecia mal fazer festa, ora não é?”, pergunta-nos Ana dos Anjos Lopes.
Para além do rio de Peleias, o rio Rabaçal, a 4 km da Cruz e de Revelhe, é outra das mais valias da região. Um autêntico paraíso no meio da imensidão local, incluindo, até, uma praia fluvial. Um poiso para turistas, veraneantes e, acima de tudo, pescadores. “Pescam boas trutas, bogas, robalos, vem muita gente de fora pescar”, desvenda António.
Paisagens deslumbrantes sublimam terras ricas e apaixonantes