23 de julho de 2010

O ASSALTANTE ARACNÍDEO

Jovem alegadamente relacionado com 18 assaltos a residências permanece em liberdade reincidindo no crime

Desde finais de Abril, que surgiu um novo padrão de criminalidade na cidade de Bragança. Trata-se de furto a residências por escalamento e houve já mais de 20 participações no Comando da PSP de Bragança. Sendo que, dessas, 18 casos foram relacionados com um suspeito identificado na terceira semana de Junho.
A partir de 25 de Junho, já aconteceram mais furtos e o mesmo indivíduo foi identificado noutros casos. A 15 do corrente mês, foi identificado, novamente, numa situação em que foi possível recuperar todo o material furtado, nomeadamente, telemóveis e um computador portátil.
No entanto, o suspeito permanece em liberdade, mesmo após ter reincidido no crime de furto. Apesar de existirem duas ou três situações em que as vítimas conseguem fazer uma identificação positiva do assaltante e outras em que foi possível recuperar o material furtado, o cenário é de resolução complexa para a polícia.
De acordo com o comandante da PSP de Bragança, Amílcar Correia, neste caso, a detenção só é possível através ou de mandado judicial emitido pelo juiz, ou da PSP em flagrante delito.
“A PSP, em flagrante delito, não o tem conseguido fazer. Tem conseguido, após a denúncia dos factos, chegar ao suspeito, encontrar indícios e provas de que é ele o autor dos crimes, tem feito chegar essas provas ao Ministério Público e está a ser dada continuidade aos processos”, relata o responsável da força policial.
O indivíduo, de sexo masculino, tem 20 e poucos anos, já trabalhou numa fábrica em Bragança. Toxicodependente, está, de momento, desempregado e sem rendimento ou quaisquer meios de subsistência.

O calor trouxe o crime consigo e com ele um novo fenómeno, assaltos a residências por escalamento

“Se o tivéssemos apanhado na posse dos itens furtados, provavelmente, mantê-lo-íamos detido. Aí, aportar-se-ia ao flagrante delito. Mas os artigos furtados, apesar de alguns termos conseguido recuperá-los, já não estavam em seu poder. No entanto, há a certeza de ter sido ele o autor dos furtos ao interior das residências”, afirma Amílcar Correia.
Os factos foram participados a tribunal e os inquéritos estão a decorrer, mas, sem flagrante delito, aos cidadãos, só lhes resta aguardar.
“A polícia está a fazer o seu papel, agora, temos de esperar que a justiça faça também o seu”, conclui o responsável, garantindo que: “A polícia está atenta! Não podemos é ir dormir, por exemplo, e deixar portas e janelas abertas!”
O modus operandi do alegado criminoso é o seguinte: geralmente, espera que as pessoas se deitem para que possa, então, por uma janela ou varanda, aceder ao interior das residências, roubando carteiras, computadores, dinheiro, jóias e tudo aquilo a que possa deitar a mão.
O Jornal Nordeste conseguiu falar com a proprietária de uma vivenda localizada numa avenida da cidade que foi alvo de uma tentativa de assalto. “Por volta da meia-noite e meia, estava a ver televisão e senti o vizinho do lado a chamar. Foi ele que ligou à polícia, pois avistou um indivíduo a tentar entrar pela janela da cozinha. Eu não me tinha apercebido de nada”, descreveu Rosa Rodrigues.


MÚSICA É TRADIÇÃO

“Galandum Galundaina”, “Pé na Terra” e os espanhóis “Campo Aspero” irão dar música ao Festival “internacional” da Lombada

Está prestes a começar o Lombada - Festival de Música e Tradição, marcado para o próximo fim-de-semana em Palácios. Naquele que é, certamente, um dos mais antigos festivais de música tradicional do distrito de Bragança, promete-se cultura, música e tradição. E espera-se, por parte dos convivas, um apetite imenso para os deliciosos enchidos e refeições confeccionadas pelas senhoras da aldeia. E na Lombada, quando se promete algo é para cumprir. E assim tem sido, ao longo destes últimos 12 anos, altura do surgimento do Festival que é já uma imagem de marca de toda a região. O seu cartaz, honra, mais uma vez, a beleza e a hospitalidade de Palácios e suas gentes. O sábado amanhecerá cedo, por volta das 9:30, altura da segada manual.
“A Associação achou, por bem, reviver o ciclo do pão. Daí que haja uma segada manual. Esta será acompanhada de música e por cânticos próprios, aliás, como antigamente o eram os outros ofícios. Era uma maneira de aliviar, pois a música retira, sempre, algum do cansaço, e paravam, inclusive, para cantar”, destaca o presidente da Associação Cultural Recreativa e Ambiental de Palácios, Raul Tomé. Recorde-se que a segada e a malha foram, apenas, introduzidas nas festividades há 8 anos. “Como a agricultura era, de facto, a fonte de rendimento e subsistência das nossas aldeias, é normal que seja importante para nós fazermos renascer a segada e a malha”, acrescenta o responsável.


Seguir-se-á o almoço comunitário, a abertura da feira de artesanato e de produtos da terra e, de novo, a comida está na mesa, com mais um momento de convívio patrocinado pelo jantar. “O ano passado, no sábado, estiveram cerca de 150 pessoas ao almoço. Servimos também almoços com comida tradicional da segada. Antigamente, era a canhona, hoje, é caldeirada de cordeiro, bem mais tenrinho. No domingo, haverá, também, jantar, que o ano passado reuniu 250 pessoas”, relembra Raul Tomé.
Os grupos musicais estão reservados para a noite. O primeiro a actuar será “Galandum Galundaina”, um grupo que vive, agora, no seu apogeu, tendo feito muito pela gaita tradicional e pela padronização da gaita portuguesa. Depois, será a vez dos espanhóis “Campo Aspero”, mais um grupo de referência na arte da música tradicional.
“Desde há 8 anos para cá que temos trazido, em cada festival, um ou dois grupos musicais espanhóis, graças ao Paulo Preto do Galandum e ao Paco Dias, que colaboram gratuitamente com a Associação. Continua a ser o Lombada – Festival de Música e Tradição, mas tem sido internacional. Só não tem lá o nome!”, ironiza o, também, professor de português.
Domingo, será a vez da religiosidade ser tocada no sino da Igreja de Palácios. Às 16 horas, decorrerá o 12º Encontro de gaiteiros e tocadores do nordeste. De registar que foi devido a estes encontros que nasceu o Festival de Música e Tradição. Após mais um jantar comunitário, o Festival termina em palco com o grupo musical “Pé na Terra”.
Espera-se anseio pela tradição como, de resto, tem sido apanágio em edições anteriores, com um público maioritariamente jovem, muitos emigrantes e pessoas vindas de todo o lado, cujas preocupações sejam não só, mas também, culturais.

21 de julho de 2010

"O PÃO INTEIRO"

Vila Flor reafirma a sua proximidade “do mundo” após investimentos rodoviários (IC5, IP2, A4) que potencializarão o concelho

“Nós temos a memória curta! Passámos a vida a dar vivas a gente que passou o tempo a deitar-nos migalhas e, hoje, parece que estamos a esquecer o homem que, efectivamente, e de uma vez por todas, nos trouxe o pão inteiro, que são as três vias”, referiu o presidente da Câmara Municipal de Vila Flor (CMVF), Artur Pimentel, na apresentação oficial da Feira de Produtos e Sabores.
“Eu próprio lutei muito por estas estradas e estou muito agradecido, de facto, ao homem que contra tudo e contra todos arrancou com todas estas estradas ao mesmo tempo”, reiterou o edil. A importância destes investimentos (A4, IC5 e IP2), que estão a ser conduzidos em Trás-os-Montes , é tanta para o concelho que na VIII TerraFlor houve um colóquio subordinado ao tema.
“Entendemos que deveríamos consciencializar as pessoas das enormes potencialidades dos três investimentos. Principalmente, no caso de Vila Flor, onde se cruza o IC5 com o IP2. Acho que toda a região deve ter conhecimento deste facto e os produtores e a população em geral devem sentir e reflectir sobre isso”, defendeu o vice-presidente da CMVF e coordenador da Feira, Fernando Barros.
“Nós não devemos continuar a dizer que estamos longe das cidades e do mundo. Com estes investimentos estamos próximos de tudo. E, portanto, esta é uma potencialidade que nós não devemos desperdiçar”, acrescentou o responsável.
Foi sublinhada, no entanto, a ambivalência de tamanhos investimentos. “As estradas trarão prejuízos para a região se esta não estiver preparada para as receber e, se assim for, não tenho quaisquer dúvidas que elas serão mais úteis ao Porto, a Lisboa e a todo o litoral do que, propriamente, a Trás-os-Montes”, afiançou o autarca.

Vila Flor será o único concelho do distrito de Bragança onde se cruzarão o IC5 e o IP2. Um facto que a autarquia fez questão de salientar

De acordo com Fernando Barros, “uma estrada tem sempre dois sentidos. Agora, nós devemos usar aquele que nos dá mais jeito e é isso que temos que despertar nos nossos concidadãos”.
Outro alerta dado pelo vice-presidente da CMVF tem a ver com o desconhecimento da obra massiva em curso, sobretudo, no concelho de Vila Flor, onde, das vias rodoviárias que o trespassam, não se consegue descortinar ou, tão pouco, calcular a magnitude dos investimentos. “As pessoas costumam dizer-me que “na zona de Carrazeda, de Samões, é que se está a construir”, mas, só, porque é a zona visível junto à estrada. Elas não fazem ideia do que é que se está a construir aqui ou em outros concelhos como Alfândega, Mogadouro e Alijó”, argumentou o coordenador da Feira.
Outra das significativas vantagens da reformulação e criação dos eixos viários, tem funcionado, ao longo dos últimos dois anos, segundo Artur Pimentel, como “uma alavanca a suportar o desemprego que haveria”, caso as concessionárias das estradas não requeressem mão-de-obra do concelho.
O que tem impedido, de certa forma, um aumento exponencial da taxa de desemprego como, de resto, tem acontecido no país. “O concelho de Vila Flor, de há dois anos para cá, tem mantido o índice de desemprego, havendo, mesmo, uma pequena redução”, destacou a edilidade.
Outra das medidas advogadas por Artur Pimentel, passa pela criação de uma zona industrial não concelhia que cobrisse o sul do distrito, “à séria”, situada na confluência do IP2 e IC5, próximo da Vilariça, para combater o desemprego e fazer face ao futuro.

“O IP4 foi, sempre, mais benéfico para o Porto do que para Bragança”, afirmou Artur Pimentel, na esperança de que o mesmo não aconteça com a futura Auto-Estrada Transmontana