29 de julho de 2010

A DIVINA COZINHA DE CHAKALL


O turbante e o forte sotaque argentino são a imagem de marca do Chefe argentino Chakall. Para além de dois restaurantes, o segundo aberto, recentemente, no Porto, este mestre da culinária exerceu a profissão de jornalista no diário El Cronista de Buenos Aires e era crítico de música para a Rolling Stone antes de partir do seu país de origem. Desde a sua chegada a Portugal, já participou e protagonizou diversos programas televisivos, nomeadamente, na Sic Mulher. Nos últimos tempos, foi-lhe atribuído um prémio internacional pelo seu livro “Cozinha Divina”, fruto da sua vocação de eterno viajante.

ENTREVISTA

1 @ Este país recebeu-te de braços abertos e aqui tens conhecido o sucesso. Como vieste parar a Portugal?

R: Vim a Portugal por um ano, preparar uma viagem a África, onde estive, depois, dois anos. Mas, voltei, e fui ficando... Gosto muito! Acho que é um país fantástico para se viver.

2 @ Ficarás por cá? Dado que a tua família está na Alemanha...

R: É uma pergunta para a qual eu não tenho resposta. Eu estou aqui porque gosto e vou ficando, vou ficando, o dia em que não goste, partirei. Uma manhã, decidi sair da Argentina e, três meses depois, tinha-me ido embora. Vendi tudo, deixei tudo porque estava chateado comigo mesmo no país onde vivia. Estou sempre a viajar... Trabalho em França, no Médio Oriente, na China. Ainda, agora, abri outro restaurante no Porto, mas não há dinheiro que me faça ficar fechado num restaurante. Preciso ar, estar com pessoas, mudar completamente...

3 @ Mas porque é que não trazes a tua mulher e os teus três filhos para a tua mais recente morada?

R: Já cá estiveram, mas é difícil por causa da escola. Não consegui lugar na creche na Lourinhã durante um ano e meio. A política neste país é uma vergonha, fecha os hospitais e obriga as pessoas a viver na cidade. Viver no campo é suicida!

4 @ Já passaste por todos os continentes? E se tivesses de escolher um...

R: Já estive em todos, mas o meu continente preferido é África! Sem dúvida! A gente, as pessoas, não é um lugar para viver porque tens um lado mau, a miséria e a pobreza, mas é um lugar fantástico humanamente. Adoro África, pois acho que é muito pura! Agora, para viver, Portugal, precisamente onde vivo, na Lourinhã. Cada país tem as suas particularidades. Não há países perfeitos, mas, para mim, este é o menos imperfeito.

5 @ Em que é que te inspiras para criares algumas das tuas receitas?

R: No dia-a-dia! Em comer... Agora, por exemplo, vou perguntar onde é que se come bem e, se calhar, uma pequena coisa que aprenda pode dar-me um click e inspirar-me. Viajar e conhecer pessoas é o melhor para fazer novas coisas.

6 @ Estás sempre muito bem disposto, brincas com as pessoas, dás música aos convidados e danças enquanto cozinhas. Para além do turbante e do sotaque, essa é a tua imagem de marca como Chefe?

R: É uma brincadeira que eu faço. Eu rio-me um pouco do estereótipo do chefe de cozinha com toda a sua seriedade. Não é preciso estar com cara de mau ou mandar numa cozinha aos gritos. Sou a quarta geração de cozinheiros na família e já vi de tudo. A minha mãe era um sargento dentro da cozinha, mas eu acho que se trabalha muito melhor e com melhores resultados se estamos tranquilos. Respeito. Não é preciso estar com uma faca a perseguir os empregados ou gritar e sentir-se um ser superior como eu acho que acontece muito com os chefes.


7 @ Porquê a música enquanto confeccionas as tuas receitas?
R: A música faz parte da vida! Eu sou jornalista de formação... Trabalhei 7 anos num jornal como crítico de música. Por isso, música e comida acho que são vida!

8 @ Como te iniciaste na cozinha?

R: Eu com 15 anos já era chefe de cozinha no restaurante da minha mãe, onde cresci. Mas fartei-me da cozinha e ingressei no jornalismo. Ainda gosto e escrevo e faço um pouco de tudo. Eu acho que nunca deixamos de fazer nada na vida, vamos é acrescentando outras coisas. Vou escrevendo uns artigos para uma revista de viagem, sob o ponto de vista de um cozinheiro. Falo de tascas e não só de Portugal, mas também de fora. Aproveito e tiro umas fotos e faço umas brincadeiras sobre a visão de um chefe de outro tipo de comida.

9 @ Agora, está na moda um novo tipo de cozinha, a molecular? Que opinas?

R: É uma palhaçada! Não é o meu estilo, eu vivo no campo, sempre fui saloio e não me interessa pôr químicos na minha cozinha.

10 @ Projectos a curto-prazo? Alguma ideia em mente?

R: Agora, vou fazer uma roadtour por Portugal e virei a Trás-os-Montes. Bragança e Mirandela estão na rota desta viagem pelo país. Irei fazer novos pratos transmontanos com produtos da região. Vou inventar uns novos... É uma roadtour com uma carrinha, uma cozinha portátil e vou cozinhando utilizando só produtos locais. Já começou e vai durar até Setembro. Tenho é de combinar com as Câmaras para incluir as suas localidades dentro do percurso. São 24 Câmaras, 3 receitas por cada, e a ideia é fazer um novo livro de culinária com 72 novas receitas utilizando só produtos locais. Há muitos produtos que se exportam e os portugueses não conhecem.

11 @ E para quando o teu regresso à televisão?

R: Estou a gravar um novo programa para a televisão, “Chakall e Pulga”, em que viajo pelo país de mota com o minha cadela. Passará na Sic Mulher em Setembro ou Outubro... Também estou a gravar na China para a National Geographic e na Alemanha para um outro canal.


ESQUECIDA, MAS NÃO PERDIDA

Um caminho digno de acesso ao cemitério, construção da Casa do Povo concluída e estradas da aldeia arranjadas são algumas das pretensões dos habitantes de Cabeça de Igreja

“É a aldeia mais pobrezinha do concelho de Vinhais. Quero que fotografe isto tudo! O presidente não faz nada e a junta de freguesia (de Tuizelo) muito menos. Dizem eles que não há dinheiro para fazer as obras. Mas algumas aldeias estão bem ajeitadinhas. Deve ser mais amigo de alguns do que dos outros”, desabafa Francisco António Gonçalves, um dos muitos habitantes de Cabeça de Igreja.
Emigrado em Angola durante 15 anos, este homem, que se dedica, ainda, à pastorícia, criando 2 vacas e um vitelo, manifesta-se contra a falta de zelo por parte dos autarcas, afirmando que, a aldeia não está perdida, mas, antes, que foi esquecida no espaço e no tempo.


“Deviam limpar isto e fazer umas obrazinhas que fazem muita falta por aqui. Um caminho para o cemitério que daqui a pouco nem a funerária lá vai. As estradas da aldeia estão todas esburacadas. Temos a casa do povo para acabar, pararam as obras e nunca mais recomeçam”, lamenta
Francisco António Gonçalves chega mesmo a comparar o feitio da casa do povo com o de um palheiro: “são dois palheiros, a escola velha e a casa do povo que estavam a construir”.
Filhos tem dois. Um na Marinha e uma jovem prestes a concluir o curso de Farmácia. “Comprei um carro novo para ela de presente assim que terminar o curso. Já está ali em baixo, à porta de casa, à espera”, revela o pai babado. Mas não está sozinho... “Mulheres tenho as que quero, mas estou com uma rapariga nova”, de 50 anos.


Com mais de 100 habitantes, Cabeça de Igreja está inserida no habitat do Parque Natural de Montesinho e tem vários pontos de interesse como a Serra da Coroa e o rio Rabaçal, com direito a praia fluvial.
Como património arquitectónico, destaca-se a Igreja de S. Bartolomeu, que é, também, o padroeiro da aldeia. A Festa de S. Bartolomeu é a 24 de Agosto e, segundo João Batista Borges, é nesse mês que “vem muita gente”. Regressou de Bordéus após 30 anos “a cortar pinho”. “Estive em França, mas já estava cheio de estar por lá. Quando cheguei, ainda botei vacas e andei com a lavoura, agora, já não faço nada. Vendi tudo que eu e a patroa estamos doentes”, revela este pai de uma professora em Vila Pouca de Aguiar.

A Casa do Povo, "o barraco", ainda, por construir

TESTEMUNHOS

João Batista Borges, 81 anos

“Aqui estão a morar poucos pessoas. São cerca de 30 fogos com duas, três ou quatro pessoas em cada um. Mas no mês de Agosto vem muita gente!”~

Delfim do Nascimento e a burra, Jibóia

“Vim agora do campo de carregar umas batatas. Ainda dá para plantar, mas pouca coisa. Tenho a vinha, feijão e batata, para comer só.”

Francisco António Gonçalves, de 76 anos

“Tenho duas vaquinhas que sou pobrezinho. A Rocha, que está grávida, e a Castanha. E mais um vitelo. Não sei que nome lhe ponha... Que é que acha? Tarzan ou Hércules?”



PRUDÊNCIA NA CONDUÇÃO

Governo Civil, PSP e GNR dão as mãos em prol da sensibilização para a segurança rodoviária

Um conjunto de acções de prevenção e sensibilização para a segurança rodoviária foi levado a cabo pelo Governo Civil e Comandos da Polícia de Segurança Pública e da Guarda Nacional Republicana do distrito de Bragança. O seu raio de actuação visou as principais saídas para o IP4, onde se incluem a Rotunda do Nerba e a Rotunda do Modelo, entre as 17:30 e as 19:30.
“A segunda quinzena é sempre a mais forte em termos de início de férias. Daí esta Campanha de Verão ter arrancado neste dia (16 de Julho), prolongando-se, obviamente, durante todo o mês de Agosto”, justificou o Governador Civil de Bragança, Jorge Gomes.
Segundo dados providenciados por este responsável do Governo, desde 1 de Janeiro, já se registaram, oficialmente, oito mortos no distrito resultantes de acidentes rodoviários.
“São números preocupantes comparativamente ao ano anterior. A importância desta acção é que é uma acção conjunta da PSP e da GNR. As pessoas têm de ver que nas forças de segurança não há divisão e zelam, em conjunto, pelo interesse e segurança do cidadão. Esta é uma forma simbólica de o demonstrar”, destacou Jorge Gomes. “Mas o mais importante é alertarmos as pessoas para as grandes causas da sinistralidade”, acrescentou.
Uma automobilista, mandada encostar pelas forças policiais, mostrou-se bastante agradada pela presença efectiva dos agentes no terreno. “Estas acções são sempre importantes para que os cidadãos sejam esclarecidos e não, apenas, punidos. É natural sentirmos alguma vigilância por parte das autoridades e este acompanhamento é pertinente, sobretudo, nesta época do ano”, respondeu Carla Araújo, de Valpaços.

“Depende do condutor a diminuição da sinistralidade”, Amílcar Correia

O comandante da PSP de Bragança, Amílcar Correira, numera os 4 factores essenciais na área da segurança rodoviária, assinalando que são, sobretudo, os factores humanos os causadores de acidentes. “Respeitem os limites de velocidade, não bebam álcool, usem o cinto de segurança e não usem o telemóvel no exercício da condução”, destaca, reafirmando a importância de uma condução defensiva.
Nas cidades pelas quais é responsável, Bragança e Mirandela, houve, desde o princípio do ano, mais de 40 vítimas em consequência de acidentes. Estes, incluem atropelamentos, despistes e colisões. Assim, os números cifram-se em 2 mortos, ambos na cidade de Mirandela, 8 feridos graves e mais de três dezenas de feridos ligeiros. De salientar que, estes últimos, aumentaram 25 por cento em relação ao ano passado.
“A PSP e a GNR têm áreas territoriais e de influência distintas, mas as suas funções são as mesmas, portanto, complementam-se, e trabalham em conjunto sempre que é necessário. Nós trocamos informações operacionais tácticas em permanência, agora, o que acontece, normalmente, é que não estamos a trabalhar no mesmo sítio”, explicou Amílcar Correia.
Quanto ao início complicado de 2010, o comandante da GNR, Martins Fernandes, afirmou: “Apesar de um maior número de acidentes, não quer dizer que, no final do ano, o conjunto não venha a reduzir”. Pesem embora as elevadas coimas, a sinistralidade continua a aumentar, em grande parte devido à dificuldade em mudar mentalidades. “Os portugueses aprenderão! Mas esta cultura defensiva e de cuidados a ter nas estradas leva muito tempo a inculcar nas pessoas”, declarou.


Portagens: sim ou não?

O Governador Civil de Bragança afirma não ter conhecimento se haverá ou não portagens na Auto-Estrada Transmontana, não querendo comentar as decisões contraditórias do Governo, nomeadamente, do Ministro das Obras Públicas, António Mendonça, que, primeiro, disse que seria portajada e, depois, disse que não. “Isso terá que perguntar ao Sr. Ministro. Sobre as portagens, ainda muita tinta irá correr... A grande notícia é que foi ontem (dia 15), finalmente, aprovada pelo Tribunal de Contas, a construção da Auto-Estrada Transmontana. Isso é o que, hoje, temos todos de festejar! O resto são, apenas, pormenores”, declara. “Ninguém quer pagar portagens, mas não podemos ser tão ingénuos ao ponto de pensarmos que se pode fazer tudo neste país sem ninguém pagar nada. Não acredito!”, conclui Jorge Gomes.