21 de agosto de 2010

"IDENTIDADE"

Mais de 7000 downloads na internet da Mixtape do rapper brigantino MK, apresentada oficialmente em Julho

Decorreu, no mês passado, o lançamento ao público da Mixtape “Identidade” de Jorge Rodrigues aka MK. São 21 temas gravados, misturados e masterizados pelo próprio, numa composição já com mais de 7 mil downloads (www.myspace.com/mkakanocivo), na qual se incluem participações de outros músicos. No Espaço Domus (Shopping do Loreto), marcaram presença Tombo (Porto), Sakid (Odivelas), Krane e B-Fatz, ambos de Bragança, artistas convidados que fizeram questão de trazer as suas sonoridades ao palco.
A festa teve início com a projecção de alguns vídeoclips de hip-hop tuga, seguindo-se o dj set de Tombo, onde foram bem visíveis as suas "skills" de turntablist e de mistura. O anfitrião desta festa foi Sakid, elemento pertencente ao colectivo Nova Guarda, que, ainda, durante a actuação de Tombo, começou por dinamizar e cativar o público com alguns improvisos.
Dava-se, então, início ao concerto, onde MK começou por interpretar a intro da sua mixtape. No final desta primeira música, o jovem brigantino chamou à sua companhia Krane e B-Fatz, os elementos do seu novo grupo Fado Vadio, que já se encontram a preparar o seu EP de estreia "Lágrimas da Calçada".


“Apresentei músicas nos mais variados estilos, sempre com uma palavra de ordem: Real! São faixas todas elas muito pessoais”, confirma Mk. Realidades que se podem constatar, após se ouvir “Identidade”.
Numa actuação próxima dos 60 minutos, ainda restou tempo para a improvisação de alguns mc's que se encontravam na plateia, desde rookies aos mais experientes. Segundo Jorge Rodrigues, isto, há uns anos atrás, não acontecia, dado que, actuavam apenas os nomes inscritos previamente em cartaz. “Isto é sinal de que o Movimento Hip-Hop, em Bragança, está a evoluir, a ganhar mais adeptos e participantes. Logo, foi mais um passo em frente nesta longa caminhada pela evolução”, revela Mk.
O videoclip "Movimento Alternativo", disponível no Youtube e a rodar na SIC Radical, irá estar, brevemente, no programa "MTV YO RAPS", do canal televisivo MTV.

ALMA AZUL E BRANCA

 Apresentação do livro “Apitos Finais, Dourados... E algo mais!” de Sardoeira Pinto em Alfândega da Fé

Decorreu na Casa da Cultura Mestre José Rodrigues, a 5 de Agosto, a apresentação de “Apitos Finais, Dourados... E algo mais!”, um livro de Sardoeira Pinto, uma das mais antigas e prestigiadas entidades do clube azul e branco. Numa vila sobejamente conhecida pelo dragão ao peito, devido em grande parte às muitas iniciativas desenvolvidas pela Casa do Futebol Clube do Porto FCP) de Alfandega da Fé, o presidente da Assembleia-Geral do FCP veio, directamente, da Invicta explanar o conteúdo da sua obra mais recente. Uma que visa, "em verdade",  escudar o bom nome do clube que, com tanto orgulho, representa.
“É um livro que não é contra ninguém, mas é contra as injustiças. A certa altura, é do conhecimento do público em geral, houve uma onde de insanidade, digamos assim, através da qual se pretendeu atingir o FCP. Eu segui tudo isso com muita atenção, até pelas funções que eu exerço dentro do clube, e entendi que devia tomar uma posição”, relembra Sardoeira Pinto, referindo-se ao caso do “Apito Dourado”, no qual o presidente do FCP, Pinto da Costa, era um dos acusados.
De acordo com este vulto notável, não só do clube portista, como também do dirigismo em Portugal e, sobretudo, do norte do país, houve três grandes motivos que o levaram a escrever este livro. “Primeira, porque sou o sócio número 15 do FCP, vai fazer quase 75 anos; segundo, porque presido ao universo azul e branco vai para os 30 anos; e, terceiro, porque a gente do Porto, eu sou do Porto, pode tolerar más criações, pode tolerar atentados de várias ordens, não tolera é, de maneira nenhuma, injustiças”, advoga este portista de alma e coração, actualmente, com 76 anos.

“A verdade foi reposta e as más línguas calaram-se”, disse Sardoeira Pinto, insurgindo-se contra o célebre caso do “Apito Dourado”

“Com todos os males que a nossa justiça tem, e eu estou à vontade para dizer isto porque sou advogado há 50 anos, acabou por dar razão a quem tinha que a ter. Ninguém conhece dos grandes nomes que foram acusados um que tivesse sido condenado. Foram todos absolvidos”, defende Sardoeira Pinto.
O presidente da Casa do FCP de Alfândega da Fé, Jorge Gomes Além-Douro, explica o porquê desta visita de peso e a importância para os seus mais de 200 sócios. “Esta é uma figura histórica do FCP e cabe-nos a nós, como uma das suas filiais, tentar desenvolver aqui, na nossa terra, actividades onde possamos trazer o nosso clube de encontro aos seus adeptos”, refere o responsável.
“A Casa do Porto 85 de Alfândega da Fé tem tido um apoio muito grande por parte do nosso clube e é para isso que trabalhamos e vamos fazer mais ainda… Quem sabe? Talvez até mesmo a visita do nosso presidente (Pinto da Costa)”, adianta Além-Douro.
Recorde-se que, ainda, no ano transacto, o presidente do Clube Azul e Branco, Pinto da Costa, veio a Alfândega da Fé, na ocasião, para inaugurar as novas instalações da Casa do FCP. “Temos uma casa sempre a crescer e é esse crescimento que devemos mostrar e é essa a mensagem que queremos transmitir”, conclui.

17 de agosto de 2010

"ARRUMADOS COMO O LIXO"

Péssimos cartões de visita às portas da cidade resumem-se a três acampamentos ciganos aos quais a autarquia é tão indiferente como promessas de uma década

No Ano de Combate à Pobreza e Exclusão Social, são mais de 200 os ciganos na região que continuam, desde 1990, no limiar da degradação humana. Marginalizados, sobrevivem na dependência da Segurança Social.
Em Bragança, a pobreza está reflectida na história de três acampamentos ciganos votados ao abandono. São dezenas de crianças pertencentes a numerosas famílias sem as mínimas condições de higiene e conforto. Ratos, cobras, insectos e lagartos patrulham os vários quartos traçando a roupa e infestando um ambiente, já por si só, contaminado. Sem água quente, casas de banho e, no acampamento do Bairro das Touças, não existe sequer um mero contentor do lixo nas proximidades. Neste refúgio desolador, que nasceu no local da extinta lixeira, perto do cruzamento de Donai, vive Eduarda Clarice há 20 anos.
“Esta terra está suja e a bicharada é demais, por causa da antiga lixeira é que a terra por baixo está toda infectada. Há lagartos, cobras, ratos. Às vezes, estão os garotos a dormir e acordam com aquelas bichas a andar. Isto aqui é enfermidade!”, afirma revoltada esta mãe de 9 filhos.
Com perto de uma centena de ciganos, o acampamento está povoado, na sua maioria, por crianças. “Temos aqui um rebanho de filhos e para a escola e para o ciclo sabe Deus como é que eles vão porque no Inverno não é nada fácil. Isto é uma vergonha! Para os lavar e vestir sem casa de banho, sem água quente… Luz temos, mas a habilidade é nossa”, revela.
De acordo com Eduarda Clarice, a sua família, entre outras, inscreveu-se no Pré-habita e a Câmara Municipal de Bragança (CMB), há 10 anos atrás, prometeu-lhes fazer um bairro social, com o propósito de os retirar daqueles terrenos baldios e proporcionar-lhes uma vida mais condigna.
A autarquia tinha em curso um projecto para realojar 26 famílias do concelho onde reside uma parte significativa desta comunidade, no entanto, os ciganos asseguram nada ter sido feito. O Jornal Nordeste tentou, por diversas vezes, entrar em contacto com a CMB, mas sem sucesso.

“Prometem e não cumprem. Isto é uma vergonha! Haviam de botar os olhos aqui no povo”, Eduarda Clarice

“Há 10 anos que estamos à espera disso... Só promessas! Somos ciganos e estamos arrumados como o lixo. A Câmara sabe bem a situação em que estamos e nunca cá vi nenhum técnico. Eu só vejo é os ciganos enroscados nos lagartos e nas cobras”, relembra angustiada. “E no último ano já deram, uma vez 12, outra vez 6 e outra vez 3 casas nos bairros sociais da câmara, mas aos ciganos nunca deram propostas nenhumas”, garante Eduarda.
Desmotivados e sem qualquer anseio ou vontade de falar, “fartos de promessas” e de pessoas que aparecem “de visita”, “cheias de boas intenções”... Foi assim com o patriarca do acampamento cigano, que se negou a prestar declarações. “Pedem-nos para falar, mas depois saem daqui e vão ao presidente da câmara, ele dá-vos algum dinheiro e nunca sai nada. Foi assim com outros, muitos, que já passaram por aqui. Até de Lisboa, da SIC e da TVI, eles é que ganham dinheiro”, disse, enquanto virava costas para desaparecer no amontoado “de barracos”.

Numa carrinha encontra-se a cozinha de Celeste do Nascimento 

Já Celeste do Nascimento vive no acampamento da Avenida Abade de Baçal, perto da Escola Primária do Campo Redondo, com a sua família, num total de 15 pessoas. Nas suas queixas, também aponta o dedo à CMB por incumprimento de promessas.
“Já estou aqui há 20 anos. Há 10 que a Câmara me prometeu uma roullote para dormir eu e o mais novo e ainda nada. Recebo 230 euros da Segurança Social, desde que fui operada, só para a tensão gasto 160 euros em medicamentos. Tenho vezes em que não dá para comer”, lamenta-se.
Esta matriarca do acampamento da Avenida, tem numa carrinha a sua cozinha, enquanto que, o seu quarto, bem como todos os seus pertences, estão naquilo que resta de uma roulotte, onde dorme com o seu filho.
Quer Eduarda, quer Celeste, estão dispostas a pagar uma renda simbólica por uma habitação. “Eu não me importava de pagar uma renda simbólica, dentro das minhas posses, pagar a água, a luz e ter as minhas condições como têm os demais... Não é aqui no barraco que nem a gente dorme com o medo às cobras e aos bichos. Vai a gente a vestir a roupa e está toda roída dos ratos. Isto aqui é uma miséria!”, protesta Eduarda. Apesar de receber 500 euros da Segurança Social, assevera não ser suficiente: “Que é isso? Tenho 9 filhos e nós aqui compramos tudo, do sal à água”.
“Na mente deles, hão-de achar que não somos cidadãos como eles e, por isso, não temos direito a regalias. Mas eu acho que somos de carne e osso, iguais aos outros. Tanto dá que seja cigano, como preto, amarelo ou azul. Independentemente da raça, todos temos direito à vida”, defende, com palavras que encontram eco nos habitantes do acampamento cigano do Bairro dos Formarigos, bem perto da escola do 1º ciclo...  

TESTEMUNHOS

Eduarda Clarice

“Para irmos fazer as nossas necessidades, temos de ir aí para o monte. Às vezes, esbarramos os homens com as mulheres e as mulheres com os homens. É uma casa de banho sem porta.”

Celeste do Nascimento

“Eu queria sair daqui, se a Câmara me desse outro sítio era o que eu faria. Não me importava de pagar uma renda simbólica, um valor baixinho. Mas não tenho esperança nenhuma! Eu sempre vi o meu futuro mal parado desde que vim para Bragança.”