8 de setembro de 2010

MANOEL DE OLIVEIRA


"PARAR É MORRER!"

FACTOS

Nome – Manoel de Oliveira
Idade – 101 anos
Data de nascimento – 11 de Dezembro de 1908
Origem – Porto
Profissão – Realizador
Local – Museu Abade de Baçal

ENTREVISTA

1 @ Quais são os seus sentimentos relativos a Portugal?

R: Do Porto, nasceu Portugal, a palavra... De Lisboa, nasceu o fado.. O fado em que caímos agora. O fado económico.. O da guitarra, só tem uma corda!

2 @ Ao longo das últimas décadas, assistiu a várias alterações de fundo no país? Mas o que é que mudou, de facto?

R: As pessoas são sempre as mesmas. O que muda são aspectos exteriores, mas o homem não mudou. Eu acho que as coisas não mudam, o que muda são as circunstâncias e não, propriamente,a índole das pessoas. Essa é a mesma! Conserva-se sempre. Mas é o progresso. O mesmo que nos traz mais conforto e mais desconforto como se verifica agora com as inundações, os incêndios, as tempestades, a chamada crise. Isso é que muda! Mas a natureza do homem será sempre a mesma!

3 @ E quanto à região Norte, sobretudo, o Nordeste Transmontano? Desde há 50 anos, altura em que gravou o documentário “Acto de Primavera”...

R: Eu cheguei agora... Era preciso que eu tivesse aqui uma presença mais demorada para saber o que é que mudou. Mas, uma coisa que costuma mudar é uma espécie de descaracterização das vilas e das cidades, que deixam perder aquele aspecto mais profundamente característico que é a própria conservação desses traços. Ao contrário de outros países.... Hitler bombardeou Varsóvia e a cidade foi reconstruída através de fotografias e pinturas de Canaletto para repor a cidade como era. Aqui, há a tendência de descaracterizar tudo, rasgar avenidas, prédios novos em sítios velhos, em vez de os fazerem em sítios novos, conservando aquilo que havia. Mas não vamos entrar por esse caminho..

4 @ Viveu alguns dos maiores momentos da história contemporânea da humanidade. Que momentos foram esses que o marcaram realmente?

R: O momento mais marcante de Portugal para quem viveu este tempo em que eu vivo foi, realmente, o 25 de Abril.

5 @ E a nível mundial?

R: Nós estivemos, tranquilamente, em Portugal! Até rima... Não tenho razão de queixa, nas viagens que eu fiz lá fora fui sempre bem atendido... Lumiere filmou a chegada do comboio à estação e o público, quando ouviu o seu barulho, no cinema, fugiu com medo que passasse sobre eles. Depois, do aparecimento do comboio criaram-se as máquinas a vapor e apareceu, então, a indústria capitalista. Esta, criou o operariado e o operariado criou Marx. Marx criou o comunismo na Rússia, que criou o fascismo, em Itália com Mussolini, em Portugal com Salazar, na Alemanha com Hitler e em Espanha com Franco. A Grande Guerra quebrou esse rumo e o 25 de Abril foi uma nota interessante de abertura que levou, mais tarde, à queda do Muro de Berlim e ao socialismo em França. A queda do muro foi uma coisa extraordinária e tudo parecia no bom caminho para a Europa. No entanto, apareceu o Kosovo e essa marmelada toda... Agora, temos, ainda, a sobrepor-se a crise... E cá estamos, a sobreviver!


6 @ Como é que escolhe fazer um filme em detrimento de outro?

R: Não faço filmes por encomenda! Mas por desejo natural... É o acaso que nos dá aquela circunstância... É o que melhor se presta a ser filmado... Agora, existe a exigência de um produtor que nos deixe livre o pensamento para as filmagens e corresponda às nossas necessidades fílmicas.

7 @ Como é que classifica o actual estado de coisas em Portugal? Nomeadamente, na cultura.

R: Hoje, os produtores só fazem um filme quando têm o dinheiro todo para filmar e muitas vezes fica-se sem o próprio ordenado. Conseguiu-se fazer o filme, mas fica por aí. É uma situação terrível. Os realizadores só têm subsídios quando filmam, não têm subsídios de desemprego, não têm reforma, de maneira que, quando filmam, se lhes sobra algum dinheiro, têm de o guardar para um dia de dificuldade, uma doença, a família ou algo parecido... Enfim, é uma situação ingrata! Mas, espero bem que a Ministra dê saída a esta encrenca.

"Não faço filmes por encomenda! Mas por desejo natural..."

8 @ Um dos seus netos, da sua filha Adelaide, é o conhecido actor Ricardo Trepa. Que é que sente como avô e realizador, já que o próprio Manoel foi actor em algumas ocasiões?

R: O meu neto é hábil e tem uma certa garantia porque se presta bem. De resto, desempenhou no filme “O Quinto Império – Ontem como Hoje”o papel de D. Sebastião. Uma interpretação extraordinária, que ultrapassou tudo quanto eu imaginava. Gosto que os actores sejam espontâneos o mais possível... Essa é a melhor forma, a mais correcta! Não gosto que representem, mas que vivam o papel.

9 @ Algumas novidades em termos de filmes ou projectos para breve?

R: Eu não queria muito falar sobre isso porque é uma coisa que ainda está em suspenso. Trata-se, primeiro, de uma co-produção com o Brasil e tenho outro que também não está, ainda, bem claro, dada a circunstância da situação com o produtor. Tenho que encontrar nova gente e, portanto, é tudo muito ambíguo por enquanto. A minha vontade era começar já este ano e continuar no ano que vem.

10 @ É a partir dos seus 60 anos, após uma longa paragem, que acelera o seu ritmo de trabalho com, em média, um filme por ano. A que se deve tal empenhamento depois de atingida já uma idade mais avançada?

R: Porque estava atrasado... Estive 14 anos parado. Acha pouco? Mas não deixei de pensar nos filmes e o meu critério sobre cinema modificou muito. Essa passagem para uma fase mais activa aconteceu devido à Fundação Gulbenkian que ajudou o novo cinema português e financiou três filmes, um dos quais, em 1971, era meu: “O Passado e o Presente”. Essa foi a abertura para depois continuar por aí fora...





DETIDO ASSALTANTE ARACNÍDEO

Jovem implicado no furto a 30 residências por escalamento na cidade de Bragança fica em prisão preventiva

O indivíduo de Vila Nova de Foz Côa suspeito de 30 assaltos a residências por escalamento foi detido em Vila Nova de Gaia no dia 22 de Agosto. Detectado a tentar furtar umas tshirts no GaiaShopping, foi conduzido, posteriormente, à esquadra para identificação. Foi aí, na esquadra da PSP de Gaia que, os agentes, ao consultarem o ficheiro viram que constava um pedido de mandado de condução para interrogatório da PSP de Bragança. Tendo ficado detido nessa noite em Gaia, o suspeito foi conduzido para a PSP de Bragança no dia 23. No dia seguinte, foi presente às autoridades judiciais, tendo-lhe sido aplicada a medida de coacção de prisão preventiva. Actualmente, está detido no Estabelecimento Prisional Regional de Bragança.
O indivíduo, de sexo masculino, tem 20 e poucos anos, já trabalhou numa fábrica em Bragança, é toxicodependente e esteve, nos meses que antecederam a detenção, desempregado e sem qualquer rendimento ou meios de subsistência.
Recorde-se que o alegado assaltante iniciou tal actividade ilícita nos finais de Abril. Na altura, aquando da sua identificação, na terceira semana de Junho, eram-lhe já imputados 18 casos de furto a residências e havia já mais de 20 participações no Comando da PSP de Bragança. Entretanto, outras queixas foram chegando e, desta vez, decidiu-se, por bem, deter o suspeito, já que havia e há provas concretas de que tenha sido ele o autor dos furtos.
Reincidente na mesma tipologia de crime, houve, ainda, duas ou três situações em que as vítimas conseguiram fazer uma identificação positiva do assaltante e outras em que foi possível recuperar parte do material furtado.
“Felizmente, ficou em prisão preventiva”, avançou fonte interna da PSP de Bragança.

"FALTA CÁ É GENTE!"

Tradição e história confundem-se em Arcas… Uma aldeia que conserva a veracidade dos sentimentos

Na cadeia montanhosa transmontana, bem no topo do mundo, bem próximo da Torre de D. Chama, concelho de Mirandela, está Arcas. Uma aldeia singela em ebulição com o passar dos tempos. Começando por ordem cronológica, há algumas datas assinaláveis que marcam os destinos do movimento neste povoamento tipicamente nordestino. Assim, no último domingo de Fevereiro, tem lugar a Feira Rural Arcas. “A Feira tem de tudo o que cá há e até traz muita gente à aldeia. Também depende do tempo. Há a batida ao javali e faz-se e dá-se de comer. Temos os cantares, os bombos e quatro gigantones”, desvenda Leonida Peixeiro. Esta mulher, de 60 anos, ainda trabalha no campo, na azeitona e nas vinhas. “Temos de tudo”, avança, referindo-se aos produtos da terra.
Continuando, na capela do Divino Senhor dos Passos (fora do povo), acontece a festa principal, no segundo domingo de Agosto (em 2011, será a 14 de Agosto). A 25 de Novembro é Santa Catarina, padroeira de Arcas.
Um dos ex-líbris desta eterna paisagem verdejante, rodeada por cumes que se assemelham a arranha-céus, é a Associação Desportiva e Recreativa das Arcas. De acordo com um dos elementos da direcção recém-empossada, Francisco Martins, a Associação foi fundada em 1986, tendo sido reactivada pela segunda vez em 2008. “Há muitos anos, tínhamos aí dois ou três bombos e juntávamos um pequeno grupo para umas brincadeiras. Depois, o pessoal começou-se a incentivar para arranjarmos um grupo de bombos. Entretanto, passou-se uma dúzia de anos até que, em 2008, organizámo-nos e comprámos mais alguns. Foi aí que decidimos pôr a Associação a trabalhar”, conta Francisco.
Para além do grupo de bombos, a colectividade dispõem, ainda, de um Grupo de Cantares Tradicionais e de um outro, os Pandegos. Neste último, integram uma caixa e um acordeão como instrumentos musicais. “Estamos aqui para continuar porque houve eleições recentemente, e nós tomámos posse foi por 2 anos. Praticamente, é a mesma direcção e vamos trabalhar”, promete.

Arcas! Terra fértil da azeitona, da uva, da batata, do tomate, da cebola e do feijão.

Mas, nem só de fortuna natural e associativa se vive em Arcas. Esta aldeia tem, também, as suas necessidades. “Agora, há muito pouquinha gente. Primeiro havia muitas famílias, já da minha lembrança. Quando era mais nova… Eu tinha um tio com 12 filhos”, afirma Maria Augusto Peixeiro. Nascida em 1928 nas Arcas, esta octogenária trabalhava no campo quando era mais nova, onde “ia à jeira” e ajudava os seus pais. “Tínhamos oliveiras, terras, íamos à cegada e a cavar as batatas. Agora não! Agora, já estou na reforma”, lembra.
Maria Peixeiro calcula em cerca de 100 o número de habitantes na aldeia. Apesar do seu tamanho considerável, ela afirma que muitas das casas estão por habitar. . “Eu às vezes venho à rua e não vejo uma alminha aqui no povo. Assim que se forem embora os emigrantes é uma vassoura”, ironiza, no alto dos seus 82 anos.
Desgastada pelos tempos das memórias, Arcas ostenta uma população envelhecida, onde os novos não abundam e ou poucos que poderia haver, partem na tentativa e esperança de encontrarem um futuro melhor. “Há mais pessoas idosas. Agora os novos, não está aqui nenhum. No mês de Agosto é que vêm cá muitos emigrantes. E, depois, em Dezembro também, a apanhar a azeitona”, revela Palmira Seixas. “Os poucos jovens que temos trabalham fora, em Macedo, Bragança, e só regressam ao fim-de-semana”, acrescenta.
Arcas valoriza-se constantemente e dia-a-dia pelo turismo, pela simplicidade e o saber receber das suas gentes. O solar e a Igreja matriz são, também, pontos de referência. “A igreja é muito bonita, mas muito pobrezinha”. No entanto, frisa Palmira: “é muito limpinha”. Bem como o resto da aldeia...


UMA LENDA PELA VOZ DO POVO

Bem no centro da aldeia, na “avenida” principal, está um dos palacetes de Arcas, pertencente aos abrasonados Pessanha, umas das famílias mais seculares do “antigo reino”. Reza a lenda que um dos seus membros, namorava ou melhor pretendia namorar a filha do Rei. Mas Ele não queria dar a mão do seu rebento ao jovem Pessanha. No Dia do Corpo de Deus, o pretendente, preparado que tinha o seu cavalo a favas, cavalgou rumo a Badajoz e na procissão roubou a bandeira. A mesma que atirou, depois, para dentro das muralhas de Elvas. “Morreu o homem, ficou a fama”, diz o povo. Do mesmo homem que terminou frito numa caldeira a sua jornada em banhos de azeite pelas mãos dos espanhóis, a mando do Rei. A caldeira é, ainda, a par de outros, um dos elementos constituintes do brasão. (Fonte: habitantes de Arcas)


TESTEMUNHOS

Maria Augusto Peixeiro, 82 anos

“O que faz falta aqui é trabalho! Que andam aqui muitos sem emprego! Mas olhe, lá se desengomam. Uns vão para Macedo de Cavaleiros, outros andam nas estradas a trabalhar.”

Palmira Seixas, 74 anos

“Esta aldeia tem muita casa e pouca gente. Mas o que falta mais aqui é saúde porque há muita gente doente e a saúde é pouca.”

Francisco Martins, da Associação Desportiva e Recreativa das Arcas

“Actuamos aqui em Arcas e noutras aldeias vizinhas. Ainda não somos muito chamados porque o grupo ainda é recente.”