20 de outubro de 2010

POLÍCIAS EM MINIATURA

Crianças fardadas de polícias estiveram na rua em advertência aos condutores sobre as regras básicas de prevenção rodoviária

Numa iniciativa pioneira em Bragança, a PSP “levantou o auto” aos vários pólos escolares da cidade fardando as crianças numa acção de sensibilização sobre prevenção rodoviária. No âmbito do Programa Escola Segura, vários agentes desenvolveram uma acção especial de contacto com os alunos que visou promover junto dos condutores alguns dos mais elementares comportamentos de segurança.
Diogo Afonso, do 4º ano, tinha as regras na ponta da língua e estava ansioso por transmiti-las. “Vou dizer as regras! As regras da estrada. Não falar ao telemóvel sem o sistema de mãos livres; quando se transportar meninos com menos de 12 anos ou metro e meio, usar o equipamento adequado; não beber bebidas alcoólicas antes ou (depois) da condução; usar sempre o cinto de segurança e dar prioridade aos peões nas passadeiras”, avançou Diogo com a confiança de um adulto no alto dos seus 9 anos de idade.
Estas acções aconteceram nos cinco dias úteis da semana passada. Assim, no dia 11, segunda-feira, esta mesma acção havia já decorrido no Escola do Campo Redondo. Terça-feira, foi a vez do Centro Escolar da Sé. A sensibilização continuou até final da semana. Quarta na Augusto Moreno, quinta-feira, a PSP esteve no pólo de Santa Maria e sexta-feira na Escola de Samil.
O Jornal Nordeste “apanhou” a polícia na quarta-feira, aquando da sua intervenção na Escola Augusto Moreno, mais precisamente na Avenida Humberto Delgado. Junto à paragem do autocarro, os condutores eram “estacionados” e duas crianças aproximavam-se das viaturas. Uma instruía o condutor e, no final, a outra entregava um folheto explicativo com algumas regras básicas de segurança.

Esta iniciativa serviu para instruir os condutores, mas mais, ainda, para sensibilizar as crianças

“Pretendemos, através das crianças, sensibilizar os condutores para que haja uma maior e melhor prevenção no dia-a-dia, contribuindo, dessa forma, para que não haja tantos acidentes”, informou o agente Carlos Pereira da Escola Segura. Serão as próprias crianças, de futuro, as primeiras a alertar os pais para potenciais infracções ou “pequenos descuidos” que estes possam cometer. “As crianças são o veículo ideal para chegar aos pais e aos adultos em geral. As crianças dizem-nos que, por vezes, são eles próprios a chamar a atenção dos pais quando cometem uma pequena transgressão aqui ou ali. Pai, põe o cinto, não vás a falar ao telemóvel, estás a transgredir, ou seja, são eles os primeiros a serem os polícias”, confere o agente Pereira.
Quem parece concordar com estas acções são os condutores que afirmam não se importar que lhes lembrem as regras. Natércia Vermelha, uma das condutoras “advertida”, assevera: “acho muito bem! Normalmente, venho buscar o meu filho à escola e vejo bem a velocidade a que os carros passam aqui”. “Por vezes, também faço asneiras e eles são os primeiros a avisar-me”, confessa esta mãe de dois filhos, para quem estas acções devem continuar.

 
Escola Segura

O Programa Escola Segura é assegurado por agentes policiais devidamente treinados e preparados para este tipo de acção, bem como por viaturas exclusivamente dedicadas à vigilância e protecção da população escolar. De fácil identificação pela sua cor e imagem exterior, cada veículo tem sob a sua responsabilidade um conjunto de estabelecimentos de ensino e está equipado com telemóvel e uma mala de primeiros socorros.
As escolas abrangidas pelo Programa Escola Segura beneficiam assim de uma vigilância reforçada e de uma relação directa com os agentes policias responsáveis pelo seu policiamento. Esta vigilância é assegurada através do patrulhamento em horários e percursos definidos de acordo com as necessidades específicas de cada Escola. A PSP desenvolve ainda, no contexto do Programa Escola Segura, iniciativas de contacto e esclarecimento junto dos jovens que procuram promover comportamentos de segurança.

MARÉ SOLIDÁRIA

 
AAIPB dá o exemplo e recebe voto de confiança da comunidade brigantina e escolar na 2ª edição da Maratona solidária

Depois do interregno do ano passado, a Maratona Solidária regressou na passada quarta-feira com Ricardo Vilela. O ciclista brigantino que ficou em 18º na Volta a Portugal, contratado recentemente pela recém-reconstituída Liberty Seguros, foi a presença forte de um evento onde mais de um milhar de pessoas correram por uma boa causa. A Associação Académica do Instituto Politécnico de Bragança (AAIPB), organizadora do evento, conseguiu reunir mais de meia tonelada de alimentos, sobretudo, não perecíveis. A participação para cada indivíduo teve o custo de um bem alimentar entregue no acto de inscrição.
De acordo com o presidente da AAIPB, Rui Sousa, a maratona teve dois objectivos fulcrais. Apoiar instituições de solidariedade locais e ajudar a integrar os novos estudantes na cidade e na academia. “Há pessoas que trazem arroz, açúcar, massa, batatas, leite, vários géneros alimentares. São tempos difíceis, mas a atitude dos alunos deixa-nos felizes a todos, Vejo que os novos se sentem acarinhados por Bragança, pelo Instituto e espero que se integrem bem nesta cidade e sejam bem recebidos pelos cidadãos brigantinos”, afirmou o responsável.
Quanto ao apoio institucional, manifestado pelo presidente da Câmara Municipal de Bragança (CMB) e pelo presidente do Politécnico, entre outros, ao comparecerem na Maratona, Rui Sousa mostrou-se bastante satisfeito por assim ser. “Fico feliz de os ter como parceiros e espero que colaborem sempre connosco. Sobretudo, por esta ser a primeira iniciativa que nós estamos a organizar e sentir logo o apoio deles no arranque do meu mandato. Não são só festas! Esta é uma iniciativa desportiva de cariz solidário. Conto com eles!”, afiança.


Sobre a importância deste acontecimento, o presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, advoga: “Temos captado imensos alunos fora da região. E encontrarem aqui um clima favorável, de amizade e solidariedade, isso mostra que Bragança tem a capacidade de fazer uma praxe diferente, integradora, que esperamos que continue e se transforme numa tradição”.
“Este ano, conseguimos afirmar-nos como a quinta maior instituição politécnica a nível nacional e a maior do interior”, revela o corredor da “maratona dos veteranos”. Já que houve duas partidas, a primeira, para os corredores mais competitivos, a segunda, mais a “passo de caracol”.
Quem partiu, também, no segundo arranque, foi o presidente da autarquia Jorge Nunes, que valorizou a iniciativa levada a cabo pelos estudantes. Cerca de 8 mil numa cidade com 24 mil habitantes. “Esta corrida solidária é uma iniciativa excelente, no sentido de mobilizar os estudantes numa caminhada de confraternização, mas também de envolvimento com uma dimensão solidária que os jovens devem ter para com outros cidadãos em condições, eventualmente, mais desfavoráveis. Os jovens são, por natureza, muito solidários. E este é um pequeno, mas grande contributo”, salientou o autarca, de fato-de-treino, preparado para uma prova de esforço que soube mais a passeio.
No final da prova, Ricardo Vilela, a estudar, também ele, no Politécnico, foi homenageado com a entrega de um troféu em sinal de agradecimento. Recorde-se que, na primeira edição da Maratona Solidária, Rosa Mota foi a convidada de honra da AAIPB.

Rui Sousa no seu primeiro mandato à frente dos destinos da AAIPB

APAZIGUADA COM O TEMPO

Aldeia de Freixedelo com novo alento depois de construída estrada que a coloca de novo no mapa

“Dá jeito e muito grande jeito, não é? Em duas viagens, ganhamos uma”, afiança Ilídio Pires, sobre os cinco quilómetros de estrada feitos recentemente que fazem ligação directa a Freixedelo. “O rompimento foi feito há 10, 12 anos. Alcatroada foi há dois. Antes desta estrada nova tínhamos um caminho em terra batida. Agora, não precisamos de ir a Carocedo, fazer aquelas curvas”, continua o proprietário do único café da aldeia, a Cervejaria 2000 Freixedelo.
“Agora o que está mal é o Penacal. Precisávamos de um tapete novo, pelo menos, do nosso caminho a S. Pedro. Mas eu já não estou a pedir só para Freixedelo. O Penacal precisava todo de S. Pedro a Carocedo. Porque eu não sou daqueles que peço só para mim. Olho para toda a população”, remata o empresário, referindo-se às péssimas condições da estrada municipal de acesso a Bragança, a N217.
A 15 quilómetros de Bragança, Freixedelo é uma aldeia que não parou no tempo. Com saneamento básico, água, luz, novo acesso rodoviário e uma terra fértil, talvez por isso os seus habitantes sejam parcos nas ambições, mas não em acções.


“Aqui fazem-se muitas coisa! Temos umas festas religiosas lindas e uns santinhos muito bonitinhos”, sublinha Maria, uma habitante da aldeia, enquanto lava a sua "roupinha" à moda antiga. Com S. Vicente como padroeiro, a anexa de Grijó “faz a festa” em 4 ocasiões distintas: a Festa do S. António, a do Sagrado Coração de Jesus, a da Capela de S. Sebastião e a grande festa, a de S. Bartolomeu.
"Fazemos 3 ou 4 festas, mas a principal é a de S. Bartolomeu, a 24 de Agosto. Só a gente de cá que está fora enche a aldeia. Como é Verão, os emigrantes regressam todos. A população chega ao dobro”, garante Amador dos Santos Pires, agricultor, casado com a terra. “Esta é das aldeias que ainda tem muita gente. Tem cerca de 60, 70 habitantes”, acrescenta. De acordo com este pai de quatro filhos, “a morarem e a trabalharem em Bragança”: “a terra dá como dava antes. Só que o rendimento é menos”.

Habitantes de Freixedelo pedem um novo tapete para a N217, a estrada que dá acesso a Bragança

Ilídio concorda e vai mais longe. “A agricultura está um caos! Se formos a ver, as pessoas andam só para gastar o que têm. Dá mais prejuízo do que aumento. Semeava-se mais há 15 anos, do que se colhe hoje. Antigamente, enchiam-se os celeiros e pagavam-no a bom preço. Os adubos e o gasóleo era muito mais barato. A agricultura está toda a bater com o pé no fim”, preconiza o empresário.
Freixedelo pode guardar os seus segredos e as suas ambições, conter-se nas palavras, mas não tem forma de ocultar os seus monumentos. Para além da igreja e da capela, tem duas fontes e dois pelourinhos. Mas Celeste Rodrigues, “apanhada” com as sacas das vindimas nas mãos, destaca as uvas como o ex-libris da terra que a viu nascer. “Aqui há muito boas uvas! Bom vinho e bons bebedores. Também há muito azeite, muito trigo e muito centeio”, assevera. “Estou aqui a estender estas sacas das uvas, que é para as enxugar, para as arrecadar para a próxima vindima”, conclui. (foto inferior)

Amador dos Santos Pires a semear centeio nas suas terras