30 de outubro de 2010

"ACHAS QUE SABES DANÇAR?"


FACTOS

Nomeado: Bruno Silva aka Goku
Origem: Vila Nova de Gaia
Idade: 28 anos
Arte: Dança
Grupo: Spartans
Local: Discoteca Moda, Bragança

ENTREVISTA

1 @ O programa “Achas que sabes dançar”, na SIC, lançou-te para a fama. Como é que descreverias a tua participação?

R: Correu bem! Fui a Leiria fazer a primeira audição com o meu amigo João Nogueira e ambos passámos para a fase seguinte, dentro do top 100. Depois, em Lisboa, houve uma audição final durante três dias em que dançámos sem parar. Aí escolheram os 20 para passar à fase das galas. Nós dançávamos, as pessoas votavam e quem ficasse menos votado tinha que fazer um solo para o júri salvar ou não esse participante. E foi sempre assim, até ficarem os quatro finalistas: duas raparigas e dois rapazes.

2 @ Funcionava por eliminatórias, portanto. Que lugar alcançaste?

R: Fiquei no top 6. Ou seja, fui até à 8ª gala. Na última, a nona, também estivemos presentes, mas foi em coreografias de grupo.

3 @ O que é que achaste de todo o conceito do programa?

R: O conceito de todo o programa foi importado dos Estados Unidos. O nome original do formato é “So you think you can dance”, a SIC só comprou os direitos de autor. Mas foi bom para divulgar a dança em Portugal. Deu, pelo menos, para mostrar o meu estilo, o B-boying, e serviu, também, para mostrar que não são só os bailarinos da contemporânea e da clássica que sabem dançar. O pessoal do hip-hop também consegue mostrar a verdadeira dança.

4 @ O que é que entendes por B-boying?

R: O B-boying, que é o break-dance, começou no Bronx, em Nova Iorque, mais ou menos na década de 80, com as chamadas piruetas no chão. A partir daí, evoluiu muito. Actualmente, é dançado com música funk, soul-funk e hip-hop por milhões de pessoas em todo o mundo. Os países mais fortes são os Estados Unidos e a Coreia, mas depende dos tempos. Agora, os países nórdicos estão-lhe a dar e a aparecer outros como a Venezuela. O b-boying é que é o verdadeiro hip-hop, foi daí que começou tudo. B-boying, Locking, Popping. Depois, surgiu o New School. O pessoal não conseguia dançar tanto no chão e começou a fazer coreografias em pé.

5 @ A tua participação no programa abriu-te portas para outros voos?

R: A televisão abre sempre portas para quase tudo... Seja para fazeres shows ou seres mais contactado para dar aulas e ensinar às pessoas o que é o b-boying. Foi muito bom! Para mim, participar em competições no estrangeiro é, agora, mais fácil. Torna-se mais complicado porque eu tento sempre levar o pessoal do meu grupo comigo. É só uma oportunidade de conseguirmos os patrocínios certos, mas acho que vamos ser bem sucedidos. Quero levar, pelo menos, duas pessoas comigo, que é para vivermos aquilo com toda a intensidade possível. Quero partilhar a experiência e não ser só eu a vivê-la… É diferente!

6 @ O que é que fazias antes do programa?

R: Fazia e faço. Continuo a estudar Direito na Lusíada, no Porto, a dar aulas, a fazer shows, workshops e entrar em competições. Basicamente, fazia o mesmo que faço agora. Também tenho um grupo de dança, os Spartans, que formei com o João Nogueira (participante do “Achas que sabes dançar?”) em 2007. Somos 7 ou 8 e treinamos juntos. Formámos o grupo e, logo depois, a escola Spartans. Mas treinamos e competimos à parte.

7 @ Qual é que é a tua formação em dança? Onde e como é que aprendeste?

R: Eu só comecei a dançar aos 20 anos Fui aprendendo o hip-hop na rua, em vídeos, na internet, nunca tive nenhum curso intensivo de dança. Em hip-hop é assim que se inicia. Começas a ver, a tentar imitar passos e começam-te a sair movimentos. Antes, durante 15 anos, fui ginasta de alta competição. Nesse tempo, dançar era um sonho, mas não tinha vida, pois treinava muitas horas diariamente. Aos 20, decidi abandonar a ginástica e dedicar-me 100 por cento à dança. Até deixei de estudar durante cinco anos. Só, depois, é que retomei os estudos.


8 @ Como professor, achas que há muitas pessoas em Portugal a aderirem ao B-boying?

R: No norte há mais que no sul! Mas, depende da época... Muitos desistem! Não é qualquer um que se torna um verdadeiro b-boy. É difícil porque chegas a uma fase em que não consegues evoluir, só treinando muito e muito mais e, então, as pessoas desistem.

9 @ Revela-nos alguns dos teus projectos a curto – médio prazo?

R: Estamos, agora, a treinar e à procura de apoios para tentarmos ir aos Estados Unidos, eu e o meu grupo. Outubro, a Nova Iorque, e a 26 de Novembro, Los Angeles para a Freestyle Session. Na América há competições constantemente e nós, conseguindo ir, ganhamos três vezes mais experiência. Para além da minha escola Spartans, que é só de B-boying, estamos, também, com um projecto para uma outra escola de dança mais completa, com as várias vertentes: clássica, contemporânea, jazz, ballet. Não serei só eu a leccionar, haverá mais pessoas. Vamos ver como tudo corre…



29 de outubro de 2010

GIPS BEM-AQUARTELADO

Novas instalações do GIPS em Cova de Lua recuperadas pelos próprios militares estão no limiar da prontidão máxima.

Ontem (segunda-feira), visitaram Bragança o Secretário de Estado da Protecção Civil, Vasco Franco. Depois de uma reunião no Governo Civil, onde foi analisado o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) 2010 e onde o Vasco Franco deu os “parabéns pelo excelente desempenho” a todos os envolvidos na fase Charlie (época de mais incêndios), seguiu-se uma visita às novas instalações em Cova de Lua de um dos dois pelotões da 7ª Companhia do Grupo de Intervenção, Protecção e Socorro (GIPS).
“O que é preciso realçar é que este trabalho todo, em termos de mão de obra, foi feito pelo pessoal do GIPS em muitas das folgas que dispunham, com o apoio logístico do Governo Civil”, fez questão de frisar o Major-General (Comandante) da Unidade de Intervenção (UI) da GNR, Melo Gomes. (na foto inferior)


”A importância deste quartel é óbvia! Nós queremos dar as melhores condições de trabalho e de instalações aos nossos homens e não há dúvida nenhuma de que se fez aqui um trabalho notável”, referiu ainda.
Com camaratas, sala de estar, cozinha, casas de banho, sala de comando e disponibilidade para 18 elementos, este quartel dispõe de todas as características necessárias para os militares do GIPS poderem desenvolver toda a sua actividade. Só falta arranjar certos pormenores como sejam o telhado e uma antena de comunicações.
“O facto de estarmos no Parque Natural de Montesinho traz-nos uma melhor localização, alguma segurança às localidades próximas e outras valências, como a rede TMN que será aqui implementada com internet e sistema GSM”, complementou o comandante da 7ª Companhia, o Tenente Barbosa.

HERÓI ACIDENTAL

Idoso encurralado pelo fumo de um incêndio urbano em Bragança salvo pela experiência e mãos de um ex-bombeiro

Um aquecedor a gás esteve na origem de um incêndio que dizimou por completo um espaço exíguo tido como oficina de trabalho Tudo aconteceu no Bairro da Mãe d`Água, na passada quarta-feira, pelas 16:40. “Tentava ligar o aquecedor quando ele fez aquela explosão que fazem às vezes os aquecedores a gás. Ao explodir, os jornais que estavam em frente começaram a arder e voaram para debaixo do sofá”, explicou Ramiro Augusto Nunes, na casa dos 70 anos. O “sofá antigo”, de espuma altamente inflamável e tóxica, pegou fogo de imediato e o incêndio escalonou rapidamente.
De acordo com os habitantes do bairro, o idoso não queria sair. Antes pelo contrário, queria apagar o fogo “a todo o custo”, negligenciando o risco e colocando em causa a sua própria vida. “Eu tentei apagar tudo com água, mas depois veio alguém e agarrou-me”, afirmou, ainda visivelmente abalado e confuso. “Até botámos para lá uns baldes de água”, afiançou a sua esposa. Mas sem sucesso.
Não fosse a rápida intervenção de Francisco Cruz e as consequências deste incêndio poderiam ter sido bem mais nefastas. O ex-bombeiro de Bragança retirou do meio do fumo e das chamas, não só o idoso, mas, também, duas botijas de gás. “Estava no café quando foram lá chamar. Cheguei aqui e deparei-me com uma situação cheia de fumo, o sofá a arder e o senhor Ramiro lá dentro. Entrou um colega meu, mas não conseguiu tirá-lo porque o fumo era tanto que não se via nada. Com a minha experiência, amarrei-me no chão, consegui ver o homem e puxei-o para fora. Ele já saiu quase em fase de intoxicação, a espumar-se todo”, contou Francisco. (na foto em baixo) 


Com a humildade própria que, geralmente, caracteriza os homens da paz, continua: “Não fiz mais que a minha obrigação! Só cumpri o meu dever como cidadão e como bombeiro que fui durante 20 anos”.
Segundo os moradores, os Bombeiros Voluntários de Bragança tiveram uma resposta rápida e, sem qualquer dificuldade, debelaram o incêndio. “Os bombeiros vieram logo, telefonaram daqui e eles nem 5 minutos demoraram. Eu tinha ali um extintor, mas não dava. Já telefonei para virem cá enchê-lo. Nunca imaginei que não funcionasse”, declarou o proprietário do café da sede da Mãe d`Água.
Ramiro Nunes entretia-se no seu tempo fazendo uns “arranjozitos” nas televisões que lhe iam dando os vizinhos para compor. O espaço, havia sido cedido pela autarquia, na altura do presidente Luís Mina. “Foi na altura do Mina, o presidente deu-lho dado, para explorar como barbearia”, adiantou a sua esposa.