18 de maio de 2011

UMA DÉCADA DE CONQUISTAS

Mós tem conhecido grandes desenvolvimentos infraestruturais e com o advento da Auto-Estrada sobe, agora, a fasquia dos sonhos

Saneamento, luz, uma igreja restaurada e um Museu Rural são algumas das conquistas granjeadas por Mós desde o virar do milénio. “Desde há oito anos para cá, houve uma espécie de revolução nesta aldeia porque se fizeram aqui obras muito importantes: nos caminhos, no saneamento, pusemos pontos de luz que existiam em pouco número”, afirmou Fernando Teixeira Vilela. O secretário da Junta de Freguesia de Mós (JFM) mostra-se bastante satisfeito com os progressos alcançados. “Começou-se a apostar na pedra à vista, uma aposta no rústico continuada pelos particulares. Restaurou-se a igreja, temos um Museu Rural, água com fartura, temos uma Associação”, continuou. De acordo com o entrevistado, em termos infraestruturais, Mós é, agora, uma “aldeia completa”.
Apesar do presidente da JFM ser Anselmo Martins, quem administra a aldeia é Fernando Vilela. O presidente rege a anexa, Paçó, donde é natural. Uma espécie de acordo tácito entre os dois, em que cada um é responsável pela sua aldeia. “Sou eu que trato aqui da aldeia. Isto é um bocado sui generis, mas o Anselmo gere Paçó e eu estou a gerir Mós. Chegámos a esse acordo. Aliás, isso já vem de antigamente”, explicou.


O Museu Rural de Mós, inaugurado a 6 de Agosto de 2006, tem trazido à aldeia um número significativo de visitantes. Enquanto que a Associação Cultural, Recreativa e de Melhoramentos de Mós, “Os Mochos”, viu as suas instalações inauguradas a 18 de Abril de 2004. Um porto de abrigo merecido para uma associação que tem desenvolvido diversas iniciativas em vários âmbitos, desportivos, culturais e ambientais.
Outro ponto que joga a favor da aldeia, é a Zona Industrial de Mós. Apesar da indústria instalada ser, ainda, escassa, Fernando Vilela vê as suas esperanças renovadas para a aldeia com o advento da Auto-Estrada Transmontana. “A ideia partiu da Câmara, mas a Junta de Freguesia teve um papel importante. Tinha lá terrenos e foi feita a proposta se queríamos negociá-los, se queríamos ir para a frente com a zona industrial e isso trouxe também o Nó à auto-estrada que, neste momento, está a ser feito”, desenvolveu o responsável. Na sua opinião, aquilo que mais falta faz a Mós são as pessoas. Uma situação que se poderá ser alterada com a promessa da auto-estrada. “Aqui só temos falta de gente, mais nada! Agora, o Nó pode trazer pessoas a fixarem-se aqui. As pessoas de cá, essencialmente. Se não fosse a zona industrial, não havia nó”, considerou.


Mós espera restaurar a forja comunitária e o moinho com as verbas dos terrenos cedidos para a construção da Auto-Estrada, cerca de 250 mil euros

Secretário da JFM há cerca de 10 anos, Fernando Vilela antevê o futuro com optimismo. “Eu acho que é uma aldeia com futuro. Embora haja pouca gente. Mas há muita casa a ser restaurada. É pena é a crise ter vindo nesta altura, que é o que está a atrapalhar as coisas”, declarou.
Quem não partilha de uma visão tão optimista é João de Deus Martins. “A continuar por este ritmo, não vejo grandes perspectivas para Mós. Como não há pessoal novo, não vejo que possa haver um futuro promissor, apesar de estarmos a 5 minutos da cidade de Bragança”, afiançou este habitante, natural de Mós, onde reside há 49 anos. Para João, o grande problema é o envelhecimento da população. “As aldeias estão cada vez mais envelhecidas e o pessoal novo quase não existe. Estão a ficar cada vez mais desertas. Aquilo que se nota mais é a falta de gente nova capaz de trabalhar. As pessoas aqui andam todas nos 70, 80 anos”, assegurou.


Lembrando outros tempos, surgiu Feliciana Augusta Queiroz. Tempos em que a escola primária ainda estava aberta e as crianças proporcionavam alegria, cor e movimento a uma aldeia onde, agora, simplesmente, não existem. Com uma carreira enquanto docente de 36 anos, 30 exerceu-os na escola primária de Mós, encerrada na década de 90. “Quando me aposentei, não era capaz de estar em casa. Chegava aquela hora e tinha que ir para a escola. Eu comecei com 41 alunos e acabei com 11”, contou a antiga professora, lembrando o declínio drástico do número de meninos. “Para mim, a aposentação foi um desgosto grande, grande…”, provou Feliciana, com um pesar que transparece nas palavras, com a mágoa da saudade no olhar e o rosto humedecido pelas lágrimas.


TESTEMUNHOS

Feliciana Augusta Queiroz


“ Fui professora na antiga escola primária de Mós durante 30 anos. Sinto muitas saudades desses tempos. Fui muito bem estimada e muito querida por todos. Dá para chorar até! Depois, namorei cá e casei cá. Sinto-me feliz aqui”


João de Deus Martins


“No Verão, vêm os emigrantes, principalmente, de França, que é onde estão a maior parte deles. Nota-se muita diferença porque trazem mais movimento. É um ambiente diferente, para melhor”


Fernando Teixeira Vilela


“Temos desenvolvido aqui algumas actividades interessantes como, por exemplo, de educação ambiental, inclusive com escolas primárias. Temos um percurso pedestre e um polidesportivo inaugurado, em simultâneo, com o Museu Rural, em 2006”



CAPELA DAS ALMAS

14 de maio de 2011

REVIRAVOLTA SURPREENDENTE

Num jogo impróprio para cardíacos, o árbitro mostrou demasiado serviço com ínúmeras expulsões

Numa tarde cinzenta, a chuva conseguiu afastar grande parte da massa associativa das bancadas da equipa da casa. No pelado de Morais, que virou um autêntico lamaçal, defrontaram-se duas equipas combativas que não pararam de mexer no marcador. Frente-a-frente, o FC Morais, contra o Vinhais FC. A equipa da casa entrou melhor na partida, sem dúvida. Motivada pela possibilidade de ganhar o campeonato, caso o Moncorvo empatasse ou perdesse contra o Mirandês. Algo que acabou por não acontecer, dado que a equipa do ferro, a jogar em casa, sagrou-se vencedora por 3 a 1. Passado o quarto de hora inicial, o Vinhais equilibrou o jogo, alcançando até um claro ascendente sobre o adversário. Para tal, muito contribuiu Rui, com uma exibição surpreendente. Do lado do Morais, o melhor jogador em campo, na segunda parte, foi mesmo o guarda-redes. Armando evitou, em ocasiões distintas, dois golos quase certos com defesas de alto nível, voando nos céus de Morais. Na primeira, aos 32”, os jogadores da casa pararam para reclamar um fora de jogo. Certo é que o árbitro não apitou e só não foi uma perdida incrível do jogador do Vinhais, isolado frente à baliza, dada a grande defesa de Armando. A segunda ocasião de golo aconteceu, apenas, 3” depois e mais uma vez, o guarda-redes da casa a provar o seu valor.


Mas nem a excelente exibição do keeper evitaria o golo do Vinhais, ao encerrar do pano da primeira parte. Tiago marcou, estreando as malhas adversárias aos 43”. O mesmo Tiago que viria a ser expulso aos 37” da segunda parte, por acumulação de amarelos. As equipas foram para o balneário e, no intervalo, o árbitro expulsou do banco o presidente do Morais. “Estou a achar isto uma palhaçada! Aliás, como achei desde sempre com a Associação de Futebol de Bragança. Mandaram para aqui estes três artistas, precisamente, para estragar o espectáculo. Só prejudicaram o Morais”, afirmou António Fernandes, prometendo revelar mais no próximo fim-de-semana. Aquando da Final da Taça, em Bragança, que colocará em disputa o primeiro e o segundo classificado do campeonato: Moncorvo – Morais. De salientar que, devido a esta última jornada, o Morais, por expulsão, não poderá utilizar duas das suas peças fundamentais: Karate e Gene. Mais um jogador, igualmente importante, por lesão.
Na segunda parte, foi quando tudo se complicou com várias expulsões de jogadores e várias reviravoltas no marcador. Logo no início, deu-se a expulsão do treinador do Morais, Marcelo Alves, por protestos contra o árbitro. Karate também foi expulso com vermelho directo numa clara agressão ao adversário, pontapeando-o sem bola. Aos 25”, Edu marca o golo do empate. O Vinhais volta a liderar a partida com o segundo golo e quando os adeptos do Morais pensavam que tudo estava perdido, Luís Paulo consegue marcar o 2 a 2. O último golo, ao fechar do pano, aconteceu de livre directo, dando a vitória ao Morais.

À CONQUISTA DO PÓDIO


Kickboxing, Muay Thai e Boxe abrem na capital de distrito pelas mãos do Mestre Luís Durão, um fazedor de campeões

Os desportistas e amantes das artes marciais, nomeadamente, do Kickbixing, Muay Thai e Boxe, têm, agora, em Bragança a oportunidade de levar a sério a sua paixão. Duas vezes por semana, quem assim o desejar, poderá treinar com autênticos campeões, liderados pelo Mestre Luis Durão.
As aulas decorrem segunda e quarta-feira, ao início da noite, no Pavilhão da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança (IPB). Depois do sucesso alcançado em Macedo de Cavaleiros, através da escola, criada em Maio de 2006, em simultâneo com a Associação de Desportos de Combate de Macedo de Cavaleiros (ADCMC), o alastrar de tanta “disciplina, dedicação, humildade, lealdade, carácter, auto-controle” era inevitável.
O resultado da mestria de Luís Durão faz nascer entre os seus atletas uma autêntica equipa vencedora, com seis campeões de pura raça transmontana (ver caixa). “Eu fui atleta e combatia de uma forma diferente porque tive uma base distinta. Fiz artes marciais e consegui combinar várias técnicas e usá-las em competição. Resultou comigo e com algumas experiências e alterações, tem dado frutos. Mais dedicação e muito trabalho”, revelou o Mestre de Kickboxing e Muay Thai, naquela que compreende ser a receita para o sucesso. E justifica: ““Quem vê os nossos combates, vê os nossos atletas a combater de uma maneira completamente diferenciada dos outros. É ir a um campeonato e ver todos a jogar da mesma forma e quando entra um atleta nosso chama a atenção e todos querem ver esse combate por ser diferente”. O lutador acaba, desta forma, por adoptar diversas posições e estilos de combate. “Custa-me mais fazer um atleta de competição assim porque sou obrigado a treiná-lo em duas ou três vertentes. Mas quando o faço, é muito difícil sermos vencidos”, reconhece.
Nas palavras do cinturão negro, as expectativas para Bragança são: ““ter o máximo de inscrições, de atletas, poder dar-lhes formação e conseguir alguns para competição”.

Da combinação de diversos estilos, os atletas adoptam uma forma de combate singular e do treino nascem lutadores que, com esforço e dedicação, ganham o título de campeões

Antes da abertura da escola em Bragança, aquilo que acontecia era que os atletas da cidade eram transportados duas vezes por semana a Macedo de Cavaleiros. “Com as aulas a decorrer, também, no IPB, já não será tão cansativo para os meus atletas”, sublinhou Luís Durão. O, também, presidente da direcção da ADCMC, só lamenta a falta de apoios ao desporto que representa na região. Sobretudo, quando se trata de campeões regionais e nacionais que são verdadeiros lutadores. “Para a Grécia, pedi apoio a várias autarquias. Pedimos a Vimioso que apoiou, a câmara de Macedo apoiou novamente e a de Bragança disse-nos que não havia verbas. Então, eu prefiro que os atletas de cá representem Macedo”, destacou Luís Durão, aproveitando para agradecer à autarquia macedense pela sua disponibilidade financeira, pela cedência do espaço e pelo suporte prestado em múltiplas ocasiões, quer à escola, quer à associação presidida por si.
O mérito de tamanho treino e esforço é tanto que, de 25 alunos, só na Escola de MC, seis seguem o destino dos vencedores. Hélder Ferreira e Francisco Carvalho, a 27 de Março, e Carolina Cadavez, dia 10 de Abril, foram os últimos a sagrarem-se campeões.


DREAM TEAM


Franclim Fernandes, 34 anos, Categoria Seniores, menos de 74 Kg – Vice-campeão da Europa 2010, (único português medalhado prata em campeonatos Light internacionais); Francisco Carvalho, 25 anos, Seniores, menos 63 Kg – 1º Título de Campeão Regional de Light Contact 2010; Carolina Cadavez, 18 anos, Juniores, menos 60 kg – Campeã regional, nacional e vencedora da Taça de Portugal (ano de estreia 2010); Tânia Afonso, 19 anos, Seniores, menos de 55 kg – Bicampeã regional, bicampeã nacional e vencedora da Ladys Open (2010); Clicia Queiroz, 25 anos, Seniores, mais 65 kg – Pentacampeã regional, pentacampeã nacional, vencedora Ladys Open e Taça de Portugal (2010); Hélder Ferreira, 29 anos, menos 71 kg – Campeão regional de full-contact.
A 30 de Abril, em Anadia, na Taça de Portugal, Carolina Cadavez venceu em -60kg (juniores) e Clicia Queiroz em +65kg (seniores). Francisco Carvalho obteve um resultado notável traduzido em quatro vitórias que lhe valeram a conquista da categoria de -63kg (seniores).


Mestre Luís Durão (cinto negro), 33 anos
 

“Estou muito agradecido a Macedo porque a autarquia apoia-nos em tudo o que é possível. Nós participamos em várias provas a nível nacional e a verba, logicamente, que não dá para tudo. Mas se não fosse essa verba, nós não faríamos nada. Inclusive, apoiou-nos na compra de uma carrinha”


Francisco Carvalho, 25 anos


“É complicado arranjar palavras para descrever sensações, mas foi fantástico! Não estava à espera de conseguir o título, mas sempre tive essa vontade de ganhar o campeonato. Vi que tinha qualidade para o fazer e, felizmente, consegui, com a ajuda do Mestre e dos meus colegas”


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