25 de maio de 2011

UM EXEMPLO DE VIDA

Incapacitado, mas não incapaz, Joel pedala 10 mil quilómetros pela paz no mundo e pela “causa dos deficientes”

Era uma vez um desportista. Oriundo de uma típica região vinícola, Joel de Bermond vivia entretido no seu pequeno reino, onde se dedicava à agricultura. Já naqueles tempos, aspirava ser um porta-voz da paz aos homens de boa vontade espalhados pelos quatro cantos do mundo. Para concretizar tamanho sonho, organizou um longo périplo, em bicicleta, através da Ásia, para chegar a Pequim. Ele treinou arduamente para esse grande momento, os Jogos Olímpicos de 2008. Mas, uma reviravolta atroz do destino fez com que o sonho fosse interrompido. E pelos piores motivos.
Em pleno treino, enquanto pedalava, foi colhido por um condutor embriagado e deixado para morrer na berma da estrada. Corria o ano de 2006, aquando do trágico acidente que o deixou gravemente ferido e com o crânio desfeito.
Menosprezando todo e qualquer estereótipo, Joel empenhou-se arduamente num corajoso processo de reeducação. Uma habilitação surpreendente que durou mais de 15 meses, em que conseguiu reaprender a usar os joelhos. Perdido para sempre ficou o seu sentido de equilíbrio. Com tremores incontroláveis, o seu lado esquerdo sofre uma semi-paralisia e a mão esquerda inutilizada. O Síndroma de Raynaud também o ataca, um problema vaso-motriz que dá às mãos e aos pés um aspecto frio e pálido.
Sem poder pedalar na sua bicicleta, após aquele ano de esforço intenso, Joel adquiriu uma bicicleta com três rodas ou trike. E deu-se, então, o retomar dos treinos. E com a preparação física crescente, a possibilidade do sonho voltar a ocupar o seu lugar.
Sentindo-se, então, na sua melhor forma, viajou até ao Hemisfério Norte. Na Noruega, foi homenageado pelo governo com uma estátua em sua memória, que Joel inaugurou. Percorreu 14 mil quilómetros, em sete meses, mais concretamente até ao Cabo do Norte, no Círculo Polar Árctico para, depois, regressar a casa.

Bragança fez parte do roteiro deste sexagenário, que só terminará na Coreia do Sul

Neste seu segundo empreendimento, depois do acidente, Joel partiu de Narbonne, uma pequena povoação entre Toulouse e Montpellier, donde é natural, há um mês e meio. Passou por Santiago de Compostela, Chaves e, agora, por Bragança. “Empreendi esta jornada pela Humanidade. Pela paz no mundo e porque sou inválido, pretendo transmitir a todos aqueles que se encontram na mesma situação que é possível”, assegurou o francês, de 63 anos.
De Trás-os-Montes, região que não conhecia, destaca a sua beleza natural com paisagens de cortar a respiração. Mas não lhe agradam as encostas íngremes, que dificultam imenso a sua travessia.
Casado e pai de uma criança, o ciclista dirige-se, actualmente, para a capital, Lisboa, depois, seguem-se os Açores, Canadá, Alasca e Coreia do Sul. Onde dará por terminada a sua longa jornada de 10 mil quilómetros.
Joel de Bermond considera-se a si próprio um “modesto embaixador da paz”. Mas, este antigo alpinista, antes do acidente, havia já percorrido meio mundo. Desde os Himalaias, à Índia, passando por Itália, Croácia, Hungria, Eslovénia e restantes países europeus. Sempre, de bicicleta. A única diferença é que, agora, pedala numa trike. No entanto, a motivação é a mesma. E a força de vontade, cada vez maior. Aos locais que visita, Joel transporta as suas histórias, partilha as suas experiências, conforta todos os deficientes com excelentes motivos para continuarem a lutar e, essencialmente, acreditarem nos seus sonhos. “O meu objectivo é levar uma mensagem de esperança a todos os deficientes do mundo. Em particular, àqueles que sofreram traumas cranianos”, confidencia este símbolo vivo.




 

UM DESFILE SEM PARALELO

Estreia de luxo com os Homens da Luta, a desfilarem diante de um povo que tomou de assalto as ruas

Na tarde de segunda-feira, último dia da Semana Académica de Bragança, registou-se a maior enchente de que há memória na Avenida Sá Carneiro. O sol e o calor serviram de pano de fundo a uma “movida” onde o espírito académico paralisou parte da cidade. O Desfile multicolor dos Finalistas, regado a álcool quanto baste, fez-se ao rubro e em plena diversão. Sobressaíram os carros alegóricos dos respectivos cursos e os estudantes trajados a rigor.
A Associação Académica do Instituto Politécnico de Bragança (AAIPB) conseguiu envolver, pela primeira vez, a população brigantina. Algo pretendido há muito e constatado, agora, pelo seu presidente, Rui Sousa. “Normalmente, as pessoas vêem-nos passar e brindam os finalistas com um adeus. Desta vez, não só fizeram o mesmo, como participaram no desfile. Aproximaram-se para verem os Homens da Luta, divertiram-se e isso deixa-nos felizes”, assegurou o responsável.
Uma multidão de curiosos, lojistas, trabalhadores e, inclusive, de turistas, pararam, literalmente, nas imediações e por entre o desfile, na esperança de observarem os irmãos Vasco e Nuno Duarte, os protagonistas dos bonecos do PREC.


“Eles chegaram enquanto estávamos a meio de avaliar os carros. Então, fizeram uma brincadeira com os finalistas, onde se juntou a cidade em peso. Foi uma coisa impressionante, bárbara… Nunca tínhamos visto um desfile assim. Sem palavras!”, contou Rui Sousa, orgulhoso.
Outra novidade foi o patrocínio de uma marca de bebidas, que ofereceu “favaitos” aos finalistas. Alguns destaques deste ano seriam repetições de 2010, mas que nem por isso deixaram de ter mais sucesso. Foram os casos do Trio Eléctrico e da Festa da Espuma, com direito a um canhão extra, subindo para dois e que motivaram os estudantes para o banho antecipado num final de cortejo que decorreu sem incidentes.
Ao serão, depois do concerto do suspeito do costume, Quim Barreiros, e da enérgica e bem disposta actuação dos representantes de Portugal no Festival da Eurovisão, os resultados do desfile foram anunciados por Rui Sousa. Assim, o grande vencedor do Desfile de Finalistas 2011 foi Enfermagem. Depois, como houve um empate entre o segundo e o terceiro classificados, a AAIPB decidiu atribuir dois segundos lugares, repartidos entre Gestão e Fitofarmacologia e Plantas Medicinais. O Núcleo vencedor foi brindado com 150 euros e cada segundo lugar com 100 euros.


Um balanço mais que positivo

Na noite de sábado, a quantidade de pessoas presentes no Pavilhão do NERBA superou até as expectativas mais optimistas. Um número igualável só, talvez, pela actuação dos Xutos e Pontapés em 2010. O concerto de Pedro Abrunhosa arrastou um mar de gente que ouviu o artista em palco durante duas horas e meia.
Para o presidente da AAIPB, o destaque vai para dois dias, apesar dos restantes terem apresentado, também, “agradáveis surpresas”. Sábado, pela emotividade da Missa da Bênção das Pastas, pela Queima das Fitas e pela noite em si. E segunda-feira, pelo desfile e pela “ansiedade” de todos em verem os Homens da Luta, naquele que foi o primeiro concerto depois do Festival da Eurovisão.
Quanto aos 200 mil euros gastos no cartaz da Semana Académica, Rui Sousa é apologista de que se deve apostar em grande para obter um melhor retorno ou encaixe financeiro. “Não quisemos cortar no orçamento do cartaz e acho que fizemos bem. Se calhar é ao investirmos mais que conseguimos manter as coisas ou evoluir. Foi o que fizemos este ano. Mantivemos um cartaz caro numa altura difícil e as pessoas recompensaram-nos”, sustentou o presidente da AAIPB.


23 de maio de 2011

AMÍLCAR CORREIA


“Meios humanos e materiais são sempre escassos”


Nota Prévia: Todos os dados expressos nas respostas às questões colocadas são relativos a 2010, comparativamente a 2009, e dizem respeito, apenas, à área de responsabilidade da PSP, que são as cidades de Bragança e Mirandela.


FACTOS

Entrevistado: Amílcar Correia
Cargo: Comandante da PSP
Tópico: Relatório Anual de Segurança Interna 2010
Cidades: Bragança e Mirandela


ENTREVISTA

1) Houve mais ou menos participações de natureza criminal do que em 2009? Em que números?

R: Em 2009, a PSP registou 1192 crimes. Enquanto que, em 2010, registou 1147. Ou seja, menos 45, o que corresponde a uma diminuição relativa de 3,8 por cento.

2) Em 2010, houve mais ou menos furtos a residências do que em 2009? Quais os números por detrás dessa realidade?

R: Houve mais 30 furtos em residências. Em 2009, registaram-se 60 e, em 2010, 90 furtos.

3) Já no ano de 2011, têm-se registado imensos furtos. Alguns, bem recentemente. Como é que explica o aumento considerável desta tipologia de crime?

R: Ainda é prematura fazer-se esse tipo de afirmação. Tanto assim é que, no que se refere a furtos com arrombamento, escalamento e chave falsa em residências e outros, nos primeiros quatro meses de 2010, foram participadas 16 ocorrências. Em igual período, no corrente ano, foram participadas 14. O que corresponde a uma diminuição relativa de quase 12,5 por cento.

Se se refere à totalidade de crimes contra o património, nos primeiros quatro meses de 2011, então, verificou-se um aumento de 11 casos, o que corresponde a um aumento de 6 por cento.

4) Em 2010, verificaram-se mais ou menos casos de violência doméstica contra cônjuges em relação a 2009?

R: No geral, houve menos 16 participações criminais de violência doméstica. Isto é, de 135 passaram para 119, o que corresponde a uma redução relativa de 12 por cento. Especificamente, contra cônjuges ou companheiros, em 2009, foram 72 casos (53% do total), enquanto que, em 2010, foram 64 (quase 54% do total).

5) E em termos de tráfico de estupefacientes, em 2010. Registaram-se mais ou menos detenções relacionadas com este tipo de crime do que em 2009? Quais as quantidades apreendidas e quantos pessoas detidas em 2010?

R: Houve menos seis detenções. Em 2009, a PSP deteve 18 indivíduos e, em 2010, 12. Mas, em 2010, houve mais quatro pessoas identificadas, relacionadas com o consumo de estupefacientes (23/27).
Relativamente à quantidade de droga apreendida, em 2010, o valor foi superior: 3149 doses (1947 doses de heroína, 276 de cocaína e 926 de haxixe). Em 2009, a PSP apreendeu 2727 doses.

6) A nível de acidentes rodoviários, houve um aumento ou uma diminuição de sinistros? E quanto a mortos e feridos graves?

R: A PSP registou um aumento de 10% no número de acidentes participados – de 333 para 349. As vítimas passaram de 127 para 137, o que significa um aumento de 8%. Entre as vítimas, destaque para as duas mortes. Já em 2009, a PSP não havia registado qualquer morte. Feridos graves, em 2010, tivemos 28 e, em 2009, apenas se registaram 17. Ou seja, houve um aumento de 64% no que concerne aos feridos graves.


Criminalidade registada pela PSP no distrito de Bragança na última década indica que 2010 é o segundo ano com menor número de crimes, seguindo-se a 2002. Um paradoxo, visto que 2010 foi o ano em que “a crise” se começou a manifestar de forma mais evidente

7) Quais foram os cinco delitos mais participados em 2010?

R: Os 5 delitos mais participados foram: ofensas à integridade física voluntária simples, com 146 casos denunciados; outros furtos, com 122 casos; condução de veículo em estado de embriaguez, com 103 casos; ameaças e coacção, com 96 casos; e outros danos, com 94 situações.

8) Qual foi a maior investigação em curso durante o ano transacto e que tenha dado frutos?

R: Para responder à sua questão, recordo os dois artigos escritos por si para o mesmo jornal. O da edição de 10-08-2010, com o título de “Mega apreensão da PSP”, sobre a operação “Castelo”, que culminou com a intercepção de um casal por suspeita de tráfico de substâncias estupefacientes e a identificação de um menor. E a detenção do “assaltante aracnídeo”, da edição de 31-08-2010, ficando este, ao contrário do outro casal, em prisão preventiva. Ambos os casos aguardam, ainda, julgamento.

9) No actual contexto de crise política, o que é que mais preocupa a “sua” força de segurança?

R: Recaem sobre nós preocupações múltiplas. Em primeiro lugar, preocupamo-nos com questões de carácter social. O desemprego e a crise económica provocam um aumento considerável da pobreza e da exclusão social. Factores que, necessariamente, se repercutem na segurança e bem-estar das comunidades, aumentando a conflitualidade e afectando as relações de vizinhança, com reflexo da e na actividade policial. A polícia tem de estar preparada para ser capaz de providenciar resposta de qualidade. Não só em termos de segurança e tranquilidade públicas, mas, sobretudo, adoptando uma conduta de proactividade e prevenção, mais próxima dos problemas. Para, em parceria com outras instituições, poder detectar e reconhecer os problemas previamente, na tentativa de conjugar esforços para encontrar soluções. Esta problemática, leva-nos directamente à segunda preocupação, que tem a ver com os meios disponíveis, quer humanos, quer materiais. E esses, são sempre escassos.