13 de junho de 2011

BELEZA EM PASSERELLE SOLIDÁRIA

A primeira etapa do concurso Miss Mundo Portugal apurou quatro jovens do concelho de Bragança para as finais distritais

Teve início o apuramento das candidatas para o concurso Miss Mundo Portugal 2011. Esta primeira fase realiza-se a nível concelhio, procurando perscrutar jovens que se adeqúem ao perfil de Misses. Em Bragança, Bruna Monteiro, Sara Freitas, Andreia Sofia Fernandes e Inês Teixeira sagraram-se vencedoras. Mas entre as 10 jovens, apenas sete eram candidatas reais. Já que um dos requerimentos exigidos é a nacionalidade portuguesa. Uma regra de ouro, já que o fim último será escolher uma jovem para representar Portugal, naquele que, indubitavelmente, é um dos concursos internacionais de beleza mais conceituados. Ora, das três jovens, duas eram de nacionalidade polaca e outra de origem africana. Mas o júri abriu uma excepção e por condescendência, numa fase em que ainda é possível contornar os princípios básicos da competição, decidiu permitir às “outsiders” concorrer.
No concelho de Bragança, a princípio, inscreveram-se cerca de 27 jovens. No entanto, depois de submetidas a uma pré-selecção, continuaram a concurso 17. Mas sete desistiram, restando apenas as 10 candidatas que desfilaram no Moda Café. Um dos responsáveis da organização fundamenta o porquê. “Este tipo de concurso é complicado porque tem-se de gerir meninas que nunca fizeram este tipo de evento. Muitas vezes são as amizades até que as levam a inscrever-se e depois, por uma falta de afirmação e até alguma vergonha tendem a desistir”, revelou Ricardo Monteverde, da Alibaba Eventos, empresa organizadora das primeiras fases da Miss Mundo Portugal na zona norte.
Trata-se de um concurso algo amador nas pré-selecções até Lisboa. Isto porque são adolescentes, na sua grande maioria, inexperientes, que nunca pisaram uma passerelle, nem estão habituadas a “enfrentar” o público. Nestes casos, a moda traz, frequentemente, os nervos à flor da pele. Mas o que interessa mesmo é participar.

Em cinco concelhos, estão inscritas, aproximadamente, 42 jovens. Mas, em Bragança, só quatro passaram à fase seguinte (na foto, em cima)

Para além da beleza, do movimento do corpo, da expressão facial, está em causa, principalmente, a atitude com que as candidatas desfilam sobre a passerelle. Mas esta competição reveste-se, também, de um cariz solidário, já que as candidatas deverão entregar géneros alimentares que serão, depois, doados a uma instituição de solidariedade social de Macedo de Cavaleiros. “O objectivo deste concurso é, não só eleger a próxima Miss Portugal, mas também tem uma causa social associada que é, qualquer candidata que se queira inscrever, tem de fazer uma doação de alimentos”, informou o produtor de Viana do Castelo.
A final distrital será a 30 de Julho em Macedo de Cavaleiros, durante a célebre Feira de S. Pedro. Seguir-se-á, depois, Lisboa, onde será escolhida a representante de Portugal na Miss Mundo. Nesse patamar, irá a concurso uma jovem de cada país, procurando conquistar a coroa da mais bela mulher do mundo.




9 de junho de 2011

UM BAILE A TRÊS

Escolas secundárias da cidade concretizam Baile de Finalistas no valor de 7800 euros

Mais de meio milhar de alunos do secundário concentrou-se nas Piscinas do Clube Académico de Bragança na passada sexta-feira. A ocasião, o Baile de Finalistas. A principal novidade deste ano foi um autocarro descapotável de dois andares, vindo de Braga, onde os finalistas puderam passear-se durante a tarde pela cidade. Outra das inovações, prendeu-se com a concessão do bar. Um pormenor que permitiu aos estudantes organizadores desfrutarem mais do baile, sem as conhecidas preocupações de trabalho dos anos anteriores.
O destaque vai mesmo para o número de finalistas a aderirem a esta iniciativa conjunta das três secundárias da cidade de Bragança, num total de 245 pulseiras vendidas. A trinta euros cada, a pulseira dava acesso ao autocarro e ao jantar no Restaurante Académico, com bebidas à descrição. Emídio Garcia, Miguel Torga e Abade de Baçal fazem, assim, um balanço positivo de mais uma edição do Baile de Finalistas que, para muitos, foi a sua despedida oficial dos anos passados no ensino secundário.
Uma despedida feita ao som da banda Nível Seis e Carl D, numa festa cujo orçamento atingiu os 7800 euros, cobertos, em parte, pelos patrocínios e pela venda das pulseiras.



Júlia Petrova e Pedro Moreira, Rainha e Rei do Baile


25 de maio de 2011

UM EXEMPLO DE VIDA

Incapacitado, mas não incapaz, Joel pedala 10 mil quilómetros pela paz no mundo e pela “causa dos deficientes”

Era uma vez um desportista. Oriundo de uma típica região vinícola, Joel de Bermond vivia entretido no seu pequeno reino, onde se dedicava à agricultura. Já naqueles tempos, aspirava ser um porta-voz da paz aos homens de boa vontade espalhados pelos quatro cantos do mundo. Para concretizar tamanho sonho, organizou um longo périplo, em bicicleta, através da Ásia, para chegar a Pequim. Ele treinou arduamente para esse grande momento, os Jogos Olímpicos de 2008. Mas, uma reviravolta atroz do destino fez com que o sonho fosse interrompido. E pelos piores motivos.
Em pleno treino, enquanto pedalava, foi colhido por um condutor embriagado e deixado para morrer na berma da estrada. Corria o ano de 2006, aquando do trágico acidente que o deixou gravemente ferido e com o crânio desfeito.
Menosprezando todo e qualquer estereótipo, Joel empenhou-se arduamente num corajoso processo de reeducação. Uma habilitação surpreendente que durou mais de 15 meses, em que conseguiu reaprender a usar os joelhos. Perdido para sempre ficou o seu sentido de equilíbrio. Com tremores incontroláveis, o seu lado esquerdo sofre uma semi-paralisia e a mão esquerda inutilizada. O Síndroma de Raynaud também o ataca, um problema vaso-motriz que dá às mãos e aos pés um aspecto frio e pálido.
Sem poder pedalar na sua bicicleta, após aquele ano de esforço intenso, Joel adquiriu uma bicicleta com três rodas ou trike. E deu-se, então, o retomar dos treinos. E com a preparação física crescente, a possibilidade do sonho voltar a ocupar o seu lugar.
Sentindo-se, então, na sua melhor forma, viajou até ao Hemisfério Norte. Na Noruega, foi homenageado pelo governo com uma estátua em sua memória, que Joel inaugurou. Percorreu 14 mil quilómetros, em sete meses, mais concretamente até ao Cabo do Norte, no Círculo Polar Árctico para, depois, regressar a casa.

Bragança fez parte do roteiro deste sexagenário, que só terminará na Coreia do Sul

Neste seu segundo empreendimento, depois do acidente, Joel partiu de Narbonne, uma pequena povoação entre Toulouse e Montpellier, donde é natural, há um mês e meio. Passou por Santiago de Compostela, Chaves e, agora, por Bragança. “Empreendi esta jornada pela Humanidade. Pela paz no mundo e porque sou inválido, pretendo transmitir a todos aqueles que se encontram na mesma situação que é possível”, assegurou o francês, de 63 anos.
De Trás-os-Montes, região que não conhecia, destaca a sua beleza natural com paisagens de cortar a respiração. Mas não lhe agradam as encostas íngremes, que dificultam imenso a sua travessia.
Casado e pai de uma criança, o ciclista dirige-se, actualmente, para a capital, Lisboa, depois, seguem-se os Açores, Canadá, Alasca e Coreia do Sul. Onde dará por terminada a sua longa jornada de 10 mil quilómetros.
Joel de Bermond considera-se a si próprio um “modesto embaixador da paz”. Mas, este antigo alpinista, antes do acidente, havia já percorrido meio mundo. Desde os Himalaias, à Índia, passando por Itália, Croácia, Hungria, Eslovénia e restantes países europeus. Sempre, de bicicleta. A única diferença é que, agora, pedala numa trike. No entanto, a motivação é a mesma. E a força de vontade, cada vez maior. Aos locais que visita, Joel transporta as suas histórias, partilha as suas experiências, conforta todos os deficientes com excelentes motivos para continuarem a lutar e, essencialmente, acreditarem nos seus sonhos. “O meu objectivo é levar uma mensagem de esperança a todos os deficientes do mundo. Em particular, àqueles que sofreram traumas cranianos”, confidencia este símbolo vivo.