12 de agosto de 2011

O BRILHO DOS PEQUENOS MANEQUINS

Moda, canto, dança e futebol juggling na 12ª edição do "Desfile de Moda Passeio das Estrelas" 
 
Quase uma centena de miúdos de algumas das instituições da cidade de Bragança tomou de assalto a Praça Camões no passado sábado. Ao contrário de edições anteriores, não foi só a roupa e o estilo a capitalizarem as atenções do imenso público que assistiu ao 12º "Desfile de Moda Passeio das Estrelas". Em destaque, as pequenas grandes estrelas dominaram a passerelle, mas também o canto, a dança e demonstrações de perícia com uma bola de futebol fizeram as delícias dos muitos presentes. Finalizadas as Actividades dos Tempos Livres (ATL), a pequenada pôde colocar em prática tudo aquilo que apreendeu durante o mês de Julho.
Museu Abade de Baçal, Santa Casa da Misericórdia, Casa de Trabalho Dr. Oliveira Salazar, Centro Social e Paroquial dos Santos Mártires e Centro Social e Paroquial de São Bento e São Francisco foram as instituições participantes em mais uma iniciativa organizada pela Junta de Freguesia da Sé (JFS).
“No desfile são 70 crianças, mas depois há várias outras actividades, desde a dança ao canto, e uma demonstração de futebol, e aí são mais crianças que não vão desfilar”, afirmou a vogal da JFS e co-apresentadora do evento, Vânia Rodrigues. “Porque tínhamos poucas lojas, só participam cinco lojas, e só disponibilizavam roupa para 10 ou 12 crianças. Logo, tivemos de arranjar outras actividades de forma a envolver o máximo de crianças”, justificou a entrevistada. No entanto, foram precisamente essas actividades “extra”, escolhidas e desenvolvidas pelas próprias instituições, que dinamizaram o desfile de moda, dando-lhe um outro colorido.


Numa noite quente de Verão, as crianças providenciaram um espectáculo de entretenimento que durou mais de hora e meia. O Passeio das Estrelas começou com três miúdos da Casa de Trabalho a fazerem uma demonstração de Futebol juggling. Logo a seguir, teve início o desfile propriamente dito, tendo sido intercalado por um número de dança concretizado pelo Centro Social e Paroquial dos Santos Mártires e pela música “A minha casinha, em karaoke, cantada pelas crianças do Museu Abade de Baçal. Já no final, a Casa de Trabalho regressou ao palco para interpretar o hino do seu projecto “Pontes de Inclusão”.
 “Anteriormente, fazia-se isto para assinalar o último mês de Julho no A.T.L da Junta. Este ano, a Junta não fez o A.T.L, mas decidimos continuar com esta data porque muitas crianças no mês de Agosto não participam nos ATL porque vão de férias com os pais”, explicou Vânia.




  

SANTA ANA AO RUBRO

Meixedo levou a Santa Ana milhares de pessoas que lotaram o monte em dois dias de festa rija
 
A música, a dança e a animação foram uma constante durante os dois dias que duraram as Festas de Santa Ana. No sábado, a noite do arraial, o grupo popular Costa Rica, oriundo de Viana do Castelo, semeou a euforia entre crianças, jovens e graúdos que não hesitaram em marcar presença nas movimentadas e concorridas festas de Meixedo. Domingo, depois da festa religiosa, foi a vez do Ympério Show e da Banda de Música de Pinela subirem ao palco. O bom tempo e o incrível cenário que caracteriza Santa Ana, transformam estas festividades num ponto de encontro para centenas de pessoas. A chegada dos emigrantes também já se fez notar, eles que compareceram em grande número a um espectáculo que os próprios consideram imperdível.
“Está muita gente hoje (sábado) aqui, sem dúvida. São dois dias de festa, mas também é uma romaria. Temos as novenas, que começaram dia 22 e terminam amanhã (domingo), que é o dia da festa religiosa”, explicou o “juiz da festa”, Abílio Gonçalves.
O responsável máximo pela supervisão de todos os preparativos e pormenores relacionados com o andamento da festa só lamenta o não uso do fogo de artificio. “Antigamente, havia fogo, mas acabámos com ele. Também não é permitido! E aqui é fácil de atear um fogo e nós não estamos para investir dinheiro e termos prejuízo por outro lado”, justificou o ex-militar da GNR, agora reformado.
 
 
No início, as festas eram realizadas na aldeia, mas já há mais de 20 anos que Meixedo transporta as festividades para Santa Ana. Uma receita de sucesso com um pano de fundo fantástico para uma festa que se quer perfeita. “Todas as pessoas de fora que por aqui passam ficam encantados com as vistas que isto tem a toda a volta”, conta Abílio Gonçalves, que já esteve no papel mais importante da comissão de festas por diversas vezes
O único ponto negativo desta celebração anual foi mesmo o preço da comida para quem desejava saciar o estômago. “Estou com um amigo meu e queríamos comer qualquer coisa. Fomos ali perguntar à comissão de festas e são 10 euros por pessoa. Ou seja, eu e o meu amigo temos de pagar 20 euros só para comer um bocado de pito assado”, comentou um alegre folião, que não se deixou abater pelo preço excessivo da comida em época de crise. Como alternativa, uma barraquinha lateral era a opção exequível, providenciando cachorros quentes e bifanas a três euros.


O SONHO DE SALVAR UMA VIDA

A mais jovem rapariga dos Bombeiros Voluntários de Bragança integrou a corporação movida pelo sonho de salvar uma vida
Com, apenas, 14 anos, Maria João Fonseca integrou os Bombeiros Voluntários de Bragança (BVB) em Dezembro de 2010. Actualmente com 15, feitos a 20 de Junho, continua a ser o elemento mais novo de toda a corporação.
Com um apurado sentido de responsabilidade, Maria justifica a sua entrada nos bombeiros com a possibilidade de ajudar a salvar vidas. “As pessoas conhecem os bombeiros como heróis e só de pensar que nós podemos ajudar a salvar vidas, já é uma mais-valia. Deitarmo-nos todos os dias e pensarmos que podemos salvar alguém só nos faz querer continuar”, conta a jovem, de férias, após ter concluído o 9º ano. Mas os bombeiros, esses, não permitem férias. E Maria encontra-se num constante estado de alerta e prevenção. “Faço tudo aquilo que me pedirem. Em eventos que possam dar algum trabalho, nós vamos sempre para lá. Já estive em acidentes, fiz prevenção à Semana Académica, jogos de futebol, a Rampa de Bragança.”, relembra a “bombeira”.
O caso mais grave registado por Maria até ao momento foi mesmo o falecimento de uma idosa que se encontrava a viver no Lar da Santa Casa da Misericórdia. “Na semana passada fomos activados por uma dispneia, mas quando chegámos ao local a senhora encontrava-se já sem pulsação. Activámos a VMER, ligámos o nosso monitor, começámos a fazer as manobras de animação, mas sem qualquer resultado e acabou por falecer”, descreve Maria. “Foi a primeira vez que me aconteceu algo parecido e foi chocante! A mulher tinha 96 anos e os médicos disseram mesmo que não valia a pena estar a sufocar mais a mulher. Agora, eu nunca tinha visto um morto à minha frente e isso não se esquece”, testemunha.
No que diz respeito ao ambiente que se vive nos bombeiros, a jovem cadete não poderia estar mais satisfeita, considerando os seus colegas como uma autêntica família. “Eles acolheram-me muito bem! Estão sempre na conversa, na brincadeira e com os bombeiros mais velhos eu sinto segurança. Não há conflitos! Aquilo é uma família e foi ali que eu conheci gente mesmo boa”, assegura Maria.
Em plena época de incêndios, sobretudo, no mês de Agosto, a mais nova cadete dos BVB não teme as adversidades que lhe possam surgir, até porque está salvaguardada, pelo menos, por esta temporada. “Para já, eu não posso trabalhar em incêndios porque para isso precisava de ser bombeiro de terceira e eu ainda sou cadete. Depois, sigo para estagiário e só depois passo para bombeiro de terceira”, afiança.


De pequenino(a)...

Ana Beatriz Gomes, de 7 anos, faz parte de um grupo de dez meninos que pertence aos Bombeiros Voluntários de Vinhais. Nascida em Bragança, mas criada em Vinhais, Beatriz segue, há cerca de um ano, o exemplo da casa. “Estou super orgulhosa da minha filha e adoro vê-la de farda. Claro que gostava que ela continuasse. Esta é uma família de bombeiros, os primos também são”, afirma Nadia Gomes, a mãe da pequena Beatriz, também ela bombeira.