10 de setembro de 2011

AQUÉM DAS EXPECTATIVAS

Festa de Verão condicionada pela alteração de local, após autarquia brigantina negar licença para a sua concretização nas piscinas.
Registaram-se perto de cinco mil entradas na festa de Verão Bragança Live To Dance. Com um orçamento de 20 mil euros, Lucenzo foi o cabeça de cartaz de um público maioritariamente constituído por jovens emigrantes. Mas a “quality star” do evento não fascinou, repetindo ritmos numa actuação que não durou uma hora. Contudo, para os promotores da iniciativa, a aposta estaria ganha se tudo tivesse decorrido como inicialmente planeado. A festa estaria prevista acontecer nas Piscinas do Clube Académico de Bragança. No entanto, a autarquia negou o pedido da Associação Académica do Instituto Politécnico de Bragança (AAIPB), entidade organizadora, e o evento teve, assim, de ser transferido para o NERBA. Um espaço fechado que pouco ou nada a ver tem com uma festa de Verão, onde dois dos maiores requisitos são, precisamente, a água e o ar-livre. O cenário idílico traduzido nas piscinas viu-se, desta forma, manietado por um contratempo que deixou a organização, no mínimo, insatisfeita. “Pretendíamos que esta fosse uma festa de Verão, mas não num sítio coberto. Não era bem aquilo que nós queríamos, mas somos persistentes e vamos até ao fim”, afirmou o presidente da AAIPB, Rui Sousa. “Se a festa tivesse sido no local inicial, não duvido que teríamos o dobro ou o triplo das pessoas”, confessa o responsável. Questionado sobre qual a justificação dada pela autarquia, Rui referiu que há três versões distintas. “Eu já ouvi três versões diferentes porque é que a festa não foi nas piscinas. A versão que me deram a mim, ao Académico e a que corre na cidade. A mim disseram-me que foi por causa de queixas dos vizinhos”, explicou.
Na opinião de Rui Sousa, se algo de positivo surgiu deste evento foi a união das duas discotecas concorrentes da cidade, que, nesta iniciativa, colaboraram em uníssono para o mesmo objectivo. “A ideia partiu da AA e lançámos o desafio às discotecas da cidade. É uma coisa engraçada e que as pessoas até devem ter orgulho que é juntar as duas casas comerciais da noite para organizar este evento”, afirmou. Mas nem a união das duas casas mais requisitadas da noite brigantina fez lotar o NERBA ou convencer a autarquia. Com entradas a 7 euros, o espaço parecia quase vazio. Um facto que se deve à grande amplitude das instalações, apesar de se terem vendido centenas de ingressos.
“Se elas trazem certos nomes às suas casas, porque não juntarem-se as duas e trazerem uma coisa melhor para fazermos uma festa maior. Bragança merece!”, defendeu o dirigente máximo da academia.


22 de agosto de 2011

SÓ DÁ FUTEBOL


Pólos desportivos da cidade necessitam de verba de 75 mil euros para manutenção e recuperação

Num levantamento sobre o actual estado dos pólos desportivos da cidade de Bragança, o Jornal Nordeste detectou que a grande maioria das infra-estruturas estavam danificadas ou, pelo menos, não reuniam as condições ideais para a prática desportiva. Apesar da grande maioria contemplar, inicialmente, outros desportos que não o futebol, facto é que só o “desporto rei” encontra eco na maioria dos espaços.
De todos os pólos desportivos verificados, o do Bairo de São Sebastião é o único pertencente à Junta de Freguesia de Santa Maria, enquanto que os restantes oito estão sob a tutela da Junta de Freguesia da Sé (JFS). São eles o do Bairro Artur de Mirandela, Campelo, Coxa, Cubanos, Formarigos, Pinhal, Previdência e Bairro do Sol.
Na grande maioria dos campos, o ténis ou o basquetebol não é uma opção como estaria previsto, dado as próprias tabelas parecerem ter sido arrancadas e as redes terem desaparecido. Outros recintos têm as suas portas de acesso estragadas ou o gradeamento danificado. As marcações do pavimento, essas, ainda se encontram bastante visíveis.
“Desde 1997 que a Junta decidiu tentar cobrir toda a área da freguesia com oito pólos desportivos. Em todos os nossos mandatos, de 4 em 4 anos, fazemos uma grande recuperação dos pólos desportivos. Aliás, notória ainda nalguns ao nível do pavimento e da pintura”, explanou o presidente da JFS, Paulo Xavier. No entanto, pequenas intervenções são levadas a cabo de tempos a tempos. “Pontualmente, vamos aos campos fazer certos arranjos de reduzida dimensão. Por exemplo, o arranjo das portas e das grades acontece amiúde”, salvaguardou.

 Paulo Xavier não acredita que haja vandalismo em Bragança, mas antes “pequenos distúrbios”

De acordo com o autarca, a última “grande recuperação” foi realizada há três anos, mais precisamente em 2008. A próxima está prevista acontecer, ainda, para este ano. Isto se a Câmara Municipal de Bragança (CMB) responder afirmativamente ao pedido feito no passado mês de Abril pela JFS, para um montante de 75 mil euros que se destina à manutenção dos oito pólos desportivos. “Este ano, poderemos vir a proceder a uma grande recuperação se o orçamento municipal contemplar uma verba própria para recuperação e conservação dos pólos da área da freguesia. Logo que o município disponibilize essa verba, procederei de imediato aos arranjos necessários”, garantiu o responsável.
Para além do desgaste normal a que estão sujeitos, os campos são frequentemente alvo de vandalismo. Sendo certo que existem certas estruturas desportivas que cedem muito mais facilmente aos danos provocados de forma propositada como as tabelas de basquetebol, a JFS pondera, agora, a possibilidade de não se voltar a colocar nenhuma ou, então, a sua reimplantação em menor número. Em certos espaços, existiam quatro tabelas para a prática do basquetebol e, neste momento, não resta nenhuma. Nesses casos, a JFS prevê voltar a instalar apenas duas.
Outra das soluções que Paulo Xavier contempla é a celebração de um protocolo entre a autarquia e a JFS para a desconcentração de poderes. Um acordo que daria mais autonomia à Junta e lhe permitiria proceder a esses pequenos arranjos sem necessitar de esperar pela aprovação da CMB. “Não temos verbas suficientes e o Fundo de Financiamento das Freguesias, que vem do estado, é para as despesas correntes, de gestão e com os recursos humanos. O município poderia celebrar um protocolo de desconcentração de poderes para a freguesia fazer essas pequenas obras”, defendeu o responsável.



"CRISE NAS DUAS RODAS"


Apesar das críticas de muitos motards, o responsável pela concentração respondeu com um sábado “completamente cheio”.

Com um orçamento próximo dos 20 mil euros, a XXI Concentração Internacional de Motos de Bragança registou, aproximadamente, mil inscritos. Um número muito aquém dos alcançados em edições anteriores, mas que foi desvalorizado pela entidade organizadora do evento, o Motocruzeiro. “Esta concentração está a correr com algumas dificuldades, não em termos organizativos, mas há a sensação de que, ou não foi feito tudo, ou então, de facto, há crise e há dificuldades por parte de muitas pessoas. Motards que eram habituais, que vinham ano após ano e que, este ano, não vieram”, explicou o presidente do moto clube, Francisco Vara, lamentando a inexistência de quaisquer apoios.
Contudo, um número de participantes bastante inferior às expectativas criadas por muitos fez soar um coro de críticas a que Francisco Vara respondeu. “A esses desafio-os a virem cá! Mas não vêm há vários anos e porquê? Porque esses tentam fazer tudo para que a concentração acabe. Só que depois quando chega a noite de sábado, a concentração fica cheia. E mais uma vez eles não venceram”, defendeu.
As críticas ao actual presidente têm vindo a fazer-se sentir, sobretudo, desde as últimas eleições. “A mim, eles não conseguem destruir. Nem me conseguem ganhar umas eleições há 20 anos, nem sequer gente conseguem para fazer uma lista”, ironizou Francisco, que concorreu em lista única à direcção do Motocruzeiro. Ciente da oposição, o responsável não desarma. “Esses a mim não me incomodam porque eu tenho muito mais valor, capacidade, atitude e responsabilidade. A mim não me tocam! Sou muito mais que essas pessoas! Também não são muitas, mas algumas, eu sei”, arremessou Francisco.


Apesar da escassa afluência na noite de sexta-feira, mesmo com a actuação da banda brigantina Black Dog, contaram-se no recinto cerca de 5 mil entradas no somatório do passado fim-de-semana. A chuva que se fez sentir sábado de manhã fez a organização temer o pior. Mas tudo não passou de uma ameaça por concretizar. A maior surpresa desta edição estava mesmo reservada para a noite, com o Passeio nocturno a conseguir reunir centenas de motas. A população da cidade acabou por aderir aos festejos reunindo-se nas bermas de ruas e avenidas, saudando os motards à sua passagem. “No passeio, havia imensa gente, o que se acabou por se confirmar depois no recinto. Estava completamente cheio! Foi um bom espectáculo com muita gente, grandes pilotos, shows de freestyle e as bandas. No fundo, um saldo bastante positivo”, sublinhou o responsável.
No aquecimento do asfalto, por três ocasiões distintas, estiveram Humberto Ribeiro, Bruno Carioca e Fábio Bitoca em freestyle. Mas foram os grupos musicais que actuaram ao longo das duas noites, como o “Nordeste Som” ou o “Aguarela”, a arrecadarem a maior fatia do orçamento, cabendo a cada um três mil euros. Outro dos destaques vai para a tenda da Ducati que trouxe à capital de distrito uma dezena de motas referência da marca, inclusive uma a correr no campeonato nacional.