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15 de março de 2011

PINELO EM CASCAS E BUTELO

O Centro Cultural e Recreativo de Pinelo organizou um almoço de cascas e butelo através da sua Confraria

Mais de meia centena de pessoas almoçou em Pinelo, Vimioso, no domingo passado. Por ocasião do Carnaval, a “Confraria Gastronómica das Cascas e do Butelo” convidou ao desfrutar de boa música, tocada ao som de bombos e gaita-de-foles, e de uma excelente refeição. Um almoço confeccionado pelos sócios e compadres da confraria, recheado de produtos “da terra”, tipicamente regionais, como o enchido de carne com ossos acompanhado por feijão seco na própria vagem.
“A confraria foi a forma que encontrámos de conseguir reunir os nossos sócios porque metade deles estão fora, em cidades como Bragança, Lisboa ou Porto. Encontrámos, assim, um motivo de reunião para os sócios neste dia”, desvendou João Amado, presidente da actual direcção do Centro Cultural e Recreativo de Pinelo (CCRP), na qual se integra a Confraria. Um motivo que se repete há já três Invernos, apesar da Confraria só ter sido fundada há quatro anos.
"Foi a anterior direcção, no seu último ano de mandato, que fundou a confraria e inseriu o butelo e as cascas, pelo facto de achar por bem fazer essa união dos sócios”, informou o responsável máximo, aos comandos da Confraria há, apenas, três anos. O CCRP foi fundado em 1984, mas esteve parado entre 1991 a 1998, altura em que Carmina Amado Pires e as restantes colaboradoras o reactivaram. “O objectivo que me moveu, inicialmente, foi restaurar a escola da aldeia que estava em péssimo estado e que é, agora, a sede do Centro”, conta a aposentada professora do ensino básico.


Carmina explica aquilo que a motivou: “trata-se de manter os usos e costumes da nossa terra e não deixar que eles caiam no esquecimento. Hoje em dia já se faz menos, mas, antigamente, toda a gente criava o seu porco e fazia o seu fumeiro”. O butelo era, precisamente, o mais importante por causa do roubar do pote no Carnaval. Enquanto ia uma pessoa de cada casa, normalmente, um homem, a limpar caminhos ou a arranjar qualquer coisa que tivesse sido destruído durante esse Inverno, num dia de trabalho comunitário, as mulheres ficavam em casa a preparar o almoço.
“Quando os homens chegavam, a pensar que iam comer um grande repasto, muitas vezes tinham no pote as coisas mais estapafúrdias que pudesse haver, desde tamancos velhos a cebola ou batatas com casca. É uma tradição que já se perde no tempo, mas que, hoje, com menos frequência, ainda se faz”, conta Carmina, que esteve oito anos na direcção do CCRP e que é, actualmente, “uma” dos 12 confrades. “Tem tudo a ver com o butelo porque falamos do Domingo Gordo. A partir de agora não se pode comer carne. Então, aproveitava-se o dia de Carnaval para acabar orelhas, pés e butelos para as pessoas, depois, não terem a tentação, durante a Quaresma, de comer o fumeiro”, conclui Carmina, uma das confrades ao serviço de Pinelo e da própria região transmontana.

9 de dezembro de 2010

O PRAZER DE DEGUSTAR

“A Vileira” tem vindo a projectar o nome de Vimioso no país e além-fronteiras na arte da Gastronomia Micológica

No fim-de-semana passado, a Jornada Gastronómica Micológica tomou Vimioso de assalto, pelo segundo ano consecutivo. O Hotel/restaurante “A Vileira”, responsável pela implementação desta iniciativa, presenteou os convidados com entradas, pratos e sobremesas baseados nos ricos sabores dos cogumelos da região. No sábado, ao jantar, por exemplo, o restaurante encheu com pessoas oriundas de várias partes do país como do Porto, Braga e, inclusive, de Espanha.
“De momento, as jornadas estão a correr muito bem mesmo. O ano passado fizemos as primeiras, este ano, são as segundas e, claro, com a prática vamos melhorando. É outra facilidade, dada a experiência adquirida”, assegura o proprietário d´A Vileira, Luís Garcia.
Em relação ao ano transacto, foram introduzidas algumas alterações. Como, por exemplo, de 4 dias, a II Jornada Micológica passou para dois, e em vez dos 8 menus diferentes, as pessoas podiam optar por um único menu de degustação, concebido através da selecção dos melhores pratos de 2009.
De acordo com o responsável, muitos dos clientes de hoje, são pessoas que estiveram presentes o ano passado. “O facto de repetirem só prova que ficaram fãs da nossa cozinha e que a primeira Jornada foi um sucesso. Sobretudo, porque muitos dos nossos clientes vêm de longe”, sublinha Luís Garcia.


Este ano, associou-se à iniciativa, o Hotel Rural de Vimioso, realizando a sua Primeira Jornada Gastronómica Micológica. Uma estreia vista com bons olhos pelo mentor deste acontecimento. “O ano passado, eu prometi que iria fazer uma campanha entre os meus colegas da restauração com o intuito destes aderirem. Falei com eles e só houve um que aderiu... Espero que lhe corra bem, para que, no próximo ano, repita e consigamos contagiar os restantes colegas. Seria um prazer e teríamos mais força entre todos”, adianta Luís Garcia. Se assim fosse, os envolvidos poderiam mesmo pedir apoios à Câmara Municipal, ao Turismo, e organizar um evento mais de Vimioso, do que, apenas, de um ou mais restaurantes. “Esse era o meu sonho! Não podemos parar no tempo”, desvenda, sobre um evento que promete divulgar o bom nome da Vila e a sua excelente gastronomia nos anos vindouros.