12 de junho de 2010

INSPIRAÇÃO CLÁSSICA

Um instrumento "do passado" retoma o presente aliando-se à música electrónica para terminar um círculo em vislumbrar do futuro

Integrada no último dia da Semana Africana, esteve a performance da artista Noa no Mercado Club, naquela que foi a sua segunda actuação, em Bragança, num curto espaço de tempo. Oriunda do Porto, a jovem violinista Lia Gesta, dispõe de uma formação clássica de 17 anos que lhe permite improvisar com house music.
Prestes a concluir um ano, Noa explica a origem do projecto que a tem levado aos quatro cantos do território nacional e o porquê de ter decidido aliar o classicismo próprio de um instrumento como o violino com sonoridades electrónicas, a que muitos especialistas chamam a música do futuro. “A verdade é que eu tenho muitos amigos djs como, por exemplo, o Miguel Barros. Aliás, foi ele quem me incentivou e foi pela mão dele que eu comecei a fazer improvisação com house music. A partir daí não mais parei”, revela esta virgem de signo com apenas 27 anos de idade.
Uma das sensações mais aprazíveis para Noa é quando actua sem ser suposto, isto é, quando não existe nada combinado previamente. “Embarquei num cruzeiro com outros músicos, recentemente e, a dada altura, juntámo-nos e começámos todos a fazer música. É esse tipo de situações que, a mim, mais me completa”, revela a artista, que adopta a sensualidade como um trunfo.
“Obviamente que adoro tocar ao vivo, mas desde que haja interacção com o público o resultado é sempre óptimo e enche-me a alma”, confia Noa.
A sedutora artista portuense começou a estudar violino aos 10 anos e completou o 8º grau do conservatório numa academia privada em Vila Nova de Gaia. Virada a página do passado, o futuro estará na virtude do seu próximo passo, uma carreira excepcional quando conseguir encantar o estrangeiro com a arte do instrumento que caracteriza a sua virtuosidade e sensibilidade musical.


“Não acho nada inaceitável num ser humano, agora a mentira é desnecessária. Quem sofre é quem a diz porque a outra pessoa não sabe”


“Aquilo que a mim me custa mais a ultrapassar são as decepções, sobretudo, aquelas que vêm das pessoas que nos são mais próximas. Amigos, por vezes, a família”


“Não há nada que seja desprezível, tudo é ultrapassável, depende da perspectiva com que encaras o problema”


Três desejos: “Muita lucidez, saúde e, o último, que tivesse mais mil”
 

11 de junho de 2010

FREESTYLE DA BOLA

A primeira actividade de Football Junggling convidou os jovens a demonstrarem a sua perícia de bola

“Este projecto destina-se a todas as crianças e jovens da comunidade em situação de alguma fragilidade social que necessitam através de actividades demonstrar à cidade aquilo de que são capazes”, referiu a coordenadora do projecto “Pontes de Inclusão”, Iveta Vilares.
Esta iniciativa, promovida pela Casa de Trabalho Dr. Oliveira Salazar, numa parceria com a Junta de Freguesia da Sé, pretendeu reunir cerca de 20 craques da bola, naquela que foi a a primeira actividade de Football Junggling (freestyle da bola) na cidade de Bragança.
A partir das 20:30, na Praça Camões, a organização aguardava a chegada dos participantes para a demonstração, quer fossem dos pioneiros, do futsal, do GDB ou da Mãe d´ Água, para além de mais 5 inscrições de jovens da cidade e de uma equipa do Estoril, que vinha a Bragança participar num torneio organizado pela Escola Crescer.
No final, houve diplomas para os grupos que acompanhavam os jovens e certificados de participação para todos aqueles que integraram a iniciativa.
Prémios não houve, segundo a coordenadora, pois tratou-se apenas de uma demonstração. “Em Setembro, iremos organizar esta actividade, mas como campeonato e, aí sim, já haverá classificações. Hoje, é mais no sentido de divulgar já que é a primeira vez que a cidade de Bragança faz uma iniciativa do género”, revelou a coordenadora, que é também educadora social na Casa de Trabalho.
“Através destas actividades de carácter mais recreativo e dinâmico conseguimos cativar os mais novos a participarem. Pretendemos, assim, adrenalizar crianças que precisem de apoio e acompanhamento nalgumas actividades que o projecto desenvolve”, afirmou a responsável.
O projecto “Pontes de Inclusão”, também ajudou à organização do futebol de rua no passado dia 29 de Maio. A sua equipa, Mil e Oito, classificou-se para a final e vai a Lisboa disputá-la no próximo mês de Julho.
A sede do projecto funciona por cima da tipografia da Casa do Trabalho, no edifício novo que foi reformulado, na Avenida Cidade de Zamora. Tem gabinetes, um espaço de informática e ginásio, bem como alguns cursos de fotografia, multimédia, arte e animação ao serviço da comunidade e desenvolvidos pelo projecto na Casa de Trabalho.

UM PALÁCIO PARA PALÁCIOS


Inaugurado o Centro de Convívio de Palácios e a população pede já outro equipamento idêntico para Caravela

No dia 6 de Junho, foi estreado o novo Centro de Convívio de Palácios com direito a música e a um autêntico almoço transmontano. Esta obra teve o apoio da Câmara Municipal de Bragança (CMB), da Junta de Freguesia de S. Julião de Palácios, da Associação Cultural, Recreativa e Ambiental de Palácios e Comissão de Festas de Palácios, sem esquecer o contributo significativo da população. Com duas divisões, o edifício conta com um amplo salão e uma cozinha bem equipada, para além das casas de banho, num tipo de investimentos revitalizante para as aldeias do concelho.
“O apoio camarário foi na ordem dos 45 por cento, num investimento total próximo dos 140 mil euros. Esta obra resulta de um trabalho vastíssimo feito pela comunidade que não é, imediatamente, contabilizado. Esta gente deve valorizar imenso o seu trabalho porque já são pessoas de idade e fazem aquilo que nós, eventualmente, na sua idade não seremos capazes de fazer”, refere o presidente da autarquia, Jorge Nunes.
Quando questionado sobre o elevado montante investido numa aldeia cuja população ronda as 50 pessoas, o presidente defende: “numa próxima geração, a população pode ser o dobro, depende dos mais jovens e destes regressarem à terra”
Quanto ao apoio da autarquia para a construção de um novo centro de convívio em Caravela, pedido realizado pelo presidente da Junta de Freguesia de S. Julião, Jorge Nunes pensa que será possível. “Já existe um centro de convívio bonito, com uma área envolvente muito interessante, mas eu creio que dentro de 2 anos é possível que essa ambição da freguesia se torne realidade, naquele que será o último espaço de convívio necessário na freguesia. Mas faz parte da natureza humana cada um querer as coisas à sua porta.


Da Associação Cultural, Recreativa e Ambiental de Palácios, Raúl Tomé, deixa um pedido sobre a mesa. “Peço a todos, sobretudo, ao presidente da Câmara que não permita que aquilo que nos caracteriza desapareça. Quer sejam actividades agrícolas, culturais, ou ligadas às tradições, aos contos e à poesia. Há poetas nas nossas terras e é necessário haver alguém que trabalhe no sentido de fazer prevalecer a nossa cultura".
Quanto ao Centro de Convívio, agora inaugurado, este professor, um dos principais responsáveis pelo Festival da Lombada, é da opinião que “a obra permitirá que os acontecimentos culturais surjam na aldeia de Palácios de uma forma natural”.