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11 de abril de 2011

ÚNICA QUEIMADA EM 2011

Apenas três hectares foram queimados este ano dos 40 previstos pela autarquia brigantina para 2011/12

Na primeira e única queimada do ano de 2011, na área circundante à aldeia da Aveleda, foram queimados três hectares de mato através do método de fogo controlado. O objectivo foi o de salvaguardar um pequeno bosque localizado nas proximidades do calor intenso que se faz sentir no Verão nordestino e que propicia, tão frequentemente, os incêndios florestais.
“Estamos aqui a proceder a uma queimada através de fogo controlado que é uma operação que tínhamos previsto para este ano e para o próximo, no total de 40 hectares”, salientou o vice-presidente da Câmara Municipal de Bragança (CMB), Rui Caseiro. Um plano que, para ser bem sucedido, terá de, em 2012, concretizar em área ardida os restantes 37 hectares. Segundo o autarca, este ano não se realizaram mais queimadas devido às chuvas que se fizeram sentir no mês de Março. “Em princípio, não vamos queimar mais este ano, no próximo veremos, porque a nossa previsão era para termos queimado já outras zonas, durante o mês de Março, só que as condições climatéricas não o permitiram. Assim, este ano, ficaremos por aqui”, afirmou o responsável.
De acordo com o técnico de defesa da floresta contra incêndios da Autoridade Florestal Nacional (AFN), Hélder Bragada, a chuva representa sempre um grande contratempo neste género de operações, já que o terreno em causa deve ficar, pelo menos, dois a três dias sem água para o deixar suficientemente seco para se recorrer ao fogo controlado em condições ideais. Se, no ano seguinte, as condições climatéricas voltarem a não permitir a realização das queimadas, o plano de 40 hectares ficará em incumprimento por uma grande margem de diferença. “Nós estamos sempre condicionados pelo tempo que se faz sentir, a chuva representa um grande impedimento. São condições sobre as quais não temos nenhum controle”, continuou Rui Caseiro.

Estes trabalhos de prevenção, cujo fim último é a protecção das manchas florestais mais significativas do nosso território, são de grande eficácia e representam uma enorme poupança em termos de meios humanos e materiais, quando comparados com o combate real aos fogos florestais em plena época de incêndios. “O fogo controlado é uma forma muito mais simples e mais barata de prevenir potenciais fogos que possam, eventualmente, acontecer na época de incêndios”, sublinhou.
Recorde-se que, o ano passado, foi pedido às comissões de baldios e às juntas de freguesia para solicitarem à autarquia, caso assim o desejassem, queimar algumas das suas áreas. Soutelo serviu de exemplo. Para 2011/2012, a estratégia foi alterada. “Este ano, utilizámos uma estratégia de conhecimento que a comissão municipal da defesa da floresta contra incêndios tem, pois conhece o território, as suas manchas florestais e as suas especificidades próprias”, referiu o edil.
Na Aveleda, o trabalho foi coordenada pela AFN em estreita colaboração com os bombeiros, uma equipa de sapadores e a CMB.

18 de maio de 2010

CATÁSTROFE AMBIENTAL

Parque de campismo do Sobre Águas em risco de abrir devido a alegada contaminação do rio provocada por extracção de areias ilegal

Na última semana de Dezembro, as fortes chuvas na região puseram a nu uma grave situação ambiental, sem paralelo no distrito de Bragança e cujas consequências se podem ter começado a revelar agora. Das antigas minas do Portelo, convertidas à posteriori para extracção de inertes, a água arrastou consigo as areias depositadas na montanha sem qualquer espécie de controlo, “inundando habitações, destruindo várias culturas, campos agrícolas” (CMB), contaminando, lameiros, rios e ribeiras e matando animais (peixes, cobras, sapos…). As populações mostram-se indignadas com a situação, sobretudo, nas zonas mais afectadas pela catástrofe ecológica, nomeadamente, a sub-bacia da ribeira da Aveleda/Baçal e a Bacia do Sabor na área protegida do Parque Natural de Montesinho.
“É uma vergonha”, suspira Francisco Tecedor, nascido em Rio de Onor, mas que conhece a Aveleda como a palma das suas mãos, há mais de 60 anos. “Aqui morreu tudo e não ficou nada! Antes, isto era um rio truteiro e, agora, não se vê aqui uma alma a pescar”, afirmou o agente reformado da PSP.


Em Janeiro, segundo a rádio Brigantia, o presidente da junta de freguesia de França, Amândio Costa, depois das chuvas, disse: “Basta olhar para a cor do rio para ver que é material altamente poluente, arsénicos, sílicas. A fauna piscícula da ribeira da Aveleda deve ter morrido toda. E na ribeira do Portelo há sítios onde estão depositados mais de dois metros de areão.”
As minas de volfrâmio de Montesinho/Portelo foram desactivadas há 25 anos. A empresa que, então, explorava o minério, propriedade de Manuel João Leal, cessou a actividade para dar início a outra, a extracção de inertes e areias. Contudo, conforme os documentos providenciados pela Câmara Municipal de Bragança (CMB) a respeito desta matéria, a entidade exploradora, “Minareias”, laborava sem legitimidade para o fazer e, em consequência da extracção de inertes, provocou avultados prejuízos ambientais.
Segundo a população, como o rio Pepim está contaminado, assim está o rio Sabor, cujo curso de água atravessa o parque de campismo do Sobre-Águas, pertença do INALTEL, colocando a sua abertura, inicialmente, prevista para 7 de Maio, em risco.

“Não faz sentido abrir o parque naquele estado. Se dizem que a água está própria para beber, que a bebam eles”

Noutros documentos fornecidos pela CMB ao Jornal Nordeste, relativos aos “Impactos negativos do arrastamento, deposição e circulação de sedimentos na sub-bacia da ribeira da Aveleda/Baçal, Bacia do Sabor – Parque Natural de Montesinho”, de 23 de Maio, pode ler-se num dos pontos: “Relativamente à GNR – SEPNA, o sr. oficial coordenador, Major Amândio Martins, informou constatar que do relatório enviado pela ARH – Norte, da análise da água, resultou a indicação de a água ser favorável ao consumo…”.
Tentámos contactar, por diversas vezes, o presidente da Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Norte, António Guerreiro de Brito, numa tentativa de saber a quem imputar responsabilidades no caso de algo acontecer durante a época balnear relacionado com o estado da água, mas sem sucesso.


Segundo o responsável pelo Pelouro dos Parques de Campismo do INATEL, Luís Ramos, a situação coloca em risco ou adiou, pelo menos, a abertura do parque de campismo, já que o ano transacto abriu em Abril. “Estamos bastante preocupados! De tal forma que, o parque  não abrirá antes de 20 de Maio, enquanto não tivermos a total confirmação de que a água está em plenas condições. Entretanto, pedimos, já, um parecer à CMB e aguardamos por uma resposta”.
Para além dos postos de trabalho em perigo, caso o parque de campismo não abra, também César Alves, a explorar o bar do Sobre-Águas, desde Maio de 2009, e com mais um ano de contrato, pode sair lesado.
“O parque até pode abrir, mas conforme está o rio e sem saber em que condições se encontra a água, se as pessoas podem ou não tomar banho, eu não abro o bar. Só se for para ter mais prejuízo… Quem é que vai para lá?”, questiona o empresário. Revoltado com a situação, declara: “Nem sei se podemos lavar as mãos! Se alguém apanhar uma doença, de quem é a responsabilidade? Não faz sentido abrir o parque naquele estado. Se dizem que a água está própria para beber, que a bebam eles”.


Guilhermina Garcia, da Aveleda

“O rio está assim devido às minas do Portelo. Desde o mês de Dezembro que isto está uma miséria, uma porcaria… Matou os peixes e até as rãs e as cobras! A água não está boa nem para as crias, nem para as galinhas! Os animais morrem se beberem dessa água!"


Francisco Tecedor, de Rio de Onor

“Deixou de haver peixe quando começou a vir uma água verde. Eu tenho animais aos quais só dou água da rede. Nesta altura, deveria haver aqui muitos sapos a transitar de um lado para o outro, bem como trutas de 50 cm, mas nem vê-las!"



A GNR SEPNA, na voz do Capitão Silva Azevedo, declarou ao Jornal Nordeste que visitas periódicas às extintas minas têm sido levadas a cabo pelos seus militares no sentido de garantir a não laboração da entidade exploratória. No entanto, se não existe ou não deve ser permitido qualquer tipo de actividade, dada a sua "ilegalidade", o veículo pesado que se encontra no local, mais uma pickup de caixa aberta, indiciam fortes probabilidades de estar a acontecer precisamente o contrário.