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19 de novembro de 2010

UMA CARREIRA EM MEDICINA

Poesia servida em banho de êxtase encerrou a devida homenagem ao médico que sonhou, um dia, ser actor

Em jeito de despedida, ex-colegas de Emílio Jorge Maia Gonçalves, médico recentemente reformado, brindaram-no com um jantar convívio entre amigos. No Hotel S. Lázaro, foram cerca de 30 os convidados de honra a  homenagearem o médico aposentado do Centro de Saúde de Bragança. 
“Acho que não mereço nenhuma homenagem, para mim isto é mais um convívio entre colegas. Não deixa de ter um sentido de despedida porque já não exerço activamente a profissão há três anos. Por isso, posso dedicar mais tempo à poesia”, avançou Emílio Gonçalves, no vigor dos seus 70 anos. E assim o fez, no final do jantar, depois da entrega de um ramo de flores, com um recital de poesia. Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa, é o seu poeta de eleição. Leu alguns dos seus poemas e outros de amigos, poetas conhecidos. Sophia de Mello Bryner Anderson também integrou a sua selecção. Uma poetisa que ele considera como “uma das grandes”. “Eu gosto muito de poesia. Estudo-a há 50 anos. Todos os dias, eu leio poesia! É uma vitamina! Eu não posso viver sem ler, sem buscar, sem recitar poemas. Todos os dias!”, confessou, quando questionado se a poesia é algo que lhe é recorrente. Procurando defini-la, assevera: “Poesia é a música das palavras”.
Começou por exercer como alferes-médico, ou médico militar, em Moçambique durante cinco anos. Depois, veio para Portugal onde esteve no Hospital de Santa Maria (Lisboa), Hospital S. João (Porto) e em várias clínicas particulares. A vinda para Bragança foi, como o próprio descreve, “um regresso às origens”, já que os seus pais foram fruto da região. Apesar de ter nascido em Campanhã, no Porto, hoje, garante que o seu sentimento de pertença respira em Trás-os-Montes. Para além da sua preferida, a poesia, Emílio Gonçalves cultiva, também, outras essências artísticas como a pintura e a escultura.


Emocionado, ao terminar "tamanha interpretação sentida", revelou num tom confessional: “a minha grande paixão era ser actor de teatro ou, então, decorador”. Sonhos que não alcançou, por imposição parental. “Não cheguei a ser porque dependia economicamente dos meus pais… Os tempos eram outros e tive de me formar em medicina. Não foi errado, mas medicina não era a minha primeira opção”, desvendou.
Reformado com 38 anos e 4 meses no activo, Emílio Gonçalves assegura ter apregoado uma frase que não é sua, algures na sua carreira em clínica geral: “Eu amo os meus doentes!”, justificando: “todo o médico que ama os seus doentes, é um grande homem e é um grande médico!”


30 de abril de 2010

PROFESSOR AD ETERNUM

Homenageada personalidade transversal ao universo transmontano após 33 anos de carreira multifacetada

Nascido em 1951, Octávio Augusto Fernandes, mais conhecido por Professor Octávio, foi laureado pela sua extensa carreira e pelo contributo significativo que prestou ao longo do seu percurso profissional. Começou a leccionar e, assim, terminou. Mas não passou muito tempo em funções docentes efectivas. Isto porque, durante 6 anos, esteve na antiga Direcção Escolar, em regime de destacamento, depois foi nomeado para a Delegação Escolar, onde passou cerca de 18 anos. Para o jantar que celebrou a sua aposentação, no Chefe Ruca, inscreveram-se cerca de 80 pessoas, mas, acabaram por comparecer perto de cem. Catarina Pereira, assistente operacional da EB1 de Espinhosela, última escola onde o professor Octávio leccionou, lançou o repto para esta iniciativa. “A ideia veio de muito carinho, de uma amizade genuína e do facto de ser um professor exemplar, a vários níveis, que me ajudou muito e que conheço desde a infância”, declara a mentora deste jantar, que contou com o apoio incondicional de Luís Freitas e Alice Lopes do Agrupamento Paulo Quintela. Também Helena Ferreira, esposa do professor Octávio, foi cúmplice e entrou no conluio para organizar o jantar, providenciando dados, pormenores e fotografias ao professor Cavaleiro, autor da biografia em PowerPoint do homenageado, mostrada no início do encontro.

“Não estava à espera desta manifestação de apreço, de respeito e gratidão. Sinceramente, é demais para mim! Eu não merecia tanto!”, revela um “modesto” brigantino, aposentado a 26 de Fevereiro.

“Este é, apenas, o culminar da minha carreira de docente, porque professores continuamos a ser pela vida fora. Até porque possuo, ainda, uma ligação muito forte ao ensino, pois presido à direcção da Secção de Bragança da Associação Nacional de Professores”, assegura o dirigente que, eleito para o triénio, vai no seu primeiro ano de vigência.
Um jantar rodeado de amigos e colegas, em noite de honra ao Professor Octávio, com direito a bolo e uma noite de fados
Com o Curso de Estudos Superiores Especializados em Educação Ambiental, concluído no Instituto Politécnico de Bragança, Octávio Fernandes é um amante da vida no campo. Com algumas terras em Conlelas, na freguesia de Castrelos, os planos deste entusiasta da defesa e conservação da natureza não incluem ficar parado. Apesar de terminada a sua carreira profissional, Octávio Fernandes continua, como habitual, ligado à música, integrando, há mais de 20 anos, o Via Latina, um grupo de Fados de Coimbra que, no final do jantar, fez uma “pequena e informal brincadeira de amigos”, brindando os presentes com um timbre saudosista da música fadista. Com mais actuações em Espanha do que em Portugal, o seu próximo concerto está agendado para 4 de Maio, o dia de abertura da Semana Académica de Bragança.

Um vulto brigantino, Professor Octávio