16 de abril de 2010

HARMONIA DE UMA VIDA CRISTÃ

“Não encadeados pelo brilho efémero dos paraísos artificiais do sexo, da droga, do dinheiro e da futilidade das telenovelas"

Na tradicional procissão do Enterro do Senhor, em dia de Sexta Feira Santa, a população acudiu em massa ao chamamento de Cristo Ressuscitado, apesar da chuva que se fez sentir. Em época de abstinência, o bispo de Bragança-Miranda, D. António Montes Moreira, afirmou que participar nesta procissão é, simultaneamente, um acto religioso, embora não litúrgico, e uma expressão cultural da nossa região. “Encarar as formas da piedade popular da Semana Santa como simples acontecimentos culturais, seria uma visão incompleta e redutora que esqueceria o conteúdo religioso da mensagem, para considerar apenas a sua roupagem, a sua expressão cultural exterior”, sublinhou.
“Para ser cristão praticante, não basta participar em procissões, nem sequer frequentar a igreja. É preciso que os ritos celebrativos litúrgicos ou populares sejam expressão de fé pessoal e tenham incidência positiva na vida quotidiana”, defendeu D. António Montes Moreira.
Ao longo do seu discurso, frente à Igreja da Misericórdia, como, de resto, é hábito, o prelado salientou, ainda: “é louvável transportar a imagem de Cristo Morto pelas ruas da cidade, mas, para que esta procissão seja um acto religioso e não um mero acontecimento cultural ou um rito vazio de significado, é necessário levarmos em nós próprios a imagem de Cristo vivo e ressuscitado. Ou melhor, sermos nós próprios imagens vivas de Cristo Ressuscitado com uma vida coerente de cristãos empenhados”.


Uma vida sã, que toma como ponto de partida a assiduidade à missa de Domingo, “uma vida pessoal de verdade, honestidade e cumprimento do dever. Na harmonia da vida familiar, vivendo a juventude num estudo sério e divertimento sadio, com abertura em ideais nobres, não encadeados pelo brilho efémero dos paraísos artificiais do sexo, da droga, do dinheiro e da futilidade das telenovelas”, expressou D. António Montes Moreira.
No encerramento de um discurso iluminador, o bispo diocesano advogou que se deve exercer a actividade profissional no sector público e privado, “não em estilo de competição, mas em atitude de serviço e de solidariedade para com todos, particularmente, dos mais desfavorecidos”. Tudo para não sermos, “apenas cristãos de nome e, na realidade, vazios”, terminou o clérigo.

REFER NA MIRA DA REVOLTA

Cidadãos protestam contra o perigo que representa uma ponte que atravessam diariamente

Um grupo de 30 moradores do bairro Fundo da Veiga, em Bragança, manifestou-se, no passado dia 3, contra a falta de segurança na antiga ponte ferroviária do Fervença, onde há cerca de 2 meses se registou uma queda mortal. Esta tomada de decisão, pensada pelos dois irmãos da vítima, Maria Quintana e João Granadeiro, deve-se ao abandono da ponte e à precariedade de cada travessia. Ao utilizá-la diariamente, a população local evita uma caminhada de 3 quilómetros, distância a que se situa o acesso mais próximo para a cidade.
Sabendo de antemão que a ponte foi construída para comboios e não para peões, os habitantes temem pela sua segurança, já que, muitos ousam atravessá-la, bem como das crianças, que usam aqueles terrenos para brincar. Assim, pretendem que a REFER ou a Câmara Municipal de Bragança, efectuem obras de reparação capazes de dotar a ponte de segurança pedonal.
“A nossa intenção é fazer com que a ponte seja chapeada para que as pessoas possam atravessá-la com segurança. Os moradores continuam a passar, pois a cidade fica mais perto e deste lado não há nada, não há comércios, nem cafés”, afirma João Granadeiro.
A sua irmã, Maria Quintana, partilha da mesma opinião: “os moradores precisam de ir ao Centro de Saúde ou à farmácia, mesmo para ir buscar pão, e têm de dar uma volta enorme. A ponte faz muita falta”.


Inconformada, esta família manifesta-se revoltada contra o actual estado da ponte. “Está cheia de buracos. Se as pessoas tiverem de passar, passam, sem qualquer problema. Falo de crianças e idosos. Mesmo os mais novos brincam nestes terrenos e não queremos que aconteça o mesmo que aconteceu ao nosso irmão”, defende João Granadeiro. “Há que aproveitar a estrutura existente”, considera este habitante da freguesia de Gostei, que sustenta: “componham a ponte ou, então, que a mandem abaixo!”
A presidente da Junta de Freguesia de Gostei, Carolina Fernandes, foi convidada a estar presente, mas a sua não comparência ainda frustrou mais os manifestantes. “Estou muito desanimada com ela, pois devia estar aqui connosco. Quando foi para pedirem votos, vieram buscar o meu falecido irmão de pijama para votar, mas quando precisamos deles nunca aparecem”, protesta Maria Quintana.
“Só arranjam as coisas depois de algo acontecer. Esta ponte devia ter sido arranjada mal o comboio deixou de passar, há 19 anos atrás. Mesmo após ter havido uma vítima nada fazem. É inadmissível”, testemunha, incrédulo, João Granadeiro.
Recorde-se que José Granadeiro Torrão, cujo corpo estava desaparecido há três semanas, foi encontrado cadáver no rio Fervença, a 2 de Março, na zona da represa das hortas da Coxa, em Bragança, e terá, alegadamente, caído quando efectuava a travessia da ponte.




SEDE DE ENGENHARIA

Direcção da Ordem dos Engenheiros Região Norte despede-se com inauguração de uma nova delegação


A Ordem dos Engenheiros (OE) Região Norte inaugurou as novas instalações em Bragança, naquele que foi o último acto da direcção presidida por Gerardo Saraiva de Menezes. O dirigente despediu-se, assim, da OE – Norte, a que presidiu durante 2 mandatos, no espaço que irá, a partir de agora, responder às necessidades dos associados do distrito.
“A Ordem dos Engenheiros tem a particularidade de ter 12 especialidades e os problemas são distintos. De qualquer modo, a grande preocupação dos engenheiros é de conseguir sempre evidenciar as vantagens de ter técnicos preparados para intervenções sofisticadas, das quais é suposto resultar um grande benefício para a comunidade, independentemente dos trabalhos que produzem e da especialidade a que pertencem”, referiu, na altura, o ainda presidente da Região Norte.
Gerardo Saraiva de Menezes afirmou, ainda, sair de consciência tranquila. “Saio satisfeito, pois concluímos a cobertura da nossa região em termos de representação distrital, algo que é muito importante para nós”, concluiu.
A 26 de Fevereiro, foi eleito Fernando Almeida Santos, o novo presidente da Ordem dos Engenheiros - Região Norte, que tomou posse no passado dia 6 de Abril.

Novo presidente eleito, Fernando Almeida Santos