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5 de janeiro de 2010

FESTIVAL DE ANO NOVO


Durante o mês de Janeiro, 24 concertos de música clássica far-se-ão ouvir em Bragança, Chaves e Vila-Real, sob o slogan “música séria para gente divertida”

A quarta edição do Festival de Ano Novo (FAN), a mais internacional de todas e com um orçamento a rondar os 30 mil euros, acolhe, este ano, propostas musicais de cinco países: Bulgária, Bélgica, Coreia do Sul, Inglaterra e Portugal.
Organizado pelo Teatro de Vila Real, em parceria com o Teatro Municipal de Bragança e a Associação Chaves Viva, o FAN começou no dia 1 e terminará a 30 de Janeiro, brindando os diferentes palcos da região com um total de 24 concertos.
“Procurámos conjugar a música clássica com imaginários musicais menos comuns, como a tradição búlgara ou a música medieval inglesa. Paralelamente, são apresentados instrumentos menos habituais como o saltério (instrumento medieval), a harpa, o acordeão e o saxofone. Ao público infanto-juvenil, são oferecidos 10 “concertinhos” que contam “A História de Babar”, uma obra do compositor Francis Poulenc”, anunciou o director do Teatro de Vila Real, Vítor Nogueira, na conferência de imprensa, a 22 de Dezembro, que serviu para apresentar o festival.

O roteiro turístico do FAN 2010 foi também reforçado nesta edição, com a integração de três novos edifícios para realização dos concertos. Assim, os espectáculos terão lugar em Vila Real, no Teatro Municipal, na Torre de Quintela e na Agência de Ecologia Urbana; em Bragança, no Teatro Municipal, no Conservatório Regional de Música e no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais; e em Chaves, no Centro Cultural.
Numa altura em que acontecem poucas iniciativas a nível cultural, quer na região, quer no país, “este é um esforço que continua a valer a pena ser feito”
Como um roteiro turístico e cultural, este festival de “música séria para gente divertida”constitui-se também como pólo centralizador de três objectivos distintos: proporcionar um acesso descontraído à música erudita, descentralizar geograficamente a oferta de espectáculos e dinamizar espaços de interesse histórico e arquitectónico.

“A ideia é juntar a música clássica aos equipamentos que nós consideramos interessantes, do ponto de vista turístico, para os mostrar às pessoas em circunstâncias diferentes e para que elas possam, sobretudo, circular pela região de Trás-os-Montes e Alto-Douro, numa altura que é difícil para qualquer programador”, explicou o responsável.
A organização espera que, à semelhança do que aconteceu nas edições dos anos anteriores, que as pessoas da região e outras de fora, possam comparecer, transformando esta 4ª edição do FAN num sucesso garantido”, conclui Vítor Nogueira.

Quanto à programação, em Bragança, poderemos contar, dia 9, no Teatro Municipal, “Tríada – Vozes da Bulgária”, e no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, dia 16, “Saxacordeon”, um duo português, composto, como o próprio nome indica, por um saxofone e um acordeão. No Centro Cultural de Chaves, o próximo concerto será no dia 14, com a pianista “Young-Choon Park” da Coreia do Sul, que actuará, dia 16, em Vila-Real, seguindo-se, dia 23, “Dizzi Dulcimer Trio”, uma formação oriunda de Inglaterra e liderada por Rebecca Anne Edwards, que recupera a utilização do saltério em concerto, um instrumento de cordas de origem medieval ou mesmo anterior.

7 de outubro de 2009

MÚSICA EM "BANDAS DE GARAGEM"

The Band, Nível 6, Black Hope e Eskuadrão Furtivo, entre outros, actuaram sábado em nome de um bem comum, a música


Em pós-celebração do Dia Mundial da Música, a Junta de Freguesia da Sé (JFS) exibiu, dia 3 de Outubro, as várias bandas de garagem brigantinas no Teatro Municipal de Bragança. Com cerca de uma dezena de grupos, a presentearem um quinto de sala, Paulo Xavier afirma, “há 10 anos anos atrás, quando começámos as verbenas, só tínhamos 2 bandas de garagem, agora estamos com 18, infelizmente, no dia de hoje, por vários motivos, irão tocar apenas dez”.
O mais importante, realça o presidente, “é o apoio incondicional prestado aos jovens músicos da nossa terra, conferindo-lhes a oportunidade de se mostrarem em diferentes contextos, como o dia da música, as verbenas e festas de escola”, salienta o presidente, acrescentando, “eu tenho um filho com 10 anos, pianista, e já me diz que quer tocar neste dia da música, esse entusiasmo é que tem de partir dos jovens”. Se assim for, “esta iniciativa será para perdurar”, refere Paulo Xavier, “se for esse o anseio dos músicos e houver bandas suficientes que demonstrem essa vontade de tocar”.
O espectáculo, com uma duração aproximada de duas horas, permitiu a cada banda interpretar dois temas, já que, cada uma, dispunha apenas de 10, 15 minutos, para mostrar o seu valor.


Também no final dos concertos, Victor Gomes, professor de música e, ele próprio, um conceituado artista, foi homenageado pela vasta contribuição que tem prestado, não só à música, como também ao desenvolvimento de jovens por todo o Nordeste Transmontano.

Eskuadrão Furtivo, os representantes do hip-hop brigantino

Constituído por dois elementos, Luís Gonçalves, 21 anos, aka B-Fatz, e Jorge Rodrigues, de 24, aka MK, o Eskuadrão Furtivo começou em 2004, numa altura em que o B-Fatz era o puto XL, e havia mais dois elementos no grupo, o Sniper e o Raro, além do mc MK. Depois, foram saindo e entrando outros elementos mas a base manteve-se até hoje com os mesmos dois protagonistas.
Foi colocado por MK, um álbum à venda na Fnac, onde participa Fuse, dos Dilema, um senhor do hip-hop tuga, e que já esgotou, lançado por uma editora e cujo título é “Capítulo Obsceno”. Composto por 14 temas, um dos mais conhecidos entre as hostes brigantinas é “Cidade do Pecado”, featuring Raro e produzido por Pipe, que podem conferir no Youtube.


MK, que produz os instrumentais num programa informático de nome Reason, planeia lançar uma mixtape em Janeiro, que se intitulará “Identidade”. Também B-Fatz planeia fazê-lo mais tarde, “talvez” para Março ou Abril. Isto porque, ambos têm algo a dizer. O trabalho conjunto dos dois elementos que compôem o Eskuadrão Furtivo estará nas lojas, em princípio, no final do próximo ano.
Quanto ao hip-hop, em Bragança, tem evoluído muito, refere B-Fatz, “no início, existíamos nós e os concertos tinham 5 ou 6 pessoas, hoje em dia, fazemos actuações com a casa cheia”, acrescentando, “isto deve-se em parte ao MK, pois foi o único, nesta cidade, a lançar um álbum através de uma editora que esteve à venda na Fnac”, concluindo, actualmente, “temos mc´s, produtores, pessoal a dançar, beatbox e há mais bandas, o que é sempre um passo em frente”.

1 de setembro de 2009

A MONTRA DAS BANDAS BRIGANTINAS

Stone Age, Parede Sem Fachada, Via Latina, B´Five, The Band, SKA, Low 5 e Blackhole, foram apenas algumas das bandas ouvidas na praça
Os concertos na Praça Camões começaram no domingo, dia 26 de Julho, com uma das bandas mais antigas da cidade de Bragança, Stone Age, para terminarem no dia 14 de Agosto com os Dremm, um dia antes de se iniciar a Festa da História no castelo.
Segundo Paulo Xavier, “as verbenas eram uma tradição antiga perdida no tempo há mais de 30 anos e recuperada em 1998 por iniciativa da Junta de Freguesia da Sé”. Actualmente, no âmbito da comissão das festas da cidade de Bragança, continuam a ser uma “espécie de introdução” às festividades propriamente ditas e desempenham um papel importantíssimo para jovens e bandas de Bragança. Quando houve essa reactivação, havia já “uma perspectiva muito clara, colocar no palco aqueles músicos da região que têm poucas oportunidades de se mostrarem à nossa gente e que pudessem ter uma noite deles em que pudessem dedicar a sua música à família, aos amigos”.
O facto é que há hoje mais de 20 bandas de garagem, ao contrário do que acontecia antes de 1998, onde havia apenas 4 ou cinco bandas porque miúdos queriam tocar, ter um palco e a oportunidade de mostrarem o seu trabalho, mas simplesmente não tinham onde nem quem os ajudasse a concretizar esse sonho. “Com um palco ao seu dispor, as bandas sentem-se incentivadas e as verbenas conferem, precisamente, a motivação e a oportunidade para elas mostrarem o seu valor, esse foi o pensamento que esteve na base dos nossos objectivos”, reitera Paulo Xavier. O mesmo acontece no Dia Mundial da Música, promovido também pela JFS, “falamos, por vezes, de 100 músicos em palco, algo extraordinário, apoiamos as bandas, inclusive a produzir os seus cds e a evolução tem sido notória ao longo destes últimos anos”, certifica o presidente, que termina declarando que, “tanto as verbenas, como o Dia Mundial da Música fazem parte integrante do nosso plano cultural e das nossas actividades, o que está em causa é apoiar directamente os jovens para que eles possam gravar e auto-promover-se”.
Enquanto os jovens andam ocupados com a música, não se metem noutras coisas, falava-se na Praça Camões. Mas também a nível económico, as verbenas são um bem essencial para escolas de música e casas de instrumentos, gerando todo um negócio paralelo e que ajuda à nutrição do mercado citadino.

5 de agosto de 2009

TEATRO DE FÉRIAS EM AGOSTO

Em jeito de último concerto, música do mundo cantada em crioulo distingue um vocalista no seio de tantos outros
Bilan, músico e compositor, dá nome à banda que o suporta e que ele influencia. Nascido em Cabo-Verde na ilha de S. Vicente, com 28 anos, dez em Portugal, este artista lidera um grupo de cinco elementos, onde todos, apesar de partilharem gostos idênticos a nível musical, fazem chegar sonoridades distintas. Eles não encaixam num paradigma, num estilo, a sua música é do mundo, uma fusão liderada por influências mor cabo-verdianas mas onde se misturam e encontram também Cuba e Portugal, que em uníssono comprometem a indiferença de quem decide ouvi-los atentamente.
Na sua estreia em Bragança, David Estêvão em contra-baixo, na guitarra eléctrica Tiago Mota, o baterista André Nunes, os três do Porto e na percursão, o uruguaio Pancho, há 18 anos no continente, para terminar, o já apresentado Bilan que, no futuro, dispensará apresentações.
Lançado o 1º EP em Maio, após três anos de estrada, cinco temas em edição de autor, os primeiros 4 cantados em crioulo e um quinto que consiste numa música tradicional cabo-verdiana, reflectem, seguramente, a sua identidade muito própria e mais que isso, a sua origem, que o dignifica e mostra orgulhoso.
A partir de Abril de 2010, um novo trabalho compreenderá cerca de 11 faixas. Adiantado que está e questionado sobre o porquê da demora, Bilan respondeu, “vou ser pai brevemente e a música, por um curto período de tempo, tomará um segundo plano”. Os nossos parabéns!

ROCK n´DÉCADAS

É de consenso lato que os Black Dog arrastam multidões saciadas por tocarem rock n´roll e transmitirem a sua interioridade na música que marcou gerações.
Mário Gomes no baixo, mentor dos Black Dog, Miguel Pereira, baterista, oriundo dos saudosos Odores de Maria, Carlos e Jorge nas guitarras solo e ritmo, Matias nas teclas e Luís Afonso vocalista, compõem este grupo ainda em estado embrionário, um ano de existência, mas com uma requintada maturidade semi-profissional.
Um amigo comum a todos os elementos do grupo e actual baixista do mesmo, resolveu incentivá-los para se envolverem num projecto de uma banda rock, estávamos no Carnaval de 2008.
No dia 25 de Abril desse ano, “juntámo-nos todos e percebemos naquele momento, que entre nós havia gostos musicais comuns”, refere o vocalista, que define a sua música como pop-rock. “E foi naquele célebre dia que começámos a trabalhar, montámos a banda, comprámos os primeiros instrumentos e começámos a ensaiar”, acrescenta Luís Afonso. Rapidamente, os Black Dog se entrosaram e chegaram a um consenso quanto aos hits que iriam tocar. As várias décadas, desde os anos 50 até aos 90, fazem parte do seu reportório.

O empreendimento cuja “política inicial” transitava por tocar em bares, viu-se em crescendo pela angariação de fãs resultante dos concertos, no entanto, na opinião de Luís Afonso, há que subir degrau a degrau. Após o primeiro concerto, já os amigos passavam palavra e quando outro tinha lugar, a publicidade boca a boca, de espectáculo a espectáculo, depressa engrossava a fileira de pessoas presentes. “Freixo de Espada à Cinta, Bragança, Porto, Braga e pessoas de todo o distrito que nos têm ouvido tocar, pedem-nos para continuar e nós concedemos esse desejo satisfazendo sua vontade, uma que é mútua, e nós voltamos de novo, uma e outra vez”, afirma.
Apesar de, neste momento, se dedicarem somente a covers, é consentânea a ânsia de partirem à descoberta de novos sons, ritmos e letras que se componham em originais singulares. O vocalista diz a este respeito que, “esse é o processo seguinte, há que consolidar ideias mas tudo indica que assim será, fazer e gravar música própria”. No entanto, lembra, “nunca houve no concelho e distrito de Bragança, uma banda com projecção nacional”, o sonho íntimo de qualquer grupo que sinta a música verdadeiramente. Os Black Dog são regra e não excepção. E vivem o sonho, tendo plena consciência dos sacrifícios e das montanhas que teriam de mover para o concretizar. Tanta que, o entrevistado é peremptório em asseverar, “da vontade à realidade vai um passo colossal”.
Perpetuar temas de outros artistas por satisfação do grupo e do seu público, avançar para a criação de originais e consequente gravação, é a meta final. Uma que, “permita dar a Bragança, e desta nossa cidade a Portugal, um contributo significativo no cenário da música rock”, exprime o vocalista. Debatida a ideia e a vontade imensa, quando questionado sobre em que língua seriam os originais entoados, argumenta, “o público que ouve e compra música está, actualmente, direccionado para letras cantadas em português”, “esse seria o caminho, em nosso parecer, mais adequado à presente politica das distribuidoras e empresas discográficas e à sensibilidade do público nacional”, conclui Luís Afonso.
Uma legião de fãs
O concerto presenciado marcou casa cheia. O entusiasmo do público foi uma constante, crianças, jovens e adultos em uníssono. High Way to Hell dos AC/DC, Xutos e Pontapés, Pink Floyd com a música Wish U were here, Dire Straits e Rolling Stones, foram apenas alguns dos clássicos que deleitaram todos aqueles que tiveram o privilégio de ao recordar, poder viajar no tempo.